Infraestruturas

CIP: É urgente que Governo “não repita os erros do passado”

(Maria João Gala / Global Imagens)
(Maria João Gala / Global Imagens)

A CIP diz que Portugal corre o risco de se tornar "uma ilha ferroviária". A solução poderá ser o Programa Nacional de Investimentos 2030.

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) lançou esta quinta-feira um alerta ao Governo português: esta é a ‘última oportunidade’ para ultrapassar as fragilidades da ferrovia nacional, através do Programa Nacional de Investimentos 2030, lançado no passado mês de junho. Para a CIP é urgente que o Governo “não repita os erros do passado” e “não ignore a opinião de grande parte dos agentes económicos exportadores nacionais” sobre as infraestruturas de transporte.

“A decisão que for tomada no âmbito do Programa Nacional de Investimentos 2030 irá condicionar a competitividade da economia portuguesa, o emprego e a criação de riqueza, possivelmente em três décadas, ou mais. Trata-se de um investimento estruturante para o país e para as gerações futuras”, alerta Luís Mira Amaral, Presidente do Conselho da Indústria da CIP. A acredita que na pior das hipóteses, o país pode tornar-se “numa ilha ferroviária”, com os enormes custos associados ao nível da competitividade das empresas e do emprego.

A CIP compara Portugal com a realidade espanhola, e diz que é urgente o Governo avançar para a construção de uma ferrovia de “bitola europeia”, para “maximizar as probabilidades de sucesso a novas candidaturas a Fundos da União Europeia”.

Segundo a CIP, o Governo apresenta “sinais de autismo” e dá o exemplo do recentemente anunciado investimento de 11 milhões de euros para a modernização da Linha da Beira Alta, entre Cerdeira e Guarda, com um valor de 11 milhões de euros. “[A modernização] não a vai tornar operacional do ponto de vista da competitividade exigida para o transporte de mercadorias, nomeadamente porque o troço é desadequado”, alega Luís Amaral sobre o troço da Beira Alta.

A CIP lembrou ainda o concurso aos fundos comunitários CEF (‘Connecting Europe Facility’), onde Portugal captou 150 milhões de euros dos estimados 1.250 milhões. A confederação chama-lhe “fiasco” e acredita que se deveu ao facto de “Portugal não ter desenvolvido projetos ferroviários de acordo com os critérios de elegibilidade da União Europeia, sendo um dos quais a introdução de condições de interoperabilidade”.

É urgente Portugal dar resposta às exigências europeias, acredita a Condeferação Empresarial. A Comunidade Europeia define que até 2050, a Europa deve transferir mais de 50% do tráfego de mercadorias em distâncias superiores a 300 quilómetros/hora, para transportes marítimo e ferroviário.

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