conjuntura

Confiança de empresas alemãs no nível mais baixo desde 2012

Fábrica da ThyssenKrupp, em Duisburg, Alemanha.  EPA/FRIEDEMANN VOGEL
Fábrica da ThyssenKrupp, em Duisburg, Alemanha. EPA/FRIEDEMANN VOGEL

Na indústria, "não se avista um único raio de sol", segundo o índice de confiança ifo publicado esta segunda-feira.

Os níveis de confiança das empresas alemãs estão no ponto mais baixo desde há sete anos, com uma deterioração acentuada das expetativas para os próximos meses numa altura em que se prevê a entrada em recessão da economia do país até setembro.

O índice ifo, do Instituto de Estudos Económicos da Universidade de Munique, aponta esta segunda-feira que em agosto a confiança quanto ao clima de negócios alemão está em 94,3 pontos, ao nível mais baixo desde 2012, depois de ter atravessado todo este ano já em terreno negativo. As empresas estão também mais pessimistas quanto à atual situação e quanto aos expetativas para os próximos meses.

A Alemanha, cujo PIB recuou 0,1% no segundo trimestre face aos primeiros três meses do ano (cresceu 0,4% em termos homólogos), está a ser fortemente penalizada pela guerra comercial e também pela perspetiva de uma saída sem acordo do Reino Unido da União Europeia, com a produção industrial em queda e risco de deterioração também nos restantes sectores de atividade.

O indicador que tem por base dados de inquérito aos empresários alemães mostra que, por sectores, a indústria surge agora com o nível de confiança a tocar o ponto mais negativo desde 2009, após o início da crise financeira internacional. “Não se avista um único raio de sol em qualquer das principais indústrias alemãs”, escreve Clemens Fuest, presidente do instituto.

Nos serviços, há também uma deterioração “assinalável”, e no comércio o índice caiu também já para território negativo. “A descida deve-se principalmente ao sector grossista”, aponta a notado instituto.

No sector da construção, cuja atividade foi ainda durante o segundo trimestre um fator positivo para a economia alemã, há uma descida ligeira da confiança. Para os próximos meses, o sector prevê condições “ainda muito favoráveis”.

O banco central alemão, o Bundesbank, avisou na passada semana, no seu boletim económico mensal, que a economia germânica deverá entrar em recessão ainda durante o terceiro trimestre e reviu em baixa previsão de crescimento para este ano, para 0,3%.

O governo de Berlim antecipa medidas de estímulo, incluindo aumento de despesa pública de até 50 mil milhões de euros, em caso de recessão internacional. O presidente do Bundesbank, Jens Weidman, defendeu, entretanto, em entrevista durante o fim de semana, ser demasiado cedo para iniciar medidas de estímulo quer na Alemanha quer através do Banco Central Europeu.

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