Consumo

Comprar uma Bimby e receber um garrafão e outras burlas a evitar

Ilustração: Vítor Higgs
Ilustração: Vítor Higgs

Em 2019 mais de 3400 casos de burla chegaram ao Portal da Queixa.Problemas dos consumidores parecem não ter fim - nem a imaginação dos burlões.

Maria viu num site de vendas em segunda-mão uma oferta demasiada boa para perder: uma bimby por 450 euros. Rapidamente, transferiu os 20 euros iniciais que lhe pediram e, quando fizeram a entrega lá em casa, via correio expresso, assinou e pagou os restantes 430 euros. Sem pagar não podia abrir a encomenda. Mas quando abriu a caixa encontrou apenas papéis e um garrafão de água. O caso é de 2013, mas de lá a esta parte os relatos de burlas não param de chegar ao Portal da Queixa. Só no ano passado foram 3450 reclamações relacionadas com burlas, mais 13% do que em 2018, ano em que pouco ultrapassavam 3 mil.

E, a avaliar pelos números do início de ano, as ocorrências não dão sinais de abrandar. “Em janeiro de 2020, já recebemos 330 reclamações sobre este tema, um aumento de 19%, comparativamente às 277 registadas em janeiro do ano passado”, adianta Pedro Lourenço, CEO do Portal da Queixa.

Ilustração: Vítor Higgs/Animação: Nuno Santos

Ilustração: Vítor Higgs/Animação: Nuno Santos

Há de tudo um pouco. Desde compras em plataformas em que se faz negócio entre particulares – e cujo envio por correio obriga ao pagamento antes da abertura da encomenda -, a falsos inquéritos de satisfação com a promessa de prémios ou vouchers que no fim de contas são subscrições de SMS de valor acrescentado, passando por burlas porta-a-porta ou por telefone, para a contratação de serviços de eletricidade, televisão ou internet…

“Todos os dias recebemos em média dez casos relacionados com burlas ou esquemas de fraude que lesam os consumidores”, confirma Pedro Lourenço. “O setor mais fustigado com este tipo de reclamações continua a ser o das telecomunicações, onde as fraudes com SMS e burlas com vendas agressivas de contratos de TV e internet são as mais recorrentes, com 593 reclamações em 2019”, descreve o CEO do Portal da Queixa.

Por isso, fica o aviso: se for abordado para dar opinião sobre uma marca ou empresa com a promessa de que lhe vão enviar um prémio ou voucher é melhor desconfiar. O mais provável é estar a subscrever um serviço de SMS de valor acrescentado e só vai dar quanto receber a fatura de telecomunicações no final do mês. “Episódios de fraude” no Wap Billing levou mesmo a NOS a deixar de permitir, desde janeiro, aos clientes a subscrição deste tipo de serviço.

Ilustração: Vítor Higgs

Ilustração: Vítor Higgs

A que deve estar atento?
As compras online são outro foco de burla. No ano passado 348 consumidores fizeram chegar a sua história ao Portal da Queixa. No final de janeiro chegou um caso inusitado. Um consumidor que comprou uma câmara de filmar de 43 euros e recebeu uma lupa de 5 euros.

“A principal forma de o consumidor se proteger contra um esquema de fraude ou burla é efetuar pesquisas antes de comprar”, alerta Pedro Lourenço. “Existirá sempre informação, tanto de outros consumidores, que pela partilha das suas experiências alertam para estes esquemas, quanto junto das marcas ou de organismos de proteção aos consumidores”, aconselha.

Burlas que aproveitam o desconhecimento dos consumidores dos sistemas de pagamento bancário também são um fenómeno: houve 337 casos em 2019. António foi vítima de um desses esquemas em dezembro. Tinha um produto à venda num site de negócios entre particulares e alguém interessado e disponível para pagar de imediato através de MB Way. Tinha apenas de ir ao multibanco e usar a referência dada pelo interessado para este proceder à transferência. Resultado? Passado dez minutos, era a sua conta que estava mais leve: tinham-lhe tirado por transferência 1800 euros da conta e feito levantamentos de 150 e 100 euros. Espera agora recuperar o dinheiro.

“Sendo as burlas na sua grande maioria feitas por particulares, será muito difícil o ressarcimento dos valores perdidos, mesmo após um processo criminal por denúncia junto das autoridades”, refere o CEO do Portal da Queixa. “É fundamental que a compra seja efetuada a uma entidade coletiva, onde seja possível identificar a sua morada e representantes legais, para possibilitar a recuperação de valores, mesmo que por via legal, com efeito de penhora.”

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