economia mundial

Cinco riscos para os mercados emergentes em 2019

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Europa, Ásia, África e Américas enfrentam desafios significativos que podem pôr em risco o crescimento. Eis os principais fatores de incerteza

Do dólar ao petróleo, passando pelos fenómenos populistas, há ameaças prementes ao desenvolvimento dos países emergentes. Se as mudanças económicas e geopolíticas que estão em curso tiverem um final feliz, essas economias até podem beneficiar, antecipam os analistas, contudo os riscos são demasiados e as possibilidades de muitas variantes correrem mal são fortes. O que significa que os emergentes podem vir a sofrer uma depressão mais prolongada e mais profunda do que se antecipava.

A Bloomberg aponta os cinco principais perigos que o mundo põe à frente desses países.

1. Ventos dos Estados Unidos

O primeiro deles vem da América do Norte, com a Fed e o dólar a lançarem sombras no horizonte. Depois das ameaças de Trump de que o líder da Reserva Federal Americana devia ser removido, as declarações do Conselheiro económico da Casa Branca, Kevin Hassett, e do Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, no sentido de que Jerome Powel continuaria à frente da Fed trouxeram alguma segurança aos investidores, chegando mesmo a garantir máximos em Wall Street no último dia de negociações de um ano desastroso para as bolsas.

Mas o futuro próximo do banco central americano e das suas políticas continuará a ser seguido de perto e a mais pequena oscilação pode ter efeitos dramáticos — não apenas nas bolsas mas também na cotação do dólar. A piorar as contas está o fim do programa de estímulos do BCE, depois de a instituição liderada por Mario Draghi ter injetado milhares de milhões de euros em mercados de maior rendimento como a Polónia e a Hungria, explica a Bloomberg, antecipando que o banco central pode vir a ser obrigado a levantar as taxas de juro mais cedo do que seria desejável.

Por outro lado, prevê a publicação, na Ásia, “economias muito dependentes de investimento estrangeiro, como a Indonésia, terão um desafio para manter estável o valor da moeda”.

2. Guerras comerciais

O presidente chinês, Xi Jinping, parece estar tão irredutível quanto Donald Trump. Ambos garantem que não recuarão e os últimos seis meses têm demonstrado isso mesmo, com novas tarifas cruzadas sobre as importações dos dois países e pressões sobre multinacionais para escolherem um lado. Um crescendo que tem deixado apavorados empresários de todo o mundo e com efeitos muito concretos no yuan e na bolsa — Shangai fechou o ano com o pior resultado desde 2008 — mas também nas previsões de crescimento dos países, que já foram revistas em baixa e efeitos de choque a propagarem-se pelas economias vizinhas (os fundos sul-coreanos e de Taiwan, por exemplo, estão a cair a pique), apesar das promessas de Trump e Xi se sentarem à mesa de negociações já neste início de ano.

3. Efeito populismo

Bolsa a renovar máximos e juros futuros a cair. Assim reagiu o mercado brasileiro no primeiro dia de negociações depois de Bolsonaro tomar posse e discursar como presidente do Brasil, renovado a confiança que já se antecipara aquando da sua eleição. O Ibovespa conseguiu mesmo máximos históricos, subindo ontem mais de 4% e renovando a valorização mais significativa daquele índice num só dia. As reformas que se antecipam para o país não são, porém, fáceis de fazer. Razão pela qual a Bloomberg antecipa que o líder de extrema-direita terá de enfrentar desafios tão duros quanto o presidente dos seus antípodas, Lopez Obrador, no México.

Se a recomposição do sistema de pensões e prestações sociais e a corrupção serão determinantes no Brasil de Bolsonaro, o cancelamento da obra do novo aeroporto (no valor de 3 mil milhões de dólares, segundo a Bloomberg) já deixou os investidores com os nervos em franja no México e os seus projetos de adjudicar uma fatia maior do orçamento aos programas sociais não ajudam.

4. Sanções russas e petróleo saudita

Há três meses que o Brent caiu e os preços têm-se mantido abaixo dos 55 dólares por barril — boas notícias para o consumidor europeu, nem tanto para as economias emergentes e muito menos para a própria Arábia Saudita, claro. O país, que já está a sofrer os efeitos do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em Istambul, precisava que os preços quase duplicassem para conseguir o equilíbrio orçamental. Pelo que o entusiasmo com os investimentos na Arábia Saudita (de que o país bem precisa) está a esfriar rapidamente.

Do lado de cá da fronteira europeia é a Rússia que preocupa, mesmo depois de os Estados Unidos terem anunciado estar prontos para levantar as sanções impostas a uma das maiores empresas do país (a Rusal, segunda maior do mundo na área do alumínio). Enquanto a investigação à interferência russa nas eleições que puseram Trump na Casa Branca não estiverem completas — e Putin inocentado –, a sombra de novos castigos e restrições, “nomeadamente na negociação respeitante a dívida soberana e bancos russos é uma realidade”, diz a Bloomberg.

5. Países a votos

Com eleições determinantes a acontecer ao longo deste ano, as incógnitas sobre o futuro da maioria das economias emergentes do mundo crescem. E a incerteza traz mais risco. Na Ásia, ele toma forma nas eleições tailandesas e indonésias, nas quais serão escolhidos os próximos líderes desses dois países, entre fevereiro e abril, mas sobretudo na Índia, cujo primeiro-ministro Narendra Modi arrisca ser afastado por uma nova coligação, com efeitos imprevisíveis no programa de reformas que pôs em marcha.

 

Na Argentina, os investidores temem que a recessão e a inflação a 50% levem à substituição (e outubro) de Mauricio Macri pela antecessora Cristina Kirchner. E em África há dois testes de fogo ainda antes de junho, segundo a Bloomberg: África do Sul (“uma derrota do presidente Cyril Ramaphosa porá em causa as reformas favoráveis aos mercados”) e Nigéria (a decisão será entre o atual presidente Buhari, “que tem empenhado esforços para levantar uma economia anémica, e o ex-vice Abubakar, preferido dos investidores mas sobre quem pairam há anos acusações de corrupção, que ele sempre negou).

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