Energia

Combustíveis já estão ao preço mais alto desde 2014

Fotografia: DR
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Os conflitos políticos estão a impulsionar em alta o preço do barril do petróleo. A desvalorização do euro não está a ajudar

Os preços da gasolina e do gasóleo estão já aos níveis mais altos dos últimos quatro anos. O litro da gasolina custa hoje 1,564 euros e o gasóleo 1,348 euros. É preciso recuar à primeira metade de 2014, altura em que o país se debatia com uma grave crise económica, para se contabilizar valores tão elevados.

Na prática, encher um depósito de 50 litros de gasolina custa hoje 78,2 euros; mais 14 euros do que em fevereiro de 2016, quando os preços atingiram um mínimo de 1,285 euros o litro. As contas são ainda mais pesadas no gasóleo: um depósito fica em 67,40 euros, mais 17 euros do que há dois anos.

E a escalada dos combustíveis pode não ficar por aqui. É que o petróleo brent, a referência para as importações de Portugal, ultrapassou ontem 80 dólares o barril, pela primeira vez desde novembro de 2014. O peso do crude no preço final dos combustíveis é da ordem dos 25% a 30%. E a depreciação do euro face ao dólar também não ajuda.

E não vai ser só o bolso dos portugueses a ressentir-se destes aumentos, pela oitava semana consecutiva. As projeções da economia nacional, que apontam para um crescimento de 2,3% do PIB, podem levar uma machadada. O Orçamento de Estado para 2018 assenta em projeções de um preço médio do barril de 54,8 dólares e adianta que um aumento de 20% (para 65 dólares) prejudicaria o PIB em 0,1 pontos percentuais. Um número muito aquém dos atuais 80 dólares. Resultado: a economia já dá sinais de abrandamento, tendo crescido apenas 2,1% no primeiro trimestre, o ritmo mais baixo desde o terceiro trimestre de 2016.

As sanções dos Estados Unidos ao Irão, o quinto maior exportador mundial, e a queda na produção da Venezuela, a braços com uma crise sem precedentes, explicam grande parte da subida do petróleo nos mercados internacionais.

Esta semana, a Agência Internacional da Energia lembrou que, devido às sanções de 2012, as exportações de petróleo do Irão caíram para cerca de 1,2 milhões de barris por dia. Hoje, Teerão vende 2,4 milhões de barris. Para a agência, a Venezuela e o México poderiam preencher a quota do Irão, mas a crise no país liderado por Nicólas Maduro e a quebra de produção registada no México não auspiciam soluções para o mercado por estas vias. “Um aumento da produção por parte dos Estados Unidos suporia uma importante contribuição para compensar as quedas noutros pontos”, adiantou. Estas incertezas já levaram analistas internacionais a admitir que o preço do barril possa chegar aos 100 dólares.

A queda do euro complica ainda mais as contas. A Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) lembra que a variação da taxa de câmbio entre o euro e o dólar americano tem influência “muito significativa” nos preços, já que o petróleo e os produtos refinados são comprados em dólares. Numa nota de análise aos preços entre junho de 2008 e abril de 2018, a Apetro refere que o euro passou de 1,5542 dólares para 1,2286 dólares, uma desvalorização de 21% que, obviamente, se refletiu negativamente nos preços”. Vem aí mais subida nos preços dos combustíveis.

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