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Comporta. Proposta de Paula Amorim e milionário francês é a única vinculativa

Herdade da Comporta

Os três grupos interessados deverão conhecer o desfecho do processo na próxima sexta-feira. Todos exigem “total transparência” na decisão

Sexta-feira é o dia D para a Herdade da Comporta. A assembleia-geral do fundo imobiliário gerido pela Gesfimo deverá decidir qual das três propostas que se apresentaram a jogo irá ficar detentora do ativo que pertencia ao antigo Grupo Espírito Santo e onde a família passava férias no verão. Apesar de todo o ruído que nas últimas semanas se levantou à volta deste processo, a oferta da empresária Paula Amorim e do milionário francês Claude Berda parece estar em clara vantagem face às duas outras propostas concorrentes, o consórcio da Oakvest/Portugália e o magnata francês Louis-Albert de Broglie. É a única que é biding offer, ou seja, oferta vinculativa.

“É a que está mais bem colocada, que confirma a biding offer, está um passo à frente das outras”, diz ao Dinheiro Vivo fonte conhecedora do processo. Dia 27 estarão em cima da mesa ofertas de Paula Amorim e Claude Berda, do consórcio da Oakvest e Portugália e também a do magnata francês Louis-Albert de Broglie. “Total transparência” é o que pedem os interessados. E é este ponto que tem feito correr muita tinta e colocado em causa a gestão do processo por parte da Gesfimo. “Tem sido no mínimo estranha”, diz.

Para não irmos muito longe, já que esta é a segunda vez que o ativo é colocado à venda, o processo começa a levantar celeuma quando a Gesfimo decide selecionar unicamente a proposta do consórcio Oakvest (do inglês Mark Holyoake) e Portugália para ser apresentada em assembleia-geral. Para a Gestimo, a oferta de Holyoake reunia as melhores condições de preço e, por isso, iria sozinha à assembleia. Esta decisão foi entretanto revertida por solicitação do Novo Banco, que tem uma participação da ordem dos 15% no fundo. Inicia-se a contestação ao processo, até porque a questão “preço” também não se apresenta clara, a que se soma as garantias de financiamento.

Quem deverá querer um desfecho feliz e rápido para os milhares de hectares entre Alcácer do Sal e Grândola que compõem a Herdade da Comporta é a Caixa Geral de Depósitos. A entidade presidida por Paulo Macedo contabiliza uma dívida superior a 120 milhões de euros e por cada mês que passa acrescenta 850 mil euros de juros.

Dados lançados
José Cardoso Botelho, gestor da Vanguard Properties (detida por Claude Berda), sublinha que a proposta apresentada por Paula Amorim e Claude Berda é “única vinculativa, com financiamento assegurado”, “as outras são intenções”. O responsável adianta que a Gesfimo chegou a solicitar aos concorrentes que confirmassem se as propostas eram vinculativas e que o consórcio de Mark Holyoake voltou a afirmar que era não vinculativa. Neste ponto, Cardoso Botelho defende que, nessa altura, Holyoake deveria ter sido afastado, justificando que “é o que se chama na indústria profissional de gestão de ativos de terceiros manter o playing level field” isto é, as mesmas regras para todos.

O descontentamento na gestão do processo não se fica por aqui. O argumento do melhor preço é rebatido por Cardoso Botelho, que frisa que os valores oferecidos nas propostas Amorim/Berda e Oakvest/Portugália não incluem os mesmos ativos. Segundo diz, a aliança entre Paula Amorim e Claude Berda ofereceu um total de 156,489 milhões de euros e o outro consórcio 155,885 milhões. O responsável sublinha ainda que a oferta de Paula Amorim/Berda não integra os créditos detidos pelo fundo na DCR&HDC, porque “tal exclusão lhe foi expressamente solicitada” pela Gesfimo, o mesmo sucedendo com os Lotes Casas da Encosta. No entanto, a proposta de Oakvest/Portugália integra esses créditos, sendo que a Gesfimo solicitou ainda a este consórcio que comprasse os Lotes Casas da Encosta, revela.

Para complicar ainda mais este dossier, a Gesfimo aceita a oferta Oakvest/Portugália sem garantias de obtenção de financiamento que cobra toda a oferta. Segundo Cardoso Botelho, os subscritores da proposta de Mark Holyoake garantiram que tinham financiamento através de capitais próprios de pelo menos 45 milhões de euros, mas nada asseguraram relativamente aos remanescentes 110 milhões.

O fundo imobiliário fechado da Herdade da Comporta foi obrigado a avançar com a venda da propriedade alentejana por estar numa “difícil situação financeira”. A Gesfimo reconhece mesmo que se não for realizada a venda dos ativos imobiliários, o fundo “poderá de ter de enfrentar uma situação de insolvência, por indisponibilidade de meios financeiros para cumprir com os seus compromissos”.

O Dinheiro Vivo procurou contactar com as várias entidades envolvidas e seus representantes, incluindo os curadores do fundo no Luxemburgo, sem sucesso até ao fecho desta edição.

Um inglês controverso
O inglês Mark Holyoake é proprietário da promotora imobiliária Oakvest que, em 2015 e 2016, apresenta um balanço de uma libra estrelina, segundo os resultados de uma pesquisa da Krooll, empresa especializada em investigação, prevenção de riscos e avaliação de ativos, a pedido de Paula Amorim e Claude Berda. Estes dois empresários tinham sérias dúvidas sobre a idoneidade do investidor inglês.

Na corrida. Um inglês, dois franceses e dois portugueses
A Herdade da Comporta é um dos ativos para fins turísticos mais cobiçados do país, por isso, o interesse de investidores estrangeiros não surpreendeu ninguém. Paulo Amorim aliou-se ao francês Claude Berda, o inglês Mark Holyoake juntou-se à família Carvalho Martins, proprietária da rede de restaurantes Portugália, e o francês Louis-Albert de Broglie, filho de um antigo ministro de Charles de Gaulle, apresentou-se sozinho. Mark Holyoake, que tem já negócios na área imobiliária e terá o apoio da Sabina Estates, apresentou uma oferta de 155,8 milhões de euros e está a disputar, taco a taco, a propriedade com a empresária Paula Amorim e o também investidor imobiliário Claude Berda (em Portugal, está representado pela Vanguard Properties). Já para o francês Louis-Albert de Broglie restam poucas hipóteses de tomar em mãos a herdade histórica da família Espírito Santo. A sua proposta é a mais baixa, totalizando 115 milhões de euros.

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