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Carlos Moedas defende desfragmentação da Europa para atrair investimento

Carlos Moedas,  comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação. Fotografia: Artur Machado/Global Imagens
Carlos Moedas, comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação. Fotografia: Artur Machado/Global Imagens

A Europa tem de "atrair capital privado e, para isso, tem de provar que não é um conjunto fragmentado de empresas e de Estados"

O comissário europeu para a Investigação, Inovação e Ciência, Carlos Moedas, defendeu esta sexta-feira que “uma das peças fundamentais que não está a funcionar na Europa é o investimento”, apelando à desfragmentação do continente para atrair investimento privado.

“Uma das peças fundamentais que não está a funcionar na Europa é o financiamento. Os Estados Unidos são muito menos dependentes da dívida bancária […] e a diferença é extraordinária em termos de ‘venture capital’ [capital de risco]”, declarou Carlos Moedas, que falava numa conferência sobre economia digital, em Lisboa.

Por essa razão, vincou que a Europa tem de “atrair capital privado e, para isso, tem de provar que não é um conjunto fragmentado de empresas e de Estados”.

“O maior desafio europeu é reduzir essa fragmentação entre as empresas e leis”, notou, numa alusão a fenómenos como a tentativa de independência da Catalunha e a saída do Reino Unido da União Europeia.

A seu ver, não existem “problemas puramente nacionais”, já que temáticas como o clima, a cibersegurança e a saúde “têm a ver com soluções que só podem vir de nível superior”.

Ainda assim, Carlos Moedas ressalvou que, a nível mundial, “a globalização não pode ser ingénua”, já que “o resto do mundo não joga com as mesmas regras”.

Fazendo um paralelismo com os Estados Unidos, referiu que os europeus “preocupam-se com o ambiente e com o futuro dos seus filhos”, enquanto aquele país pretende abdicar de acordos climáticos.

“O mundo digital tem duas características que vieram mudar a política: a velocidade e a escala”, fazendo com que os assuntos sejam mais abrangentes, referiu.

Falando numa terceira fase da era digital, defendeu que a Europa tem uma “oportunidade fundamental” de se afirmar, caso aposte em matérias como a ciência, necessária para áreas como a inteligência artificial, a cibersegurança e a transação de moedas virtuais.

Ainda assim, admitiu que, em termos de regulação, a Europa ainda está “nos primórdios”.

“Eu acho que, na regulação do mundo digital, ainda estamos sem saber o que aí vem. Daqui a 50 anos vamos olhar e pensar no que estávamos a fazer”, acrescentou o responsável.

Referindo-se a Portugal, assinalou que o país destaca-se dos restantes Estados europeus na área do empreendedorismo, e destacou casos de ‘startups’ (empresas com grande potencial de crescimento) como a Feedzai.

“Não conhecemos muitas assim na Europa”, observou.

Carlos Moedas afirmou ainda que Portugal tem de continuar no caminho da diminuição do défice”, mas mostrou-se otimista.

“Vejo [em Portugal] um país com um Governo estável e que tem conseguido sair de uma crise que ninguém acreditava ser possível e, enquanto isso, olho para a Grécia, que ainda continua em programa de assistência e penso que podemos ter otimismo”, adiantou, falando na conversa “O que está a determinar a evolução da economia digital”, promovida pela Confederação dos Serviços de Portugal e pelo jornal ‘online’ Eco.

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