Poupança

Como pôr o dinheiro a render em 2019

Fotografia: REUTERS/Bobby Yip/Files
Fotografia: REUTERS/Bobby Yip/Files

O ano passado não foi o ideal para fazer crescer as poupanças. As aplicações de baixo risco renderam praticamente nada e nas bolsas destruiu-se valor.

Para ganhar dinheiro foi preciso apostar noutro tipo de ativos, como o imobiliário. Foi o investimento estrela do ano passado e é nos imóveis que os especialistas continuam a colocar as fichas em 2019. Nas bolsas o mau tempo deve continuar nos próximos meses, mas há alguns portos de abrigo no meio da tempestade.

Imobiliário: o refúgio mais rentável
É a estrela do momento e vai continuar a brilhar em 2019. Investir as poupanças em imóveis é “sempre uma aposta segura”, o chamado refúgio, afirmam os especialistas, mas poucas terão sido as vezes em que foi tão rentável. “No geral, o setor continua a ter um bom potencial de valorização. Na perspetiva do pequeno aforrador, os ativos residenciais são sempre mais líquidos, porque têm uma procura potencial mais vasta, e neste momento a falta de oferta é enorme por isso o rendimento será interessante”, destaca Nelson Rêgo, CEO da consultora de avaliação imobiliária Prime Yield.

Se o volume de investimento for mais robusto, acrescenta o responsável, pode haver “oportunidades muito interessantes” e com mais retorno em segmentos alternativos como a saúde, o ensino e o turismo.

Ainda assim, há riscos a ter em conta. “O ritmo de subida dos preços, sobretudo no segmento residencial, vai tender a abrandar, pelo surgimento de nova oferta no mercado”, avisa a Prime Yield. Além disso, acrescenta, quem investe em casas para arrendar está muito dependente do turismo e dos programas de incentivo aos não-residentes, “pelo que se existirem alterações significativas nestas áreas, poderão provocar uma redução no interesse dos investidores”.

Menos preocupante parece ser o efeito BCE. Os especialistas da consultora Cushman & Wakefield acreditam que o “provável, mas moderado aumento das taxas de juro não terá efeitos significativos sobre o interesse dos investidores no imobiliário português”, porque os ativos ainda são demasiado atrativos, com rendimentos na ordem dos 3% ou 4%.

A grande expectativa do setor em 2019 resume-se, no entanto, a uma sigla: REIT. Ou seja, sociedades de investimento cotadas em bolsa, que captam poupanças e investem-nas em imóveis. O governo prometeu avanços ao nível da legislação necessária até ao final de 2018. Não cumpriu. O novo ano pode trazer novidades.

Porto - Casas recuperadas para alugar no morro da Sé

Depósitos rendem pouco mais de 0%
Este ainda não deverá ser o ano em que os juros oferecidos nos depósitos bancários terão subidas significativas. Os últimos dados do Banco de Portugal mostram que em outubro, em média, os depósitos rendiam 0,16%.

Esta taxa reflete os baixos valores das Euribor, que continuam em terreno negativo. E no mercado apenas se espera que voltem a passar os 0% em 2020, já que o abrandamento da economia do euro deverá levar o Banco Central Europeu (BCE) a adiar a subida das taxas. Além disso, os bancos têm os rácios de transformação (a relação entre o dinheiro que deram em crédito e o que receberam em depósitos) em níveis historicamente baixos, não tendo necessidade de acelerar na captação de depósitos.

Apesar desta ausência de retornos, os riscos que envolvem os mercados financeiros estão a levar as gestoras de ativos a aumentar o dinheiro guardado na segurança dos depósitos, refreando as apostas em ativos de maior risco. Uma alternativa para conseguir depósitos com juros mais elevados pode passar por aplicações em moeda estrangeira, como o dólar americano. Mas nesse caso fica-se exposto ao risco da nota verde desvalorizar.

Dívida do Estado promete mais de 1%
Os Certificados do Tesouro têm sido, nos últimos anos, um dos grandes destinos da poupança dos portugueses. Apesar de terem sofrido cortes de remuneração em 2017, continuam a prometer retornos mais elevados que a generalidade dos depósitos bancários. Quem detiver Certificados do Tesouro Poupança Crescimento terá juros crescentes que vão de 0,75% nos primeiros dois anos da aplicação até 2,25% no sétimo e último anos. A taxa média para quem os mantiver
durante sete anos é de 1,38%, que poderá subir caso o PIB cresça.

Já os Certificados de Aforro pagam, a quem os subscrever neste mês de janeiro, 0,689% ao ano. A esse valor acrescem prémios de permanência a partir do segundo ano da aplicação.

O Estado tem ainda lançado Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável, títulos de dívida direcionados para investidores de retalho. Em 2019, para já, está prevista a realização de pelo menos uma operação deste tipo. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) prevê emitir mil milhões de euros nestes títulos. Na última operação deste tipo, o Tesouro ofereceu um juro mínimo de 1,% a que poderá acrescer o valor da Euribor a seis meses quando esta sair de terreno negativo.

Além do investimento nestes produtos de poupança, pode-se ganhar exposição à dívida do Estado português ou de outros países, através do investimento em obrigações. Ir diretamente ao mercado comprar estes títulos não é acessível a pequenos aforradores, mas é possível investir através de fundos de investimento. Ainda assim, no caso da zona euro, os analistas estão desconfiados quanto a estes ativos, já que o BCE deixou de fazer compras líquidas de dívida pública e prepara-se para dar início ao processo de subida dos juros.

Os especialistas recomendam também cautela para as obrigações de empresas. A Pictet, gestora de ativos, avisa que “o aumento das taxas de juro e o abrandamento da economia tornam as perspetivas para as obrigações mais difíceis”.

REUTERS/Brendan McDermid/File Photo

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Mau tempo nas bolsas mundiais…
A segunda metade de 2018 foi para esquecer para a maior parte dos investidores em bolsa. E os riscos que levaram as ações mundiais ao pior ano desde 2008 continuam a ameaçar. A guerra comercial entre os EUA e a China já começa a fazer “vítimas”. E nem a gigante Apple escapa aos danos colaterais desse diferendo. As ações afundaram esta semana devido à menor expectativa de vendas na China.

Os investidores temem também que as economias americana e europeia voltem a dar sinais de fraqueza e estão receosos com o fim do apoio dos bancos centrais. Este cenário leva a maior parte dos especialistas a recomendar cautela no investimento em ações. Isto apesar das quedas dos últimos meses poderem ter proporcionado pontos de entrada mais atrativos.

..mas há portos de abrigo
No meio desta incerteza, a nota mais dominante dos especialistas é a aposta em empresas pouco endividadas, de grande dimensão e que tenham provas dadas a resistir a períodos de instabilidade no mercado.
“Vemos a qualidade, a volatilidade mínima e as empresas de elevada capitalização a oferecerem retornos atrativos face ao risco em 2019”, dizem os especialistas da BlackRock. A gestora americana sublinha ainda que os seus “marcadores de qualidade são fortes fluxos de caixa, crescimento e balanços”. E indica que “um setor em que estes indicadores prevalecem é o das farmacêuticas.

Além da segurança deste setor, há analistas a destacar áreas de forte crescimento e que podem gerar retornos aos investidores. A Bloomberg notou que um dos melhores investimentos de 2018 foram em empresas de energias limpas. Apesar de rentabilidades passadas não serem garantia de ganhos no futuro, analistas citados pela Bloomberg indicam que este setor pode gerar ganhos no longo prazo.

Tanto nas energias limpas como nas farmacêuticas pode investir-se diretamente em empresas desses setores, após um exaustivo trabalho de casa. Outra forma de tentar lucrar com essas tendências é através de fundos de investimento que apenas investem em cotadas desses setores ou em fundos negociados em bolsa (ETF), que replicam índices acionistas em que apenas entram farmacêuticas ou empresas de energias renováveis.

O ano passado ficou ainda marcado pela queda em desgraça das FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google). Depois de terem sido uma das grandes apostas dos investidores nos últimos anos corrigiram a bom corrigir. No setor da tecnologia, começam a surgir apostas diferentes. Os analistas do Morgan Stanley, por exemplo, dizem que 2019 vai ser o “ano da exploração espacial” e que empresas ligadas a esta área poderão sair beneficiadas.

Comida e finanças dão alimento às startups
Não colocar os ovos todos no mesmo cesto é talvez o mandamento mais célebre do mercado de capitais. E aquele que tem mais seguidores. Os dias cinzentos de 2018 levaram muitos investidores a puxar pela criatividade, e a apostar em soluções como o crowdfunding.

Que o diga Ciro Miranda, Solutions Architect da Seedrs, uma plataforma luso-britânica usada por várias startups nacionais para angariar financiamento. “Nos últimos anos temos assistido a um aumento das campanhas mas também de investidores. Sendo uma classe de ativos de longo prazo, a Seedrs está imune à turbulência dos mercados financeiros mundiais, o que torna os investimentos alternativos cada vez mais atrativos”, nota o responsável.

Para 2019 é de esperar mais crescimento e mais diversidade, com as startups preferidas dos investidores a serem distribuídas por “cestos” muito diferentes. “Podemos esperar uma diversificação nas áreas mais procuradas pelos investidores no próximo ano, como alimentos e bebidas, finanças ou tecnologia, com o objetivo de criarem uma carteira variada”, prevê Ciro Miranda.

7. Ouro
Petróleo e ouro (talvez) a subir, mas pouco
Depois da montanha-russa que foi 2018 no mercado do petróleo, do novo ano espera-se pelo menos um carrossel. Os preços do ouro negro atingiram o valor mais alto em quatro anos em outubro, e escorregaram 30 dólares nos meses seguintes. 2019 arrancou com a matéria-prima abaixo dos 50 dólares por barril.

Os 32 analistas ouvidos pela Reuters antecipam que no ano que agora arrancou, a cotação média do petróleo se mantenha abaixo, mas perto, dos 70 dólares. O excesso de produção e o crescimento mais lento da economia deverão frustrar os esforços que a OPEP tem feito para equilibrar a oferta com a procura.

Quem prefere o ouro como investimento de refúgio viu logo no início do ano o pote no fim do arco-íris. O metal amarelo atingiu esta semana a cotação mais alta em seis meses, resultado do tombo das ações da Apple. Para 2019, é expectável que o preço do ouro continue a subir moderadamente, atingindo uma média de 1300 dólares por onça. Esta semana negociou na casa dos 1280 dólares.

Com Ana Laranjeiro

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