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Confederação alerta para situações de trabalho infantil em Portugal

O Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil assinala-se a 12 de junho. Na imagem, protestos contra o trabalho infantil e a violência contra crianças  no Paquistão. Fotografia: Asif Hassan / AFP
O Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil assinala-se a 12 de junho. Na imagem, protestos contra o trabalho infantil e a violência contra crianças no Paquistão. Fotografia: Asif Hassan / AFP

Alerta destaca a condição de “pobreza, fome e violência extrema de muitas famílias” que atinge com severidade os menores

A Confederação Nacional de Combate ao Trabalho Infantil (CNASTI) denunciou, nesta quinta-feira, que há crianças a trabalhar, sobretudo na restauração, e alertou para a condição de “pobreza, fome e violência extrema de muitas famílias” que atinge com severidade os menores.

O alerta da organização surge na véspera de se assinalar o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, efeméride que visa convocar “a sociedade, os trabalhadores, os empregadores e os governos de todo o mundo” para se mobilizarem no sentido de eliminar esta prática, com “a implementação de políticas e de comportamentos sociais no combate aos perigos que muitas crianças enfrentam”.

A CNASTI afirma, em comunicado, ter consciência de que em Portugal “o trabalho infantil não atinge as dimensões que atingiu no passado”, mas continua a merecer a preocupação de todos que devem ser convocados “a agir, dada a condição de pobreza, fome e violência extrema de muitas famílias, condição que se agrava com a situação de pandemia” e que “indubitavelmente atinge com severidade as crianças”.

A organização revela que tem recebido algumas denúncias na sua página na Internet a alertar para situações de crianças a trabalhar, sobretudo na área da restauração, mas lembra que há outras realidades que também merecem preocupação, nomeadamente a participação de crianças na moda e em espetáculos.

“Sendo estas situações preocupantes e merecedoras da nossa atenção, é também particularmente perturbador o trabalho infantil sob a forma de tráfico ou de exploração sexual”, sublinha a confederação, apelando às pessoas para enviarem “informações que julguem pertinentes”.

Em alguns países, “o trabalho infantil é fundamental para o orçamento familiar, o que leva algumas grandes empresas a explorarem essa necessidade para terem mão de obra barata e facilmente manipulável e, assim, conseguirem fazer valer as suas estratégias comerciais”.

“As crianças são o que de melhor existe na humanidade, e com maior relevância se atendermos ao envelhecimento da nossa sociedade”, mas apesar dos “valores tão aclamados” da humanidade, ainda subsiste “uma considerável falta de proteção das crianças, expostas a muitos riscos e vítimas dos mais variados tipos de exploração laboral”, lamenta

A confederação alerta também para o problema da violência doméstica, lembrando o “caso extremo muito mediatizado” da morte de Valentina, de 9 anos, que ocorreu “em tempo de confinamento”.

“Mas não sabemos, teremos uma ténue noção, quantas crianças estão em perigo dentro das suas casas. Dizem os especialistas que uma estratégia de sobrevivência, pode ser o silêncio e as crianças são sempre o elo mais fraco e as que mais sofrem”, salienta.

Para a organização, é necessário sensibilizar a sociedade para “o respeito pelo outro e para a mobilização na ação em defesa do direito ao bem-estar do próximo”.

“Não é tarefa fácil, numa sociedade onde impera a indiferença em relação ao que acontece ao lado, mas não desistimos para que todos e particularmente as crianças tenham uma vida condigna”, sublinha.

O Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil foi instituído pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2002, ano da apresentação do primeiro Relatório Global sobre Trabalho Infantil na Conferência Internacional do Trabalho.

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