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Com o aeroporto de Lisboa “no limite”, Groundforce exige à ANA que invista já

Operadores da Groundforce onde a operação da empresa de ‘handling’ Groundforce inclui números como cinco minutos e 400 toneladas, mas também o objetivo de chegar ao fim de 2019 com 3.600 colaboradores, aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, 22 de janeiro de 2018. Para que os aviões estejam no ar, a Groundforce faz toda a assistência em terra, excetuando o fornecimento de comida e de combustível, como resume o presidente executivo da empresa, Paulo Neto Leite, numa visita guiada aos ‘bastidores’ do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. MÁRIO CRUZ/LUSA
Operadores da Groundforce onde a operação da empresa de ‘handling’ Groundforce inclui números como cinco minutos e 400 toneladas, mas também o objetivo de chegar ao fim de 2019 com 3.600 colaboradores, aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, 22 de janeiro de 2018. Para que os aviões estejam no ar, a Groundforce faz toda a assistência em terra, excetuando o fornecimento de comida e de combustível, como resume o presidente executivo da empresa, Paulo Neto Leite, numa visita guiada aos ‘bastidores’ do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. MÁRIO CRUZ/LUSA

A Groundforce opera diariamente em Lisboa 55 mil passageiros, 400 toneladas de carga e 150 aviões.

O aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, está a operar no limite da capacidade da sua infraestrutura. O aviso foi deixado por Paulo Neto Leite, presidente executivo da Groundforce, e por isso a empresa de handling (assistência em terra) afirma ter zero margem para erros e imprevistos, que custam caro às contas. “O maior constrangimento que o aeroporto tem é ter-nos tirado essa margem de manobra para quando há atrasos nos voos e outras falhas, porque estamos a levar a infraestrutura ao limite. Estas são as condições em que trabalhamos”, afirmou o responsável. A atividade diária da Groundforce em Lisboa abrange 55 mil passageiros, 400 toneladas de carga e 150 aviões.

“Os constrangimentos e cancelamentos têm impacto nas contas da empresa. Nós estamos preparados para os movimentos que estão previstos. Se há voos cancelados temos de garantir alojamento às pessoas, e tudo isso vai somando prejuízos. Por isso dotámo-nos de mais equipamentos para podermos responder mais rapidamente e investimos em pessoas mais preparadas para operar novas tecnologias, permitindo que o processo seja o melhor possível num aeroporto que está em crescimento”, disse o CEO. “No ano passado investimos 6,6 milhões de euros, em equipamento [4,7 milhões] e em tecnologia [1,1 milhões]. Este ano vamos investir 2,85 milhões de euros para melhorar as condições de quem viaja e de quem trabalha. E há 10 mil pessoas a trabalhar no aeroporto de Lisboa”, sublinhou.

Na visão de Paulo Neto Leite, há investimentos que podem, e devem, ser feitos já na Portela pela ANA – Aeroportos de Portugal, como, por exemplo, no conforto das pessoas que trabalham no aeroporto, no pavimento das pistas e áreas circundantes onde a empresa opera, e que apresentam muitas fissuras e juntas que prejudicam os equipamentos da Groundforce. E dá um exemplo: um pushback (veículo que permite empurrar o avião até uma posição em que possa deslocar-se para a frente, já que as aeronaves não têm marcha-atrás) custa 300 mil euros, um ativo da empresa que dá prejuízo se ficar danificado ou inativo por voos atrasados ou cancelados. “Há muito investimento que a ANA poderá fazer ainda na Portela, antes mesmo de começar a pensar no Montijo, que só estará operacional em 2021/2022”, refere o responsável.

Os investimentos estão aprovados, falta pô-los em prática. Segundo o acordo assinado recentemente, do total de 1,15 mil milhões de euros suportados pela ANA, serão aplicados 650 milhões de euros na atual infraestrutura de Lisboa e 520 milhões de euros para abrir a base aérea do Montijo ao uso civil. Serão ainda investidos 156 milhões de euros na melhoria das acessibilidades entre os dois aeroportos e na compensação à Força Aérea Portuguesa.

“Estamos mais entusiasmados com o investimento na infraestrutura do aeroporto Humberto Delgado do que com o Montijo, porque é com ela que temos de viver todos os dias. Nós estamos em 2019, se movimentarmos 30 milhões de passageiros em Lisboa por ano, até o Montijo estar a operar, ainda vão passar 90 milhões de pessoas neste aeroporto, e nós temos de conseguir fazer o nosso trabalho nas melhores condições”, sublinha ainda o presidente da Groundforce, acrescentando: “Vemos de forma muito positiva o investimento no aeroporto da Portela. Têm sido feitas melhorias ao nível do terminal de bagagens, que cada vez chegam mais rápido aos tapetes, no espaço de seis a sete minutos, no máximo”.

Sobre o Montijo, Paulo Neto Leite diz que a Grounforce irá operar no futuro aeroporto, mas que “não existe ainda nada pensado”. Em 2018 a empresa venceu o concurso internacional de atribuição das licenças de atividade nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro para os próximos sete anos. “Ainda não temos estratégia para o Montijo, isso depende muito das companhias que lá vão operar. Ainda é cedo”.

E remata: “Nós planeamos os recursos com um ano de antecedência. Um ano antes do Montijo operar eu vou ter de saber que voos e slots estão previstos. Aí vamos poder dimensionar equipamentos e pessoas. Até lá estamos concentrados na Portela”.

Groundforce aposta na Portela e contrata mais 260 pessoas em 2019

O presidente executivo da Groundforce anunciou ontem que vai contratar mais cerca de 260 pessoas ao longo de 2019, um aumento de 6% face ao ano passado. Já em 2018 a empresa responsável por toda a operação de assistência em terra nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Porto Santo contratou 360 novos trabalhadores, o que equivaleu a um crescimento de 12%.

Para além das contratações já previstas para este ano, poderá haver depois “um reforço em função da evolução dos movimentos do verão”, disse o responsável durante uma visita guiada aos bastidores da operação da empresa no Aeroporto de Lisboa.

“Deveremos chegar ao fim do ano com 3600 pessoas a trabalhar para a Groundforce. No ano passado ingressaram nos quadros 360 pessoas, um crescimento de 12%, e este ano devemos crescer 6% no número de pessoas. É um esforço contínuo. Não só em Lisboa, mas também no Porto, que foi o aeroporto que mais cresceu percentualmente, porque tem cada vez mais voos internacionais”.

Em 2017 a empresa apresentou resultados de 8,7 milhões de euros, com uma quota de mercado de 60%. Isso permitiu pagar um prémio de distribuição de lucros aos trabalhadores no valor de 1,1 milhões de euros. Questionado pelo Dinheiro Vivo, o responsável referiu ainda que os resultados de 2018 ainda não estão finalizados, mas deverão ser apresentados em breve, no mês de março, e garante uma melhoria por comparação com o ano anterior, graças ao crescimento da atividade (5,3%), melhorias de processos e otimização de toda a cadeia operacional.

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