Construção. Sindicato quer testes bissemanais nas obras

Albano Ribeiro dá o exemplo da construção do Sistema Eletroprodutor do Tâmega, da Iberdrola, cujos trabalhadores temem pela sua saúde

O presidente do Sindicato da Construção exige que as obras em curso no país só possam continuar se forem feitos testes ao coronavírus duas vezes por semana aos operários. Em causa está, por exemplo, o Sistema Eletroprodutor do Tâmega, da Iberdrola, obra que envolve cerca de 1800 trabalhadores de várias regiões do país, mas, também, espanhóis. “Eles vão passar o fim de semana a casa, vão e voltam, não há controlo nenhum. E é natural que quem lá trabalha tenha medo”, diz Albano Ribeiro.

O dirigente sindical teme mesmo que “a construção venha a ser o sector com mais mortes por coronavírus em Portugal”, porque, garante, as orientações das autoridades de saúde, designadamente ao nível da mobilidade, não estão a ser cumpridas. “Eu estive nas obras da Iberdrola esta semana e verifiquei por mim. Não há testes nenhuns aos trabalhadores, nem máscaras têm para trabalhar, e circulam em carrinhas de nove lugares, completas, quando deviam, no máximo, levar cinco pessoas”, afiança. “É vergonhoso que isto esteja a acontecer numa obra pública. As barragens vão ser cedidas à exploração da Iberdrola, mas o dono da obra é o Estado português”, sublinha.

A preocupação não é exclusiva do sindicato. O presidente da Câmara de Ribeira de Pena enviou a semana passada ao Governo um pedido de suspensão das obras nas barragens do Tâmega e de declaração da situação de calamidade no concelho. Embora não seja conhecido nenhum caso de covid-19 em Ribeira de Pena, o autarca, João Noronha, declarou a Lusa tratar-se de uma medida preventiva para um “risco real” dado que há “centenas de trabalhadores espanhóis que vão e vêm, estão cá durante a semana e vão de fim de semana para zonas de Espanha que estão bastante afetadas” e “não há quem controle se os mesmos fazem o isolamento profilático ou não”, que é imposto a quem entra em Portugal como medida preventiva contra a doença.

Contactada, a Iberdrola garante “estar a cumprir todas as medidas de segurança impostas pelas autoridades”, designadamente, implementando o regime de teletrabalho a “todo o pessoal que esteja em condições de o fazer”, recomendando aos trabalhadores “que limitem o contacto social dentro e fora da zona de trabalho”, suspendendo visitas externas ou reuniões presenciais com entidades externas, reduzindo, “ao mínimo imprescindível” a presença pessoal na reuniões internas e “cumprindo com todas as ordens que sejam recebidas das Autoridades Públicas competentes em razão da matéria”.

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