Crescimento da economia

Construção precisa de 70 mil trabalhadores em 2018

Beawiharta/Reuters
Beawiharta/Reuters

Crescimento do turismo ajuda a complicar as contas da mão de obra na construção

Depois de uma longa agonia, a consolidação da recuperação. A construção deve fechar 2017 a crescer 5,9% e as previsões para 2018 são de um acréscimo de 4,5%. Mas no segmento dos edifícios residenciais, aquele que mais sofreu com a crise (uma quebra de produção acumulada de 80% em 13 anos, a partir de 2002), o crescimento previsto para 2018 é de 7%.

O ano será de consolidação, diz o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), Reis Campos. Ricardo Gomes, líder da Federação da Construção (FEPICOP), alerta para a falta de trabalhadores, admitindo que o défice possa ser, já este ano, da ordem dos 60 a 70 mil trabalhadores. Garante que, em zonas de forte dinamismo do turismo, como o Algarve, há já “uma grave incapacidade de resposta” às necessidades do mercado por falta de operários já que “muitos se fixaram no turismo”.

O problema, recorda Ricardo Gomes, é que, não só o sector não é apelativo para as camadas mais jovens – “sempre custa menos servir às mesas, mesmo que o salário seja menor” – como as diferenças salariais face ao norte da Europa, países onde a construção está com um forte dinamismo, também, e para onde foram muitos dos 240 mil operários portugueses que emigraram nos últimos sete anos, ainda não estão suficientemente diluídas para os levar a regressar. A solução óbvia é aumentar salários, mas, para isso, é preciso que o sector volte a praticar uma política de “preços saudáveis”.

“As empresas ainda estão com debilidades, mesmo a internacionalização foi feita para mercados que também sofreram, como Angola, e, por isso, a preocupação foi ganhar carteira, mesmo que com preço não totalmente saudáveis”, reconhece Ricardo Gomes. O caminho tem de começar a ser invertido.

Reis Campos concorda e lembra que a fileira perdeu 37 mil empresas e, com elas, 230 mil trabalhadores em consequência da crise. “Antes de mais temos de os trazer de volta. Formar um trabalhador especializado não é fácil e é provável que fique mais barato ir buscá-los do que formar de novo. É mais fácil engordar do que emagrecer, por isso, é preciso aliciá-los a regressar”, diz. Seja aos que foram para fora, seja aos 54 mil que ainda estão inscritos no desemprego. Reis Campos acredita que, com a nova dinâmica de mercado e a entrada em vigor, a 1 de janeiro de 2018, do novo Código dos Contratos Públicos, o preços nas empreitadas vão sofrer a necessária correção.

Para Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção, tudo se resume ao pagamento de salários que compensem o regresso. E reclama dos empresários uma “valorização” dos trabalhadores que estão a contribuir para o crescimento do sector e da economia nacional. “Claro que um operário que ganha 2.500 euros lá fora dificilmente estará disponível para voltar para ganhar 600 euros. Mas, se levarem mil ou mil e duzentos euros para casa, já lhes compensa vir para Portugal e é isso que os empresários têm de entender”, garante.

E quantos trabalhadores estão em falta? “Se as infraestruturas anunciadas pelo Governo avançarem em 2018 e a reabilitação urbana continuar a crescer, acredito que sejam criados, facilmente, 60 mil postos de trabalho”, diz.

O dirigente sindical recusa que a solução esteja na contratação de trabalhadores estrangeiros. “Para virem para cá trabalhar quase em regime de escravatura como vieram no Euro 2004? Em que um engenheiro do Leste ganhava o salário mínimo nacional? Não é desse trabalho que o país precisa. Portugal precisa é de valorizar os seus operários e não tenho dúvidas que, por um salário de mil euros, há muitos milhares de portugueses dispostos a regressar”, frisa.

Reis Campos também defende que se aposte, preferencialmente, na recuperação dos operários qualificados. Até pelo investimento que o país fez em qualificá-los. E só se, mesmo assim, as necessidades não forem supridas, então defende que as empresas devem tentar trazer para Portugal os operários estrangeiros a que já dão emprego nas muitas obras que fazem por esse mundo fora. “A internacionalização da construção e do imobiliário, se somarmos as obras lá fora com o investimento estrangeiro em Portugal, vale já 15 mil milhões de euros ao ano. É preciso criar um quadro tributário e de incentivos para apoiar a internacionalização do sector”, defende.

A construção tem, atualmente, em Portugal cerca de 310 mil trabalhadores. O emprego no sector cresceu 4,5% em 2016 e, até setembro de 2017, estava a crescer, em termos homólogos, 8%.

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