concertação social

Confederações patronais não antecipam instabilidade na próxima legislatura

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, fala aos jornalistas após uma reunião com o secretário-geral do Partido Socialista (PS) e primeiro-ministro indigitado, António Costa (ausente na foto), no âmbito de encontros paralelos com os parceiros sociais, na sede nacional do Partido, em Lisboa, 10 de outubro de 2019. As reuniões realizam-se um dia depois dos encontros sobre a próxima legislatura com as forças parlamentares de esquerda (Bloco, PCP, PEV e Livre) e com o PAN. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, fala aos jornalistas após uma reunião com o secretário-geral do Partido Socialista (PS) e primeiro-ministro indigitado, António Costa (ausente na foto), no âmbito de encontros paralelos com os parceiros sociais, na sede nacional do Partido, em Lisboa, 10 de outubro de 2019. As reuniões realizam-se um dia depois dos encontros sobre a próxima legislatura com as forças parlamentares de esquerda (Bloco, PCP, PEV e Livre) e com o PAN. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

António Costa está hoje a ouvir os parceiros sociais na sede do PS.

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, manifestou-se esta quinta-feira convicto de que não haverá maior instabilidade na próxima legislatura e que o Governo saberá encontrar “equilíbrios também à sua direita”.

“Não antevemos maior instabilidade. O acordo que existiu na anterior legislatura, se formos ler esses mesmos acordos, percebemos que eram acordos frágeis”, afirmou António Saraiva em declarações aos jornalistas no final de uma reunião com o secretário-geral do PS, em Lisboa.

Na ótica do representante do patronato, “aquilo que esta legislatura vai ter é o que a anterior teve, é acordos a cada Orçamento de Estado”.

“Vai ter que se gerar equilíbrios para que os orçamentos do Estado e as iniciativas parlamentares tenham tranquilidade e possamos, como já referi, ter uma estabilidade política que estamos seguros que o país e os partidos responsáveis em Assembleia da República têm condições para manter”, vincou.

Notando que das eleições legislativas de domingo saiu “um parlamento novo”, António Saraiva salientou que o maior número de deputados continua nas bancadas de PS e PSD, que, “como partido responsável que é”, poderá “apoiar medidas legislativas que o país necessite”.

“Não podemos olhar só para equilíbrios ou desequilíbrios de esquerda, temos que olhar que este Governo saberá encontrar equilíbrios também à sua direita, e que as maiorias parlamentares têm geometria variável quer à esquerda, quer à direta”, sublinhou o presidente da CIP.

Questionado sobre uma possível subida do salário mínimo, defendido pelos partidos à esquerda que poderão vir a dar apoio parlamentar ao governo que António Costa constituir, o presidente da CIP não fechou a porta a essa medida, salientando que os patrões “sempre” se mostraram disponíveis, “ano após ano, a evoluir no salário mínimo”.

“Não podemos é evoluir de uma maneira por decreto ou em condições que a economia não suporte. O salário mínimo tem de continuar a progredir positivamente mas sempre com base em indicadores que sejam mensuráveis e que, em concertação social, possamos acordar”, advogou, considerando que é preciso “rigor e razoabilidade” nesta matéria.

Por isso, rematou, “o salário mínimo será seguramente aumentado em bases razoáveis, como o foi na legislatura anterior”.

Falando enquanto porta-voz do grupo, o presidente da CIP apontou que foram transmitidas ao socialista as preocupações dos parceiros sociais patronais para a próxima legislatura.

“Focalizámos as nossas posições no conjunto de propostas que gostaríamos que este governo desse seguimento, desde logo a melhoria da competitividade das empresas portuguesas, as pessoas, a sua requalificação e a sua qualificação, o problema da melhoria de rendimentos no lato sensu“, afirmou o responsável.

Esta conversa serviu também para o secretário-geral do PS transmitir aos patrões “qual é a expectativa que tem do papel da concertação social, do reforço desse mesmo papel da concertação social para a estabilidade social e para o reforço do diálogo social”, tendo sido também avaliadas as “ameaças externas que podem prejudicar o normal andamento da economia” portuguesa.

“A desejável estabilidade política, e a necessária estabilidade social que, uma em sede de parlamento, a outra em sede de concertação social, é fundamental o país seguir num rumo de melhoria do seu crescimento, porque não nos podemos satisfazer apenas com o facto de estarmos dentro da média europeia, temos de ser mais ambiciosos e perceber que há países na União Europeia que geram crescimentos superiores aos nossos e é com esses que temos de competir”, assinalou.

No geral, António Saraiva fez um “balanço positivo” da reunião.

O secretário-geral do PS, António Costa, esteve hoje reunido com as confederações patronais, nomeadamente a CIP, CAP, CTP e CCP, na sede do partido, em Lisboa.

Ainda esta manhã, o primeiro-ministro indigitado vai reunir-se, igualmente no Largo do Rato, com as centrais sindicais CGTP e UGT.

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