Compensa ter cartões de crédito que devolvem dinheiro?

Os cartões de crédito com a modalidade cashback podem valer a pena mas apenas para quem gasta muito. E atenção aos custos associados, como a anuidade e taxa de juro.

Os cartões de crédito que devolvem uma percentagem do dinheiro gasto em compras podem compensar mas apenas para quem gasta mais e dependendo dos custos associados ao cartão.

A plataforma ComparaJá.pt fez uma análise deste tipo de cartões para o Dinheiro Vivo para apurar se vale mesmo a pena ter cartões com a modalidade cashback.

"Contrariamente ao que acontece com o sistema de pontos, de descontos ou com os programas de milhas aéreas, o cashback acaba por ser uma alternativa mais versátil e abrangente, uma vez que pode ser gasto livremente em diversos produtos ou estabelecimentos comerciais, como qualquer consumidor faria normalmente com o saldo da sua conta à ordem", explica a análise.

Segundo o ComparaJá.pt, salvo algumas exceções, geralmente o montante de cashback acumulado ao final de um ano calcula-se através da seguinte fórmula: (Montante total de gastos por mês) x (12 meses) x taxa de cashback = Reembolso na conta.

A análise dá como exemplo, "o caso prático da Joana, uma jovem de 28 anos adepta das novas tecnologias e para quem poupar ao máximo nas suas compras é essencial". "Aderiu recentemente a um cartão de crédito com 3% de cashback, o que significa que, no mês a seguir à compra do último modelo inovador de smartphone do mercado, ela recebeu 3% do montante que gastou na sua conta", exemplifica. "Assumindo que o telemóvel custou 500 euros, então o valor de retorno do cashback foi de 15 euros, o que já lhe deu para comprar uma capa protetora para o seu equipamento", conclui.

Como escolher o melhor cartão?

"Para além da percentagem destinada ao cashback, na escolha da melhor solução é fundamental ter em conta também a anuidade e a taxa de juro - que será a TAEG - enquanto fatores de comparação. Pese embora a importância da percentagem de cashback, existe sempre a necessidade de contrapor benefícios e custos na procura da melhor solução", explica José Figueiredo, diretor-geral do ComparaJá.pt.

Cita como vantagens, por exemplo, "os seguros que alguns cartões incluem - assistência em viagem, assistência médica, proteção contra fraudes, entre outras coberturas -, ao passo que os custos também devem entrar na equação - nomeadamente o valor da anuidade, eventuais comissões, etc. -, porque pode não compensar ter um cartão com uma grande percentagem de cashback se os encargos que se tem com o mesmo forem muito elevados", avança o responsável do portal de comparação".

"É importante ainda ter atenção aos limites de cashback que são impostos pelos cartões, uma vez que existem alguns que apenas oferecem o reembolso em compras superiores a determinado montante. Portanto, é mais aconselhável utilizar este tipo de cartão nas compras mais caras de forma a maximizar o montante devolvido no mês seguinte. Analisar bem as condições do serviço que se está a contratar é fulcral para fazer a escolha mais vantajosa possível", sublinha José Figueiredo.

Lembra que alguns cartões obrigam a que o consumidor já seja cliente do banco. "Neste sentido, também se cria uma oportunidade para se avaliar se se está na instituição financeira que oferece mais vantagens para um determinado estilo de vida em específico", diz a análise.

Segundo o ComparaJá.pt, "se for para usufruir de mais do que uma conta à ordem para transações simples , vale a pena pesquisar alternativas e avaliar também os benefícios dos cartões de crédito. Avaliar todos os serviços em conjunto pode fazer muita diferença na carteira do consumidor."

José Figueiredo sublinha que "as opções de cashback associadas aos cartões são uma forma de as instituições financeiras premiarem os seus clientes por utilizarem os seus serviços, o que naturalmente os incentiva a gerirem melhor os seus gastos, uma vez que se pode recuperar parte da despesa. Quando utilizado de uma forma racional, com todas as prestações em dia, trata-se, sem dúvida, de uma melhor opção relativamente a um cartão que não possua este benefício, visto permitir poupar ao mesmo tempo que se usufrui do mesmo".

"Compensa particularmente para compras elevadas porque o montante que se recebe de volta acaba por compensar eventuais encargos com anuidades. Portanto, para o consumidor, é uma questão de fazer as contas, comparando e escolhendo a solução que melhor se adapta ao seu perfil", conclui.

Qual a oferta disponível no mercado?

A plataforma ComparaJá.pt comparou as características básicas de onze cartões de crédito com cashback de diferentes instituições adequados a diferentes perfis de consumo e concluiu que no mercado português os cartões de crédito com esta vantagem oferecem atualmente taxas de devolução de dinheiro entre 0,33% e 3%.

Em termos da percentagem de cashback atribuída, o valor máximo que se pode encontrar no mercado é de 3%, pertencendo aos cartões Cetelem Black Plus, Bankintercard Gold e Classic do Crédito Agrícola, enquanto que o mínimo é de 0,33%, como oferece o cartão Best Gold Plus Visa do Banco Best.

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