Construção

Construção nova e mais empresas estrangeiras animam imobiliário em 2019

MANUEL FERNANDO ARAÙJO/LUSA
MANUEL FERNANDO ARAÙJO/LUSA

2018 foi o ano dos centros comerciais, com as vendas a baterem recordes dificilmente igualáveis. Em 2019, Portugal vai começar a ganhar casas novas.

Bastaram 48 horas para que as 50 casas de um empreendimento novo em Carnaxide fossem vendidas. Os compradores foram todos portugueses. A construção de imóveis “para a classe média” em Lisboa e no Porto é a grande resolução de ano novo do setor imobiliário. “Há bons projetos para isso”, garante Pedro Lancastre, diretor-geral da JLL Portugal.

Em 2018 a imobiliária vendeu mais de 600 unidades residenciais, mais 20% do que no ano anterior, no valor de 350 milhões de euros. O preço médio das vendas ultrapassou os 700 mil euros. “Ainda há muita falta de oferta para a classe média, porque estas vendas são de imóveis reabilitados que são comprados pelo segmento alto ou muito alto. Por isso, quando chega ao mercado um empreendimento como o de Carnaxide, é logo vendido”. Em Lisboa, quase 70% dos licenciamentos aprovados em 2018 foram para reabilitação.

Em 10 anos, a construção de casas novas em Portugal tombou 80%. Nos primeiros nove meses de 2008 foram construídas mais de 45 mil casas em Portugal. No mesmo período de 2018 o mercado ganhou nove mil habitações. Pedro Lancastre duvida que, a curto ou médio prazo, seja possível regressar aos níveis de 2008, mas acredita que 2019 vai ser o ano da viragem na construção de casas novas.

“Há bons projetos que estão parados há muitos anos e que deverão arrancar em 2019. Até agora havia receios por parte de quem detinha os projetos, e talvez alguns não estivessem nas mãos certas, como era o caso dos terrenos da Feira Popular. Isso vai mudar a partir de agora”, atira o responsável.

Na capital, há projetos destinados à classe média já licenciados em zonas como Marvila, Alcântara, Benfica, Algés ou Miraflores.

Entre as tendências já notadas em 2018, a JLL destaca o aumento do número de aquisições, por parte de portugueses, sem recurso a crédito bancário. Ainda assim, 57% das vendas da imobiliária foram feitas a estrangeiros, de 41 países. Brasileiros, ingleses e franceses representam metade das vendas.

Em 2019 as vendas a estrangeiros não deverão abrandar, segundo as previsões da JLL, ao contrário dos preços, que devem continuar a subir, mas menos.

“2019 tem tudo para ser ano fortíssimo”

O ano que terminou foi de recordes no imobiliário comercial em Portugal. O número ainda é provisório, mas o investimento em imóveis como centros comerciais, escritórios, armazéns ou hotéis deverá ter atingido os 3,3 mil milhões de euros. É o equivalente ao valor acumulado entre 2008 e 2014, por exemplo. Uma soma “excecional” que, segundo Pedro Lancastre, dificilmente será repetida. Em 2017 já tinha sido batido o recorde, e o montante ficou-se pelos 1,9 mil milhões.

“Em 2018 mudaram de mãos grandes carteiras de centros comerciais, como o Dolce Vita Tejo ou o Almada Forum. Terá sido um ano histórico neste capítulo. E são os centros comerciais que têm mais peso neste volume de investimento, porque são ativos de centenas de milhões. Qualquer ano que feche acima dos 1,5 ou dois mil milhões será bom para o mercado português. Acima disso é excecional, mas acontece poucas vezes”.

O responsável acredita que 2019 vai ser “bom”, porque há operações que ficaram em banho-maria no ano passado e que deverão avançar em 2019. Incluindo alguns centros comerciais, ainda que “não com a mesma escala”. Mesmo assim, sublinha, “2019 tem tudo para ser um ano fortíssimo”.

Tal como na venda de casas, as transações de escritórios só não crescem mais por falta de oferta, explica Pedro Lancastre. E no ano que acaba de entrar, vai ser preciso ainda mais espaço. “Prevê-se que 2019 seja um ano de muita dinâmica e que mais multinacionais anunciem a abertura de escritórios em Portugal. Vai ser um ano marcado por isso”.

Espera-se que até 2022 a área de escritórios quase duplique em Portugal. Em 2019 serão concluídos 78 mil metros quadrados de projetos novos, mas a maior parte já tem a ocupação pré-contratada.

Entre as tendências que vão continuar em alta em 2019, a JLL aponta ainda para os ativos do sistema financeiro, já que “os bancos ainda têm muita coisa para vender”, apesar de “o portfolio mais significativo” do centro das cidades já ter sido vendido.

Ainda assim, “o que se vai notar mais na atividade dos bancos é a venda das carteiras de crédito malparado”, antevê o responsável, que deverá, à semelhança de 2018, alcançar a meta dos cinco mil milhões de euros.

A grande esperança do setor imobiliário em 2019 reside, porém, nos REITs. A adoção destas sociedades de investimento, cotadas em bolsa, que são proprietárias de edifícios e responsáveis por colocá-los no mercado, foi anunciada pelo ministro da Economia no ano passado, e está a gerar expectativa entre os investidores.

Para Pedro Lancastre os REITs podem mesmo vir a revolucionar o imobiliário em Portugal. “Ainda somos muito limitados ao nível dos veículos de investimento. Esta abertura vai trazer mais investidores e mais dinheiro ao país”.

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