Como será o verão em piscinas e ginásios? Ultra limitado, dizem especialistas

Balneários são para evitar e ginásios só terão 30% dos clientes de volta no verão. Nas piscinas, quanto menos pessoas (e por horários), melhor.

Pode a água da piscina infetar alguém com covid-19? Podem os hotéis, parques de diversões, piscinas municipais estar abertos no verão em segurança? E os ginásios? A resposta resume-se ao seguinte: espere vida limitada (ao que estava acostumado) e regras apertadas, isto para quem se ‘aventurar’ pelo mundo das piscinas e ginásios públicos.

Primeiro, os cientistas. O SARS-CoV-2 é um vírus respiratório, como tal transmite-se por pequenas gotículas (tão pequenas que não se veem e podem-se manter em suspensão ou em superfícies rígidas por horas). “A cloronização da água é suficiente para eliminar o vírus”, diz-nos Gustavo Tato Borges, vice-presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública e corrobora Francisco Antunes, médico e investigador em doenças infecciosas. O mesmo diz a Organização Mundial de Saúde, inclusive sobre a água que bebemos da torneira. E piscinas privadas que usam sal? Gustavo diz-nos que “o sal não chega para fazer a desinfeção correta da água”, mas não há nenhuma informação de que o vírus resista “até porque os vírus não sobrevivem em grandes quantidades de água”.

O maior problema de piscinas públicas e ginásios está relacionado com os próprios espaços, que aumentam a proximidade física, daí que “balneários ou ginásios serão sempre espaços com dose de risco por ser difícil manter distância e evitar que se toque com frequência em puxadores, maçanetas, interruptores de luz e manetes de chuveiro”, diz Tato Borges. Francisco Antunes admite marcações prévias de acesso a ginásios e diz mesmo que “condições de exercício físico, em que os movimentos respiratórios são mais frequentes e profundos, pode até equivaler a maior risco de transmissão”.

Piscinas de turismo rural, por exemplo, com turnos/horas por quarto de utilização da piscina, “podem ser locais com maior facilidade de lidar com os tempos atuais, isto apesar da piscina ter a desvantagem de não dar para usar máscara”, admite Tato Borges: “ninguém pode ficar à vontade porque não há uma medida 100% eficaz para os nossos contactos serem seguros” e, no caso das crianças, vai depender de cada educador de perceber se os filhos conseguem ou não cumprir as regras”. Essas, as oficiais, a DGS ainda irá divulgar nas próximas semanas.

“Balneários é de evitar por completo”, “devem ir equipados”, o mesmo com piscinas com muita gente, como as de parques aquáticos “onde as filas próximas serão impossíveis”, na opinião dos dois especialistas. Francisco Antunes lembra: “estes espaços têm que ser bem arejados, já que a transmissão se processa, também, por aerossóis, que persistem no ar do ambiente durante algum tempo”.

O especialista recomenda “vigilância apertada à entrada sobre o estado de saúde dos utentes” e “separação física (pode incluir divisórias)”. Pedro Simas, virologista investigador do Instituto de Medicina Molecular, lembra que mesmo as máscaras não são totalmente eficazes e “têm mais utilidade para evitar infetar outros do que se ser infetado.”

Mário Macedo, enfermeiro e mestre em saúde pública sugere que “a reabertura seja gradual, por tipo de setor de atividade, com análise de risco geográfico”. Deve, assim, reduzir-se o tempo de exposição e a lotação máxima deste tipo de estabelecimentos, ou seja, ter menos pessoas durante menos tempo. “Balneários é aconselhável evitar, diz, por serem “espaços onde há bastante produção de aerossóis e vapor, logo de risco acrescido”.

Já espaços de estética e beleza, como cabeleireiros, por serem locais onde “o tempo de exposição é prolongado conjugado com proximidade, também devem adoptar medidas de forma a minimizar o risco, como atender por marcação, deixar pelo menos 15 minutos entre cada marcação de forma a permitir a limpeza e desinfeção do espaço”.

Além disso, convém não esquecer “que estas medidas serão ineficazes caso não sejam acompanhadas pelas medidas base, lavagem das mãos e etiqueta respiratória”.

O que dizem os espaços?

Os ginásios esperam um verão com menos de 70% de receitas só 30% dos clientes e acreditam que junho será a altura de voltar à atividade. Isso mesmo diz-nos José Carlos Reis, presidente da AGAP (Associação de Ginásios e Academias de Portugal, com 1100 dos 1300 ginásios do país inscritos) que já entregou uma lista de regras possíveis para a reabertura (ainda sem resposta da DGS).

Delas fazem parte 1 pessoa por cada 4m2, marcação das idas ao ginásio, metade dos equipamentos inutilizados ou removidos, 1 hora de uso por cliente, proibidos exercícios dois a dois e os balneários a 50% da utilização e acesso vedado aos chuveiros (nas primeiras semanas), além de limpeza frequente de equipamentos e muito gel desinfetante disponível. Máscaras ainda não fazem parte do plano. Há esperança na resiliência do setor, embora “o próximo ano será difícil”, pelo menos, “até haver confiança total (vacina)”. Já sobre medidas para ajudar o setor: “IVA a 6% por um ano e benefícios fiscais em sede de IRS para clientes de clubes”.

Juan del Rio, CEO do VivaGym Group (Fitness Hut e VivaGym), diz-nos que espera abrir em junho e terá de haver uma reorganização dos ginásios para a reabertura que inclua distanciamento social e higiene e acredita que, após algumas semanas de atividade com os balneários fechados (é o que se vai passar em Espanha), eles possam ser abertos cumprindo normas de segurança e higiene.

O Zmar, resort turístico ecológico no Alentejo, onde a piscina enorme é um dos exlibris, espera abrir o mais rapidamente possível com novas regras. “Ter 81 hectares em plena natureza e distancia entre alojamentos ajuda”, diz-nos a empresa que prepara a reabertura com take away e entrega em casa das refeições para evitar o restaurante. O Zmar admite que as áreas públicas podem ser um problema e por isso, dependendo das indicações do governo, pode fechar balneários e distanciar cadeiras na zona piscina para uso controlado e limitado (a piscina interior pode fechar ou ter regras apertadas de uso).

O The Magnolia Hotel, no Algarve, admite ter vantagem de ser um boutique hotel, “sem um número elevado de hóspedes ao mesmo tempo” e “com acesso direto à maioria dos quartos” (vão ter vários quartos vazios de intervalo) e estima que em meados de maio ou junho reabra o espaço aéreo e os clientes comecem a chegar. Além de estar a preparar medir temperatura aos clientes e ter muitos desinfetantes e de preparar o check in totalmente online, “a área de piscina, ginásio e spa permanecerão, para já, interditas – o exercício outdoors será altamente recomendado”, explica Mark McSorley, diretor-geral, que pondera oferecer máscaras a todos os clientes.

Prevê-se um verão diferente.

 

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