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Confrontos entre a polícia e “coletes amarelos” regressam ao centro de Paris

EPA/IAN LANGSDON
EPA/IAN LANGSDON

Segundo o porta-voz da polícia, Johanna Primevert, foram detidos para interrogatório 354 pessoas, das quais 127 ficaram sob custódia

Os confrontos regressaram hoje de manhã às ruas de Paris, com a polícia a disparar gás lacrimogéneo contra dezenas de “coletes amarelos” que estavam concentrados na Avenida dos Campos Elísios e numa das ruas adjacentes.

Pouco depois das 9:00 (8:00 GMT) registaram-se situações de tensão entre os manifestantes e a polícia antimotim, que impediu os “coletes amarelos” de atravessar a avenida nas proximidades do Palácio do Eliseu.

Cerca de uma hora depois, a polícia lançou gás lacrimogénio para dispersar as dezenas de “coletes amarelos” que tentavam chegar à rua “Arséne Houssaye”, adjacente aos Campos Elísios, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

A rápida atuação da polícia revela as ordens que receberam no sentido de reagir para evitar que se voltem a registar as cenas de guerrilha urbana a que se tem assistido na última semana.

Segundo o porta-voz da polícia, Johanna Primevert, até às 10:30 (9:30 GMT) foram detidos para interrogatório 354 pessoas, das quais 127 ficaram sob custódia.

Primevert avançou ainda que, sensivelmente à mesma hora, estavam nos Campos Elísios cerca de 1.500 manifestantes e várias centenas na Praça da Bastilha e na Porta Maillot, junto ao Palácio de Congressos.

Antes do início da manifestação, a polícia já tinha detido para interrogatório centenas de pessoas.

Os “coletes amarelos” voltaram a sair às ruas hoje, obrigando as autoridades francesas a adotar múltiplas medidas preventivas, designadamente o reforço policial nas ruas, que ultrapassa os 90 mil agentes.

As autoridades temem o regresso dos tumultos urbanos em Paris, tendo por isso reforçado também os controlos nas estações e realizado buscas sistemáticas junto aos locais de concentração.

Uma delegação de representantes, incluindo figuras como Benjamin Cauchy e Jacline Mouraud, reuniu sexta-feira com o primeiro-ministro Édouard Philippe, para tentar encontrar soluções para um impasse negocial que se arrasta há quatro semanas, mas esse gesto não foi acompanhado pela desmobilização da ação de protesto, que começou por ser contra os aumentos dos combustíveis.

A delegação de representantes do movimento “coletes amarelos” tinha feito ao longo da semana vários apelos para que uma quarta manifestação não ocorresse hoje em Paris, para evitar novos distúrbios e confrontos com a polícia.

Para prevenir o efeito de nova manifestação, das ruas do centro de Paris, desapareceu quase todo o mobiliário urbano, com receio de que possa ser usado como armas pelos milhares de manifestantes que hoje tomarão de assalto a zona dos Campos Elísios.

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