Salários

Construção. Sindicato quer aumentos de 70 a 100 euros

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Em causa está a reposição da diferença salarial entre operários qualificados e não qualificados.

O Sindicato da Construção entende que é tempo de ser reconhecido o contributo dos trabalhadores para o crescimento económico do país. E, por isso, pretende que as diferenças salariais entre operários qualificados e não qualificados, que praticamente desapareceram por via do aumento do salário mínimo nacional, sejam reposta. Em causa estão aumentos salariais unitários que variam entre os 70 e os 100 euros. A Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) diz que é preciso rever o contrato coletivo de trabalho, “em nome da competitividade do setor e da saúde das empresas”.

“Um operário qualificado de 1.ª, por exemplo um carpinteiro, um pintor ou um condutor manobrador ganha hoje o mesmo que um servente, por via do aumento do salário mínimo nacional. E isto não pode continuar”, diz Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção. O Dinheiro Vivo sabe que a proposta a apresentar às associações patronais passa por estabelecer em 657 euros por mês (mais 100 euros do que o salário mínimo) o ordenado de um operário de 1ª e em 637 euros mensais o vencimento de um operário de 2.ª. “Estas propostas são materializáveis com empresários de pequena, média ou grande dimensão”, garante Albano Ribeiro que exige: “Acabe-se com os patrões no setor!”.

Reis Campos, presidente da AICCOPN, lembra que as associações patronais “fecharam um acordo negocial com a UGT há um mês”, o qual contemplou um aumento de 1,13%. O empresário reconhece que, até agora, e com a crise no setor, que fez desaparecer 37 mil empresas e, só desde 2010, mais de 200 mil postos de trabalho, a “principal preocupação era manter o nível de emprego”. Agora, com a construção a crescer e a debater-se já com a falta de mão de obra qualificada, Reis Campos admite que, “mais do que discutir questões salariais, é necessário fazer uma reflexão profunda à realidade atual do setor”. Porquê? “A construção evoluiu e hoje há um certo desfasamento entre as cláusulas do contrato coletivo de trabalho e a realidade. É preciso fazer uma alteração ao clausulado há categorias profissionais que já nem fazem sentido”, afirma, sublinhando: “O que queremos é que a construção seja competitiva e se mantenham os postos de trabalho”. Recorde-se que a fileira criou mais de 23 mil novos empregos só no primeiro trimestre do ano e que se estima que, nos próximos dois a três anos, sejam precisos mais 80 mil trabalhadores.

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