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Cinco hotéis e um eco-resort. Seixal entra na rota do Turismo

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É o município convidado da BTL 2019 e está na mira dos investidores estrangeiros. Novos projetos prometem milhões e 500 novos empregos.

Tinha creche e jardim-de-infância, Caixa de Previdência e alojamento para os funcionários. Avançada para o seu tempo, a Mundet tornou-se um eixo fundamental do desenvolvimento da Margem Sul. Instalada por espanhóis no Seixal, em 1905, com vista para Lisboa – e o Tejo como meio de obtenção de matéria-prima e escoamento dos produtos -, chegou a ser considerada a maior fábrica de cortiça do mundo. Nos tempos áureos empregou mais de três mil pessoas, a maioria mulheres. O plástico ditou-lhe a morte em 1988, mas as paredes que o abandono mal deixou de pé, vão agora ouvir novas histórias – as dos hóspedes do futuro hotel Mundet.

O concurso ficou fechado no final do ano passado e o empreendimento turístico de 84 apartamentos deverá estar pronto em meados de 2020. O projeto envolve um investimento de 7,5 milhões de euros e será apresentado na Bolsa de Turismo de Lisboa, que arranca na próxima quarta-feira e em que o Seixal é o município convidado – já lá vamos.

Por isso, Cécile Gonçalves, responsável pelo desenvolvimento do grupo Libertas, que apresentou a proposta vencedora, prefere não revelar pormenores. Diz, ainda assim, que estão “muito entusiasmados com o que está em preparação” e promete detalhes para mais tarde.

A câmara vai levantando o véu. “A Mundet teve um grande peso económico e social na vida do município mas agora vai ter uma nova roupagem, vai continuar a ser importante como hotel, um hotel que vai também ser muito virado para a cortiça”, conta ao Dinheiro Vivo, Joaquim Santos, presidente da Câmara Municipal do Seixal, que municipalizou os edifícios em 1994 e que, entretanto, foi dando novas utilizações a parte do espaço com a criação de dois museus, um polo do conservatório nacional, e há cerca de um ano, um restaurante que elogia a cozinha do mundo.

Além do hotel, há novos planos para restaurar as antigas instalações do clube social dos trabalhadores da Mundet e, em breve, será inaugurado o pavilhão desportivo vocacionado para o hóquei – “porque foi ali que nasceu o hóquei em patins no concelho, na fábrica da Mundet”. Para breve está também o novo jardim urbano do Seixal, que ocupa 5,3 hectares do terreno da antiga fabrica e que será “um postal vivo de Lisboa”.

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O hotel Mundet é o investimento turístico em estado mais avançado que está a nascer no Seixal, mas está longe de ser o único. Ao todo, a câmara tem em pipeline a construção de cinco novos hotéis e um eco-resort. “Os hotéis que estamos a preparar penso que farão nascer na ordem de 400 alojamentos. Depois, o eco-resort será uma coisa diferente, ainda não conseguimos antecipar a sua ocupação porque estamos a falar de 90 hectares da reserva ecológica nacional, edificáveis até um décimo”, revela Joaquim Santos, adiantando que há ainda manifestações de interesse para a criação de outros dois pequenos hotéis de negócios, com classificação de três estrelas, na zona de expansão económica.

O interesse do Seixal em beber do boom do turismo não é de hoje. A concessão e venda de terrenos para a instalação de novos alojamentos é um plano com dois anos, mas que o recente interesse dos investidores internacionais acelerou nos últimos meses. “Se tivéssemos todos os projetos prontos do ponto de vista urbanístico, e dos regulamentos que possibilitassem a sua venda ou concessão, diria que haveria fortes hipóteses de estarmos a fechar negócios em quase todos os projetos”, diz o autarca, admitindo que tem investidores nacionais interessados num dos projetos, estando os restantes na mira de vários investidores internacionais.

É precisamente um estrangeiro que está a olhar para o hotel e porto de recreio do Seixal, um projeto cujo regulamento está a ser ultimado e que prevê a criação de uma pequena marina com capacidade para duzentas embarcações e um hotel com cem alojamentos. Para este plano, a câmara antecipa um investimento de 15 milhões de euros e estima que a adjudicação ainda possa ser feita neste ano.

A um par de quilómetros prepara-se novo projeto e, se tudo correr bem, o hotel poderá vir a ser apadrinhado pelo Sport Lisboa e Benfica. Do que falamos? Do futuro Hotel Quinta da Trindade, paredes-meias com o Centro de Estágios do Clube da Luz. “Poderá ser futuramente o hotel Benfica, se houver interessados. Há contactos com o clube, o Benfica também gostaria muito de ter ali um hotel sobre a sua égide”, conta o presidente da câmara, admitindo a necessidade de se encontrar um hoteleiro que possa juntar-se. Do lado do Benfica, confirma-se o diálogo com a autarquia que tão bem conhecem, mas tudo “numa fase ainda inicial”. Seja como for, fonte oficial sublinha que, neste momento, o foco está bem definido e tem outras prioridades: as obras de ampliação do Centro de Estágios e o Colégio do Benfica, que permitirá acompanhar o percurso escolar dos jovens atletas. Além disso, o clube já admitiu ter planos para criar um hotel na antiga sede, na Baixa Pombalina.

A ambição da Câmara do Seixal não se fica por aqui. Joaquim Santos lembra que na freguesia da Amora existe um antigo estaleiro naval onde se está a desenhar um porto de recreio e uma unidade hoteleira. “Amora tem uma vista extraordinária sobre o Seixal e sobre a baía, e acreditamos que poderá surgir aí um empreendimento. Também já temos interessados”, confidencia.

São projetos a dez anos, mas quando estiver pronto, o plano turístico do Seixal permitirá criar 500 postos de trabalho diretos na hotelaria, um setor que ainda não tem grande expressão, uma vez que só existe um hotel no concelho, com 80 camas.

A forte aposta do município, que como muitas localidades em Portugal tem dificuldade em medir o número de turistas porque apenas regista os visitantes que passam pelo ponto de Turismo, valeu o galardão de município convidado para a BTL deste ano.

Habituado a marcar presença neste tipo de montras, Joaquim Santos espera captar mais investimento e atenção para a outra margem. “A nossa presença nas feiras e certames tem-nos dado uma exposição muito grande e muitos contactos, que podem não ser logo efetivados no dia, na semana seguinte, mas são logo em sequência”, refere.

O Seixal, admite Fátima Vila Maior, diretora de feiras da Feira Internacional de Lisboa (FIL), é um dos exemplos do que se está a fazer bem em Portugal: diluição da atratividade e dispersão dos fluxos turísticos para além de Lisboa, Porto, Madeira ou Algarve. Razão mais do que suficiente para que, neste ano, o espaço dedicado aos municípios seja o que mais cresceu em relação a edições anteriores. “Portugal tem uma oferta mais consistente e rica”, referiu ao Dinheiro Vivo.

Este aumento acontece no ano em que a BTL volta a ocupar os quatro pavilhões da FIL, algo que já não acontecia desde 2011, o ano em que o país e o setor mergulharam na crise e na troika.

A nova edição da BTL arranca na quarta-feira e, além do Seixal, dará destaque a Lisboa, o destino nacional, e a Macau, destino internacional e que promete uma “megaoperação” de charme aos turistas nacionais. Como habitual, os três primeiros dias são dedicados ao setor, e o fim de semana é das famílias.

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