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Chitra Stern: “Faz sentido levar os hotéis Martinhal para o Porto”

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Futuro passa pela expansão da cadeia de hotéis Martinhal também para o estrangeiro. E vai nascer uma escola internacional no Parque das Nações

Ele suíço, ela singapuriana. Roman e Chitra Stern são os fundadores do The Elegant Group que, em Portugal, criou a marca Martinhal, que já conta com quatro unidades, em Sagres, na Quinta do Lago, em Cascais e no Chiado, em Lisboa. Mais recentemente, os planos voaram para uma nova área: compraram a antiga Universidade Independente e estão a construir uma escola internacional, a United International School. Um plano leva a outro e a escola será contígua a um hub de educação que servirá empresas e alunos. Com o jardim do Martinhal de Cascais sob pano de fundo, Chitra Stern falou-nos do futuro, que passa por Portugal, mas não só.

Estão com muitos projetos em Portugal, o último numa área muito diferente, a educação. Como é que surgiu esta ideia?
A educação é uma das maiores condições para a atração de investimento estrangeiro. Esta questão surgiu em primeiro plano logo quando decidimos viver em Portugal. Eu queria viver no Parque das Nações, mas percebi que não há escolas internacionais ali perto para os miúdos. Em Lisboa existe o Liceu Francês, a Escola Alemã e a Redbridge School, mas no Parque das Nações não havia opções. É evidente que para atrair empresas e instituições para Portugal, até por causa do brexit e para as empresas que queiram ficar na União Europeia, é preciso ter uma oferta de escolas internacionais para que as suas famílias possam vir. E isto, que inicialmente começou por ser uma espécie de ajuda aos que chegam, acabou por tornar-se um projeto…

… Enorme.
Sim, enorme. Enquanto investidores imobiliários acreditamos que é bom diversificar. Sabemos que um projeto tem maiores hipóteses de ser financeiramente bem-sucedido se tiver escala. Por isso, à escola juntámos um hub. Este hub nasceu para que o nosso projeto seja ainda melhor do que se fosse apenas uma escola internacional.

Vão seguir o currículo norte-americano. Porquê?
É um risco, mas acreditamos que a diferenciação é importante. Seria muito mais fácil trazer um currículo britânico para Portugal, muitas escolas o têm; o americano é menos conhecido e teremos de trabalhar bastante… Mas o que é importante é que é um currículo com forte procura. Desde logo, há muitos brasileiros que estão a vir para Portugal e que têm uma forte familiaridade com os Estados Unidos, muitos com os filhos a estudar lá.

“Pessoalmente não me sentiria confortável para investir em Londres enquanto toda a incerteza do Brexit não seja dissipada”.

Vão abrir a tempo do próximo ano letivo?
Não, vamos abrir em setembro de 2020. Há questões ainda por ultrapassar, como em qualquer projeto imobiliário.

A escola vai nascer nas bases da Universidade Independente, encerrada em 2007. Estão a reabilitar ou a construir de novo?
Temos um projeto de reabilitação muito grande. Dos 34 mil metros quadrados, cerca de metade será alvo de reabilitação e a outra metade terá construção nova.

Mas este é um projeto faseado.
Sim, será feito em fases. A nossa ideia é ter a escola a funcionar no ano que vem e em 2023 ter todo o projeto em funcionamento.

Qual é o valor do investimento?
A escola e o hub são projetos com financiamento bancário. Tudo junto, serão 70 milhões de euros.

Quanto tempo será preciso para rentabilizar este negócio?
Como é um projeto misto, com residências e cowork, espero que o possamos fazer em pouco tempo. Estamos a pensar que a escola deva atingir a estabilidade em quatro a cinco anos, mas é estabilidade em número de alunos, porque não vamos começar logo com a máxima capacidade, teremos de começar com menos, uns 150, e ir aumentando. É como um hotel, tem de se investir antes da abertura, e estar preparado para consolidar.

Falou em financiamento bancário. É a banca portuguesa que vos concede crédito?
Sim, é.

É mais fácil obter financiamento, agora que a crise terminou?
Vejamos, nós chegámos a Portugal em 2001, e as coisas correram bem durante cinco, seis anos, depois vieram os tempos maus. Começámos a fazer aquisições em Lisboa em 2014 e claro que tivemos de colocar capitais próprios para obter capital bancário. Não diria que é mais ou menos fácil, porque no financiamento bancário tens sempre de provar que vais ser capaz de pagar. Mas diria, até, que a análise de risco agora é mais difícil do que antes da crise.

Vejam, continuamos aqui, o que era um projeto a cinco anos já vai em 18.

Enquanto a escola se desenha, há outros planos a correr? Já têm quatro hotéis Martinhal.
E o quinto está a ser construído neste momento, o The Brand Hotel Residences, no Parque das Nações. Há sempre uma questão de recursos, tempo e até energia a ter em conta. Mas sem dúvida nenhuma que faz sentido levar a marca dos hotéis Martinhal para o Porto. É uma questão de dar aos clientes aquilo que eles pedem e de ter um portefólio de hotéis em Portugal que permita atrair clientes de longhaul – viagens de longo curso – tal como os europeus.

Ainda é uma ideia ou já existe concretização, com terreno e projeto a andar?
É uma ideia, mas também não precisamos de operar e construir tudo. Estamos abertos a fazer uma parceria, um contrato de gestão.

Agarrar a gestão de um hotel que já exista?
Não dizemos que não a nada, ou uma JV [joint venture] ou um contrato de gestão. Estamos disponíveis, mas o mercado está muito ativo neste momento e temos de encontrar o preço certo.

Ainda é possível fazer um bom negócio – leia-se a bons preços – ou o mercado está demasiado valorizado?
Depende da zona. Nós gostamos de investir de forma inteligente em zonas que ainda não estejam cheias. E acho que temos de manter os olhos abertos. A questão que temos de responder neste momento é: quanto mais é que podemos crescer em Portugal versus podermos levar a marca Martinhal para outras cidades capitais. Essa poderá ser uma estratégia de futuro.

Estão a fazer essa prospeção internacional?
Sim, é algo que está a faltar ao conceito Martinhal, levar o produto Martinhal Chiado para outras localizações. Mas vamos ver, há variáveis a ter em conta.

A localização será certamente uma delas. Que cidades se adequam a este produto?
Poderia ser Londres, Nova Iorque, Paris, Roma… mas tudo tem de ser tido em conta. Em Portugal conhecemos o ambiente de negócios, trabalhamos com os bancos…

Deixe-me voltar a Londres, uma capital europeia importante e onde a Chitra tem um passado – foi lá que estudou -, mas que atravessa um processo político complicado. O brexit pode vir a ser um entrave à vossa entrada em Londres?
Definitivamente que será tido em conta. Pessoalmente, não me sentiria confortável em investir em Londres até que toda a incerteza do brexit esteja dissipada. Por outro lado, em Portugal há o Porto e também o Alentejo, outro local interessante para levar o Martinhal. Sim, diria Porto e Alentejo.

Quando vieram para Portugal, em 2001, a Chitra e o seu marido, Roman, tinham outro país em mente, a Croácia. Olhando para trás, escolheram bem?
Absolutamente! Sim, olhámos para Portugal e para a Croácia, mas, até nessa altura, e digo sempre isto quando me perguntam, a Croácia tinha acabado de sair de uma guerra, e Portugal já era parte da União Europeia havia vários anos, o que dava uma base e uma situação macro muito diferente. Não há absolutamente nenhum arrependimento. E, vejam, continuamos aqui, o que era um projeto a cinco anos já vai em 18.

Pode vir a tornar-se um projeto de vida?
Neste momento, não vejo melhor país para viver. Os nossos quatro filhos nasceram aqui e continuo a ver muitas oportunidades de negócio em Portugal, seja para continuar a desenvolver a nossa marca de hotéis ou noutras áreas. Educação é definitivamente uma delas. E há muito mais para dizer sobre educação, porque há listas de espera enormes nas escolas internacionais, há muitas famílias expatriadas que não vão mudar-se para aqui sem terem esta questão da escola resolvida. É a prioridade número um.

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