Conferências do Estoril

Cinco prémios Nobel vêm a Portugal falar de justiça, corrupção e pobreza

NOVA_SBE

Na sua sexta-edição, as Conferências do Estoril deixam o Centro de Congressos e mudam-se para o campus da Nova SBE, em Carcavelos.

Há dois anos o debate entre quatro “súper juízes” dominou as atenções. O Centro de Congressos do Estoril encheu-se para ouvir Carlos Alexandre, Baltazar Garzón, António Di Pietro e Sérgio Moro.

Ao mesmo tempo que marcou o fim de um ciclo nas Conferências do Estoril, o encontro lançou a escada para a edição deste ano do evento bianual organizado pela Câmara Municipal de Cascais.

Em 2019, dez anos depois da primeira edição, as Conferências vão mudar de casa, mas trazem a herança de 2017 com elas: o tema central do programa deste ano é “justiça”.

Porquê? “Porque é incontornável. O tema começou a ser desenhado há dois anos, precisamente com o painel dos “súper juízes”, em que percebemos que era preciso discutir a justiça local para conseguirmos construir um mundo mais justo – perante um cenário de profundas injustiças, de uma desigualdade cada vez maior, com a riqueza cada vez mais concentrada no topo de uma pirâmide inatingível para a grande maioria dos cidadãos”, explica Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Um dos oradores até se mantém. Sérgio Moro volta ao palco das Conferências, desta vez na categoria de Ministro da Justiça do Brasil. Fala na próxima terça-feira, dia 28 de maio, num painel sobre “democracia e a luta contra a corrupção”.

Esta deverá ser, aliás, uma das mesas redondas mais concorridas dos três dias do evento, já que além de Moro vai juntar a ministra da Justiça portuguesa, Francisca Van Dunem, e Joana Marques Vidal, a ex procuradora-geral da República, que em setembro do ano passado não foi reconduzida no cargo. Os ministros da Justiça da Argentina e de Cabo Verde também fazem parte do painel.

Mas o tema não se esgota por aqui. Depois de em 2017 ter apostado nas “pop stars” dos tribunais, este ano a organização do evento empenhou-se para trazer a Portugal cinco prémios Nobel, de várias áreas.

O primeiro dia do evento será marcado pelo discurso do Nobel da Paz de 2018, Denis Mukwege.

Já o terceiro e último dia das Conferências terá como chamariz a discussão sobre a pobreza global e o facto de esta ser o “maior crime contra a humanidade”. O debate vai juntar três prémios Nobel: Edmund Phelps, laureado com o prémio da Economia em 2006, Bernard Kouchner, cofundador dos Médicos sem Fronteiras e vencedor do Nobel da Paz em 1999, e Rigoberta Menchú Tum, laureada com o Nobel da Paz em 1992.

Está ainda agendado para o dia 28 um debate com a Nobel da Literatura de 2015, Svetlana Aleksievitch, sobre os 30 anos da queda do Muro de Berlim.

Intervalo de dois anos é para manter

Além dos escolhidos pelo Comité norueguês, Miguel Pinto Luz destaca ainda a presença dos arquitetos Siza Vieira e Souto de Moura, ambos premiados com o Pritzker, num painel sobre o “direito à felicidade”, que cumpre a meta de “ampliar um pouco mais as áreas representadas nas Conferências do Estoril e diversificar os pontos de vista”.

No mesmo sentido, a organização convidou o escritor José Eduardo Agualusa e a compositora brasileira Adriana Calcanhotto para debater os desafios da Lusofonia. No total, há cerca de 30 painéis agendados e quase uma centena de oradores convidados.

Na última edição, em 2017, passaram pelo Centro de Congressos do Estoril cerca de quatro mil pessoas. Para 2019 o autarca cascalense não traça uma meta mas fala em “constante superação”.

A contribuir para um possível aumento de participantes pode estar a nova localização do evento. Depois de cinco edições no Estoril, as Conferências passam a chamar ‘casa’ ao campus da Nova SBE.

“Essa será uma novidade incontornável”, afirma Pinto Luz. “É também um desafio, porque existia um know-how adquirido para a produção de um encontro que agora será readaptado a um espaço moderno e mais aberto”.

Ao mesmo tempo, o responsável encara a mudança como “natural, por aproximar as Conferências da comunidade académica, mas também dos setores empresarial e público.

“Só faz sentido discutir temas fundamentais para a sociedade se existir um espírito real de juntar, de agregar. Queremos com este projeto lançar as bases para discutir o futuro sem dogmas. E incutir esse espírito nos mais jovens é preparar o futuro. É essa a nossa missão”, sintetiza Miguel Pinto Luz.

O responsável considera que continua a fazer sentido organizar as Conferências apenas de dois em dois anos, porque só assim é possível “estudar, maturar e juntar oradores de todo o mundo com diferentes pensamentos ideológicos”.

“Não queremos apenas fazer uma grande Conferência, queremos marcar com cada Conferência. E esse é o propósito de ser de dois em dois anos”. As Conferências do Estoril arrancam no próximo dia 27 de maio e estendem-se até ao dia 29.

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