Comissão Europeia

Clientes de 70% das exportações portuguesas travam outra vez

Mário Centeno e Pierre Moscovici. Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante
Mário Centeno e Pierre Moscovici. Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante

18 dos 27 países da União Europeia que compram a Portugal vão crescer menos este ano e a guerra comercial ainda agora começou.

O ambiente cada vez mais perigoso e incerto que se vive no mundo – uma escalada na guerra comercial com os Estados Unidos, a subida do petróleo e das taxas de juro — deve roubar pontos ao crescimento da esmagadora maioria das economias europeias, avisou ontem a Comissão Europeia.

Portugal, uma pequena economia que depende cada vez mais das exportações para crescer, está claramente exposto à nova panóplia de “riscos negativos significativos”, o termo ontem usado por Pierre Moscovici, o comissário europeu da Economia.

Pelas novas contas de Bruxelas (as projeções intercalares de verão, apresentadas ontem de manhã em Bruxelas), os crescimentos económicos previstos de 18 dos 27 países da União Europeia (para este ano) foram revistos em baixa face aos da primavera.

Para Portugal releva o facto de esses 18 mercados serem responsáveis pela compra de 70% das exportações de mercadorias nacionais, revelam cálculos do Dinheiro Vivo a partir dos dados cruzados da Comissão e do INE. Além disso, muitos dos países em abrandamento são fontes importantes de investimento.

Os três casos mais preocupantes são, numa primeira análise, Alemanha, França e Reino Unido. A economia alemã compra mais de 11% das exportações portuguesas e levou um corte de quatro décimas no crescimento de 2018, devendo ficar-se pelos 1,9%. O mercado francês vai crescer menos três décimas e avança 1,7%. O Reino Unido, que está em vias de sair da UE, deve crescer 1,3% (menos três décimas face a maio), sendo hoje responsável pela aquisição de 6,6% das vendas portuguesas.

As únicas economias da União em melhor forma agora do que na primavera são Finlândia e Polónia. O país escandinavo vai ter uma expansão de 2,8% (mais três décimas), mas absorve apenas 0,4% das vendas portuguesas. A Polónia teve uma promoção igual e compra 1,1% a Portugal.

Para já, a Comissão Europeia preferiu vincar sobretudo os riscos latentes, que ainda não se materializaram mas são ameaçadores, optando por não assumir cenários catastróficos, como o de uma escalada das retaliações entre países no comércio entre eles.

Portugal ligeiramente penalizado

Para já, a economia portuguesa é penalizada ligeiramente este ano face ao esperado na primavera.

Nas previsões intercalares, a CE reviu o crescimento de 2018 de 2,3% (em maio) para 2,2% por causa do tal ambiente externo. A criação de emprego também deve arrefecer um pouco.

“Prevê-se que as exportações e as importações continuem a expandir-se a um ritmo elevado, mas com um contributo global ligeiramente negativo para o crescimento devido ao ambiente externo menos favorável”, refere o novo diagnóstico sobre Portugal.

“O consumo privado continua a beneficiar da melhoria das condições do mercado de trabalho, mas prevê-se que desacelere ligeiramente no segundo semestre de 2018, uma vez que o ritmo de criação de emprego desacelera e, em menor grau, devido ao impacto da subida do preço do petróleo nos rendimentos disponíveis reais”, refere o mesmo estudo na parte que versa sobre o país.

As vítimas da guerra

Mas Moscovici prolongou-se sobre cenários bastante mais sombrios. Embora os fundamentais da economia europeia sejam “sólidos”, disse, no centro das ameaças surge agora o fator “tensões comerciais” na sequência da guerra da administração Trump conta vários produtos importados. A China é a principal visada pelas ações dos EUA, mas União Europeia, Canadá e México também já são diretamente afetados pelo fim de alguns regimes de isenção.

As “tensões comerciais estão no centro da nossa avaliação de riscos”, começou por dizer o comissário.

Para agora as novas projeções, a zona euro perde gás, passando de um crescimento de 2,3% para 2,1% em 2018, só têm em consideração “o que já está implementado”.

No entanto, avisou Moscovici, “várias medidas protecionistas estão a ser consideradas e provavelmente desencadeariam retaliações se implementadas”.

“No curto prazo, as disputas comerciais podem ter um impacto indireto considerável sobre o investimento global e nacional, por via dos efeitos na confiança e do aumento da incerteza”.

“A longo prazo, as economias europeia e global provavelmente também sofreriam com um novo enfraquecimento do multilateralismo”.

Portanto, “fica claro que a escalada dos conflitos comerciais afetaria negativamente o bem-estar de todos os países envolvidos”. “O protecionismo não é bom para ninguém – e as guerras comerciais são más para todos, não produzem vencedores, mas apenas vítimas e perdas para nossas economias, e isso significa também para os nossos cidadãos”.

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