Dinâmica empresarial

CIP alerta para forte “estatização” do PT 2020

António Saraiva, presidente da CIP. Fotografia: Manuel de Almeida/Lusa
António Saraiva, presidente da CIP. Fotografia: Manuel de Almeida/Lusa

O congresso da CIP, que se realiza na próxima quarta-feira, será centrado na competitividade e internacionalização.

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal critica a forte “estatização das grandes linhas de apoio comunitárias” do Portugal 2020 e teme que, agora que o programa está em reformulação, o governo subsista no “desvio” de verbas a favor do setor público. “Dos 20 projetos aprovados com maior financiamento do PT 2020, 19 são do Estado”, conclui o estudo “Contributos para a reprogramação do Portugal 2020”, da responsabilidade deste organismo associativo. Estes projetos “utilizam o argumento de que são úteis para as empresas e para a economia”, mas “a realidade evidencia o pagamento de despesas gerais do próprio Estado”, diz ainda o estudo.

Neste contexto, Luís Miguel Ribeiro, vice-presidente do Conselho Geral da CIP, aponta “a excessiva concentração dos recursos financeiros de formação no financiamento dos sistemas de educação e das estruturas públicas de formação”, em detrimento, e desaproveitando, “da capacidade formativa e de produção de conhecimento empresarial” dos centros de formação e das associações empresariais.

O responsável alerta que a alocação das verbas comunitárias nas estruturas públicas não se ficou apenas pela formação. Luís Miguel Ribeiro critica a gestão pública das verbas para o apoio a micro e pequenos projetos de investimento de base local, que “devem competir ao setor privado”, nomeadamente às associações empresariais. Para a CIP, é altura do “Estado se concentrar nas suas funções de regulador” e “delegar ao tecido institucional associativo competências de gestão e execução de programas” cujos destinatários são as empresas.

Valorizar as empresas

A CIP organiza, quarta-feira, o seu congresso anual, desta vez subordinado ao tema “O valor das empresas”, valia essa que permitiu “que a crise que o país atravessou fosse suplantada pelo seu esforço no mercado interno e, sobretudo, no mercado internacional”, realça Luís Miguel Ribeiro. Com foco no reforço da competitividade das empresas, o evento colocará a debate a transformação digital e os efeitos no mercado de trabalho, a exigência de recursos humanos mais qualificados e o investimento público e privado.

Mas, para que o país se torne mais competitivo e alvo de um maior volume de investimento, é necessário eliminar custos de contexto como “a burocracia, o mau funcionamento da Justiça, o excesso de normas e regulamentos e uma política fiscal atrativa e estável a longo prazo”, defende Luís Miguel Ribeiro.

O congresso, em que são esperados mais de 600 empresários e 30 oradores, contará com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira.

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