Banco de Portugal

Compras do BCE continuam a baixar custo da dívida dos países do euro

Sede do Banco Central Europeu
REUTERS/Alex Grimm (GERMANY)
Sede do Banco Central Europeu REUTERS/Alex Grimm (GERMANY)

Custos mais reduzidos da dívida soberana devem manter-se nos próximos anos, segundo o Banco de Portugal. Juros estão em mínimos históricos.

As compras líquidas de dívida do BCE terminaram de 2018, mas a instituição liderada por Mario Draghi continua a domar a curva de rendimentos das dívidas soberanas da Zona Euro. Segundo o Banco de Portugal, o efeito da manutenção de um stock próximo de 2,1 biliões de euros em dívida soberana dos países da moeda única garante este ano uma redução de custos de 1,3 pontos percentuais ao grupo, estima o Banco de Portugal.

Segundo o banco central nacional, a magnitude dos efeitos sobre o prémio de risco nas obrigações a dez anos da área do euro perdura em grande medida. O impacto estimado para 2019 surge em níveis apenas ligeiramente inferiores aos do ano passado, ano em que o efeito do chamado quantitative easing terá sido de 1,4 p.p. nos cálculos da instituição.

A estimativa consta do último boletim económico do banco central nacional, esta quarta-feira, em mais um contributo para avaliar o impacto do programa de aquisição de obrigações de dívida soberana iniciado pelo Banco Central Europeu em março de 2015 e cujas compras líquidas terminaram no final do ano passado. O Banco de Portugal avalia o impacto para dez países do euro, incluindo Portugal, sem os isolar. O objetivo é aferir os efeitos do programa, livres de outras variáveis.

Desde o início do ano, apesar de não aumentar as compras, o BCE mantém na carteira o volume de obrigações adquiridas, conservando uma política de reinvestimento em função dos rendimentos obtidos e do expirar dos prazos das dívidas.

A redução de 1,3 pontos percentuais em 2019 é estimada para um momento em que que as emissões de dívida pública portuguesa enfrentam custos mínimos. O rendimento das obrigações do Tesouro a dez anos teve em maio uma taxa média de 1,03%.

O Banco de Portugal avisa que esta é uma tendência para continuar, uma vez que o BCE indicou que pretende manter o atual nível de carteira de títulos de dívida soberana por um período prolongado, e mesmo após uma eventual subida de juros.

“Deste modo, é fundada a expectativa de que continuará a ser exercida uma pressão descendente e persistente sobre as curvas de rendimento soberanas na área do euro, incluindo em Portugal nos próximos anos”, diz o Banco de Portugal.

Na sua última reunião, este mês, o Conselho de Governadores do Banco Central Europeu adiou para meados de 2020 qualquer mexida nas taxas de juro da instituição. Mario Draghi, o presidente, indicou que chegou a ser discutida uma possível descida na taxa dos depósitos frente a uma conjuntura mais desafiante, sobretudo, devido aos efeitos das tensões comerciais entre Estados Unidos e China. O BCE, garantiu, mantém todos os instrumentos disponíveis para um cenário de recessão, inclusivamente a retoma do programa de compra de dívida.

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