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Construção na Colômbia à procura de novos mercados

Foto: DR
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Com as dificuldades em países como Angola e Brasil, o setor parte em busca de alternativas

Portugal é já o terceiro país europeu com maior presença no mercado colombiano, a seguir a Espanha e a Itália, mas as construtoras portuguesas estão apostadas em reforçar essa posição, marcando presença na Expoconstrucción & Expodiseño 2017, a feira do setor que decorrerá de 16 a 21 de maio em Bogotá.

A iniciativa é da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Colombiana e conta com a adesão de várias empresas da fileira, designadamente do segmento de materiais para a construção civil, bem como da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas. Reis Campos, presidente da AICCOPN, reconhece o “enorme potencial” dos mercados da América Latina, com taxas de crescimento invejáveis para a anémica Europa. E lembra que a construção precisa de encontrar alternativas a Angola, Moçambique e Brasil.

“Precisamos de abrir caminhos e de concretizar novas oportunidades, já que a recuperação destes mercados, em que o setor havia apostado fortemente nos últimos anos, se está a revelar mais demorado do que se esperava. E todos sabemos que países como a Colômbia, o Peru, o México, o Panamá, o Chile e até Cuba podem ser excelentes alternativas”, diz o empresário.

No último trimestre de 2016, a AICCOPN esteve em Cuba, a auscultar o mercado e a conhecer as instituições locais. Agora vai à Colômbia, seguindo-se o Peru. Tudo mercados “em forte crescimento” e com “grande potencial” para as empresas de construção. “Não é uma missão empresarial, ainda, é uma missão institucional, de prospeção do mercado, a exemplo do que fizemos com Angola e Moçambique. Para levar as empresas tenho de conhecer bem o mercado. Mas não tenho dúvidas nenhumas das suas potencialidades no futuro”, frisa Reis Campos

Com presença já garantida na feira estará a Arquiled, a fabricante de iluminação em LED, com fábrica em Mora, no Alentejo, e que é um dos principais fornecedores das autarquias neste tipo de produto, trabalhando, muito, o tema das smart cities, e que se estreia, assim, na Colômbia. Criada há 10 anos, a Arquiled dá emprego a 60 pessoas e faturou, em 2016, 4,5 milhões de euros, dos quais meio milhão nos mercados externos. A verdade é que a internacionalização da empresa arrancou, apenas, há dois anos.

O objetivo, diz Miguel Allen Lima, é que as exportações valham já 30% das vendas em 2019, altura em que, se tudo correr como o previsto, o mercado colombiano corresponderá a 10% da faturação da Aquiled. “A intenção é crescer, mas temos que ser realistas. Tudo isto leva o seu tempo”, lembra o CEO da empresa.

Miguel Allen Lima vai aproveitar a presença na Colômbia para maximizar o contacto com potenciais clientes. “Temos uma série de reuniões marcadas já em Bogotá e Medellín. Vamos levar alguns produtos para fazer demonstrações in loco. Queremos aproveitar para criar notoriedade para a marca”, sublinha.

A expor os seus produtos na Colômbia pelo segundo ano consecutivo está a Roriz, empresa familiar de Braga, especializada na produção de torneiras, que está à procura de diversificar os mercados de destino dos seus produtos. Com 100 trabalhadores e uma faturação que ronda os 10 milhões de euros, 75% dos quais obtidos no mercados externos, a Roriz tem presença em praticamente toda a Europa, no Médio Oriente e, até, na China.

Os países africanos e as economias sul-americanas são a aposta mais recente. O primeiro ano foi dedicado à prospeção do mercado e à identificação de parceiros locais, agora há que “promover a marca junto do público”. Rui Roriz acredita que, no espaço de cinco anos, o mercado colombiano possa valer um milhão a milhão e meio de euros.

Repetente é, também, a BAU que aproveita a feira de Bogotá para dar a conhecer a nova empresa do grupo que fornecerá serviços especializados ao mercado na Colômbia. “O nosso objetivo principal é mostrar que temos para oferecer um serviço integral aos nossos clientes e corresponder às necessidades do mercado colombiano da reabilitação, da reparação, da impermeabilização e das obras especiais. Ao mesmo tempo proporcionamos valor excecional e sustentado aos clientes que querem renovar ou reabilitar as suas estruturas. Trata-se, efetivamente, de apresentar ao mercado a nova empresa que vai nascer ainda este ano”, diz Jorge Rolão Fonseca, diretor geral da BAU Special Solutions.

A presença portuguesa na feira da Colômbia foi precedida de uma visita de empresários e jornalistas colombianos ao mercado português. Além de virem conhecer a realidade do país e das empresas locais, os colombianos vieram, também, visitar a Tektónica, a feira da construção que decorreu, no início do mês, em Lisboa, na FIL.

 

3 perguntas a

Rosário Marques
Diretora-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Colombiana

A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Colombiana está a comemorar cinco anos. Que balanço faz das relações entre os dois países?
Muito positivo. As empresas portuguesas têm vindo a exportar, progressivamente, mais para a Colômbia, mas, também, a evoluir no perfil de produtos. Notamos que há um grande aumento a nível da alimentação, das máquinas, do calçado…. mas estamos, ainda, muito aquém do potencial que temos. Num mercado como a Colômbia, que tem quase 50 milhões de habitantes, dos quais seis ou sete milhões com elevado poder de compra – a classe média deve rondar os 20 milhões, é o dobro da população portuguesa no seu todo -, as empresas não podem ficar satisfeitas com uma mera exportação. É preciso haver uma maior proximidade, conhecer o consumidor, o seu perfil de preço, as suas preferências e, até, adaptar a oferta ao mercado.

Falta investimento local?
Sim, é preciso estar próximo do mercado ou ter alguém lá que possa fazer esse acompanhamento, perceber como é que o consumidor reage, que ajustes é preciso fazer ao produto… Mais do que simplesmente vender, é importante termos um canal por onde flui a exportação. Mas a verdade é que temos já um investimento local apreciável. Há a Jerónimo Martins, que é imensa, mas há outros grupos, como a Sonae Sierra, a Mota-Engil, o grupo ETE, além das empresas na área dos serviços, como seja COBA, o grupo MADRE, a Parfois, a Vista Alegre, a Vortal, que está a operar no mercado com a sua plataforma dos contratos públicos, e a Bluepharma que está já a fabricar na Colômbia, usando o país como plataforma… Já há muitos exemplos.

Quais são os setores com mais potencialidades?
A metalomecânica, os materiais de construção, os têxteis, o calçado, o setor da alimentação… Enfim, há um número imenso de áreas onde podemos, de facto, ir mais longe.. Até porque a Colômbia tem apostado imenso no estabelecimento de uma rede de acordos de comércio livre. É um bom hub para, daí, se exportar para outros países, tirando proveito das taxas alfandegárias mais baixas.

Curiosamente, a TAP cancelou o seu voo direto Lisboa-Bogotá, que tinha sido anunciado com grande pompa e circunstância há três anos…
É uma questão de estratégia. A TAP sofreu alterações e apostou mais em determinados mercados em detrimento de outros. Penso que a TAP perdeu uma grande oportunidade, porque os voos da Iberia estão sempre cheios e já há mais uma companhia aérea espanhola a voar para o país. É uma pena, o potencial da América Latina é enorme e estamos a perder um posicionamento que nos podia ser muito útil.

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