Coronavírus

CIP. 53% das empresas trabalharam em pleno na primeira semana do desconfinamento

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, durante uma conferência de imprensa em 15 de abril de 2020.  JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, durante uma conferência de imprensa em 15 de abril de 2020. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Barómetro da CIP e ISCTE mostra uma subida ligeira na semana de reabertura do pequeno comércio, com reforço das regras de higiene e segurança.

A primeira semana de desconfinamento gradual das atividades económicas, marcada pela abertura do pequeno comércio e adoção de novos protocolos de segurança devido à pandemia, permitiu um aumento ligeiro na percentagem de empresas em atividade plena, de 48% para 53%, apontam dados do último barómetro promovido pela Confederação Empresarial Portuguesa (CIP) em conjunto com o ISCTE.

Os resultados, apresentados pela organização esta segunda-feira, indicam que a percentagem de empresas que mantinha a porta totalmente fechada passou de 15% para 10% na última semana, ao mesmo tempo que os negócios em atividade apenas parcial se mantiveram nos 37%.

Grande parte das empresas continua também a mostrar-se insatisfeita com as medidas tomadas pelo governo em resposta à crise. 81% entendem que ficam aquém ou muito aquém do que seria necessário. Ainda assim, o descontentamento desce face aos 84% da semana anterior.

“As medidas têm de ser rápidas, de fácil acesso e eficazes. Na nossa apreciação, na generalidade das empresas que nestes inquéritos nos vão dando disso conta, as medidas não têm sido rápidas o suficiente para se adaptarem às necessidades das empresas e têm encerrado uma complexidade, uma burocracia enorme para o seu acesso”, insistiu o presidente da CIP, António Saraiva. O dirigente vai amanhã reunir-se com o primeiro-ministro, António Costa, para apresentar propostas para um novo pacote de medidas de apoio.

O terceiro inquérito CIP-ISCTE olhou desta vez para os protocolos de segurança e higiene que as empresas tiveram de adotar em colaboração com a Direção Geral de Saúde para a reabertura ao público, ou que vinham já sendo exigidos pelas autoridades de saúde entre os negócios que não estiveram sujeitos a paragem. A maioria das empresas ouvidas no estudo considera-os adequados (39%) ou “razoavelmente adequados” (47%), segundo o barómetro.

Os dados apontam que o teletrabalho se mantém como uma das principais medidas de proteção na saúde, com 58% das empresas em condições de ter atividade remota dos trabalhadores, e a quase totalidade delas a permiti-lo (98%). O reforço da higienização das mãos de trabalhadores e visitantes é outras das medidas adotadas pela generalidade dos negócios, em percentagens superiores a 95%, com o uso de máscaras por trabalhadores com “sinais respiratórios suspeitos” a ser regra para 93%. Já a utilização de registos escritos de limpeza e desinfeção fica pelos 66%.

Grande parte dos negócios diz ter também instituído distâncias mínimas entre trabalhadores (96,4%), mas só em 49% dos casos houve alterações de layout no local de trabalho para facilitar o cumprimento das distâncias. Os dados apontam ainda que 7% passaram a adotar turnos alternados, e 6% levaram a cabo alterações na semana de trabalho para garantir esse desencontro entre trabalhadores.

De resto, o programa Adaptar, com fundos à reorganização dos espaços das microempresas e PME, estará a ter grande adesão, segundo António Saraiva. “Foi lançado na sexta-feira, e logo no primeiro dia recebeu cinco mil visitas, de que resultaram mais de 1300 candidaturas”.

O estudo do projeto Sinais Vitais, em colaboração com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE, teve como amostra 1179 empresas de entre 150 mil. A maior parte dos inquiridos, 47%, operam nos sectores da indústria e energia.

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