Construção

Clandestinidade preocupa sindicato da construção

Fotografia: Regis Duvignau / Reuters
Fotografia: Regis Duvignau / Reuters

“Há milhares de operários portugueses explorados no estrangeiro”, diz o sindicato, que apresenta provas

Apesar da recuperação da construção em Portugal, há muitos trabalhadores que continuam a cair nas malhas das redes de angariadores de mão-de-obra, que lhes prometem tudo mas acabam a cumprir muito pouco, garante o sindicato. O caso mais recente é o de um conjunto de operários a trabalhar na Bélgica, mas a ganhar o salário base português. Pior, os descontos são feitos sobre metade ou, às vezes até só sobre um terço, do valor total. “É o pão nosso de cada dia. O sector está muito complicado. Nunca houve tanta precariedade”, garante Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção.

O caso foi descoberto por mero acaso. Pedidos os recibos de um determinado sócio, destacado na Bélgica, o sindicato estranhou que, todos os meses, este tivesse 10 a 20 faltas injustificadas. Uma forma da empresa, do Marco de Canaveses, fugir ao Fisco e à Segurança Social. “Nenhuma companhia manteria um trabalhador que falta mais de metade do mês. Os dias que dá como faltas injustificadas são dias sobre os quais não faz descontos, prejudicando o Estado e a carreira contributiva do trabalhador. É uma fuga aos impostos à descarada e não percebo como é que a Segurança Social não estranha isto”, diz o sindicato. “Imagine isto multiplicado pelas 100 pessoas que tem na Bélgica, veja quanto não estão a meter ao bolso”, sublinha António Mesquita, do serviço de contencioso.
Além de manipular os recibos, a empresa em causa está a prejudicar, salarialmente, os operários: recebem o salário base português, de 600 euros, em vez do belga, de 1.500 euros.

O Dinheiro Vivo tentou contactar a empresa em causa, mas sem sucesso, já que não tem telefone associado, apenas um apartado postal. No mesmo local já funcionou uma outra empresa de construção, declarada insolvente em 2016.

Este é apenas um dos muitos exemplos que todos os dias chegam ao sindicato. “Por cada denúncia que fazemos, aparecem mais 10 casos. Não tenho qualquer dúvida que há milhares de trabalhadores portugueses a serem explorados no estrangeiro. E, infelizmente, são portugueses que os exploram. Muitos deles só denunciam as situações mais tarde, quando já conseguiram arranjar outro emprego, até porque têm vergonha. Há gente a receber metade do que prometido e há gente que até fome passa”, garante António Mesquita.

O Sindicato diz-se disponível para “atacar a precariedade e a clandestinidade”, em articulação com as autoridades nacionais e europeias e vai pedir uma reunião, com caráter de urgência, ao Governo.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Caixa Geral Depósitos CGD Juros depósitos

Créditos ruinosos da Caixa nas mãos do Ministério Público

A330-900 neo

A330 neo. Associação de pilotos quer ouvir especialistas na Holanda

Greve de motoristas de matérias perigosas parou o país, em abril. 
(MÁRIO CRUZ/LUSA

Nova greve dos camionistas dia 12. Pré-aviso já foi entregue

Outros conteúdos GMG
Clandestinidade preocupa sindicato da construção