Brexit

Que condições Lisboa tem para o trono da nova capital financeira?

Fotografia: Carlos Manuel Martins/Global Imagens
Fotografia: Carlos Manuel Martins/Global Imagens

Paris, Frankfurt, Amesterdão, Dublin e Luxemburgo são as cidades candidatas a novo centro financeiro da Europa

Paris, Frankfurt, Amesterdão, Dublin ou Luxemburgo foram as cidades apontadas pela Bloomberg e pelo Wall Street Journal como principais candidatas para substituir Londres no trono da nova capital financeira, depois do resultado a favor da saída do Reino Unido da União Europeia. E como se posiciona a capital nacional no meio desta guerra?

“Portugal tem pouca expressão no grupo de potenciais soluções para a eventual saída de algumas empresas sediadas em Londres”, refere a delegação portuguesa da Worx. Esta consultora considera que “há ainda um longo caminho a percorrer, nomeadamente em termos fiscais”, na comparação com capitais como Paris e Frankfurt.

A Worx acrescenta que cidades como Paris e Frankfurt “possuem outras infra estruturas que as deixam preparadas” para um “aumento expressivo do tráfego”, ao qual Lisboa “nunca foi sujeita”.

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O negócio originado pela presença das sedes destas empresas em Londres representa 12% do produto interno bruto (PIB) do Reino Unido e é responsável pelo emprego de dois milhões de pessoas. Contributo que outras capitais querem agarrar, na sequência dos resultados do referendo da passada quinta-feira.

O primeiro sinal do êxodo surgiu com a saída da Autoridade Bancária Europeia (EBA) da City, estando agora a instituição que coordena a regulação dos bancos na UE à procura de um novo local para a sua sede.

A somar a isto, a escolha da nova capital financeira europeia surge numa altura em que está em curso a megafusão entre a London Stock Exchange e a Deutsche Börse, que é foco de preocupação da nova presidente da Bolsa de Lisboa, Maria João Carioca.

A consultora CBRE antecipa uma fase de transição “de vários anos” nas relações entre a União Europeia e o Reino Unido, o que poderá levar a “alguma hesitação” das empresas em relação às suas instalações, no entender de Nick Axford, responsável mundial pelo departamento de pesquisa desta consultora.

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Este responsável aponta Frankfurt, Paris e Dublin como os potenciais novos destinos caso as multinacionais deixem o território britânico para continuar a ter acesso ao mercado comunitário.

É o caso, por exemplo, da Vodafone, que está a ponderar relocalizar a sua sede central, atualmente instalada em Londres. Tudo dependerá das negociações entre Reino Unido e a União Europeia.

O que Lisboa tem de bom?

A capital portuguesa, no entanto, tem várias vantagens sobre algumas das principais cidades europeias, no entender da Worx. Esta consultora destaca a “mão de obra qualificada”, o facto de Lisboa ser uma “cidade segura e com um ótimo clima”.

Em relação a Portugal, o país “posiciona-se melhor para receber empresas na área de serviços de apoio internacional”. Exemplo disso é a instalação, no Porto, do centro tecnológico da Euronext, a gestora da Bolsa de Lisboa. Este projeto vai levar à contratação de 100 pessoas.

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