Retalho Alimentar

“Cinco maiores clientes de Portugal vivem situação crítica”

Carcavelos, 10/10/2019 - Realizou-se esta manhã a Conferência (Des) Codificar o Futuro da empresa GS1 na Nova SBE em Carcavelos.
Paulo Portas
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
Carcavelos, 10/10/2019 - Realizou-se esta manhã a Conferência (Des) Codificar o Futuro da empresa GS1 na Nova SBE em Carcavelos. Paulo Portas ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Economia mundial dá sinais de arrefecimento e o vento frio pode chegar a Portugal, alertou Portas. No retalho alimentar as aberturas não deverão parar

Paulo Portas não tem grandes dúvidas: os sinais da crise na economia mundial adensam-se e os ventos deverão chegar a Portugal. “A economia europeia está muito pior do que a americana. Lamento, mas as coisas são o que são”, disse o ex-vice-primeiro-ministro do governo de Passos Coelho no arranque do Congresso da GS1, na Nova SBE, em Carcavelos. Os números não deixam margem para dúvidas. “A economia americana está a crescer na ordem dos 2%, a europeia até 1%, o que é um crescimento medíocre, e se não fosse o crescimento dos países do Leste nem seria um crescimento”, sublinha.

As estimativas têm sido revistas em baixa. A mais recente foi feita pela nova responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. “Entrou a pés juntos e com uma linguagem clara”, com um outlook tendencialmente negativo e com potencial impacto na economia nacional. Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Espanha ou estagnaram ou tiveram crescimento negativo no segundo trimestre. “No Top 5 dos nossos principais clientes praticamente nada está bem, vivem uma situação crítica.”

São supermercados, senhor

António Casanova também não se mostra otimista com a evolução da economia nacional. “As perspetivas mais razoáveis é que nos próximos anos não haja uma evolução muito grande da nossa economia, por isso, não haverá uma grande evolução do consumo”, diz o CEO da Unilever, FIMA e Gallo, no debate O Consumidor no Centro da Transformação Digital.

Apesar disso, no retalho alimentar não param de abrir supermercados: nos últimos três anos nasceram mais de 300 pelo país. A resposta ao “aumento da procura” é suportada pela subida do rendimento disponível, do salário mínimo e do turismo, refere José Fortunato, administrador da Sonae MC.

Irá o movimento expansionista inverter-se? José Fortunato acredita que ainda há espaço para crescer. “Os índices de ocupação, face à população, estão entre 10% a 15% abaixo da média europeia. Há espaço para formatos mais pequenos e dentro das cidades”, diz. Entre 2019 e 2021, a Sonae MC estima investir entre 260 e 280 milhões na expansão da rede, com planos para abrir entre 50 e 60 lojas Continente Bom Dia e entre 4 e 8 Continente Modelo, revelou na sexta-feira a companhia. E mais do que fechar espaços, as insígnias podem reconverter-se. “Os metros quadrados que existem em Portugal são diferentes dos que existiam há uns anos. O Continente no Colombo é completamente diferente do que era há 10 anos.”

O momento quente no mercado imobiliário está a ter impacto nas ambições expansionistas das cadeias? “Talvez, na velocidade” do ritmo de aberturas. “Temos de nos adaptar às condições de mercado”, diz José Fortunato.

Pedro Cid acredita no poder de atração dos espaços físicos. “As lojas físicas não vão perder, é uma parte fundamental da experiência de compra. Não vão fechar, podem é mudar de mãos”, admite o diretor-geral da Auchan Retail.

A palavra de ordem é a venda omnicanal, dizem as cadeias, mas no alimentar o digital não dá sinais de grande crescimento. Porquê? “As empresas instaladas não têm interesse em fazer explodir [o digital], a não ser de forma defensiva”, afirma António Casanova. “Uma das razões pelas quais os retalhistas não aderem mais é porque não há um pure player, como em Espanha, com a Amazon. Não é razoável acreditar que exista um em Portugal nos próximos anos.”

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho (D), e o secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita (E). Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Salário mínimo de 635 euros? Dos 617 dos patrões aos 690 euros da CGTP

concertação

Governo sobe, sem acordo, salário mínimo até 635 euros em 2020

concertação

Governo sobe, sem acordo, salário mínimo até 635 euros em 2020

Outros conteúdos GMG
“Cinco maiores clientes de Portugal vivem situação crítica”