OCDE

Consumo dispara e bate subida de rendimentos

(Tony Dias/Global Imagens)
(Tony Dias/Global Imagens)

O rendimento das famílias, que afundou durante a crise, subiu 8% desde final de 2015. Mas consumo cresce ainda mais depressa e a poupança cai.

O consumo das famílias portuguesas voltou a crescer no início deste ano, atingindo no primeiro trimestre o nível mais elevado desde a crise financeira, ficando mais de 9% acima do nível de há quatro anos, quando o atual governo assumiu mandato tendo como programa a reposição dos rendimentos. O rendimento disponível das famílias também aumentou, mas pouco mais de 8%, acentuando a tendência de queda da poupança. Os portugueses guardam agora apenas 4,5% do que ganham.

Segundo as últimas estatísticas da OCDE sobre crescimento e bem-estar nas economias avançadas, o rendimento disponível das famílias portuguesas estava, nos primeiros três meses do ano, a recuar 1,2% face ao trimestre final do ano passado. Além de Portugal, só Dinamarca, Finlândia, Suécia e Austrália apresentavam descidas (os dados não incluem a Grécia), num período em que a média de aumento na Zona Euro foi de 0,7%. Nos países da OCDE, a subida foi de 0,6%.

Mas, na evolução ao longo dos anos, os portugueses estão a recuperar, ainda que não tanto como os seus pares do chamado mundo desenvolvido. Aquilo que as famílias levam para casa após descontados impostos e outras contribuições vale agora 2,6% mais do que em 2007, antes da crise. E, ultrapassado o período da crise, que assistiu a uma grande quebra de rendimentos, o ganho face ao final de 2015 é de 8,2%.

Por comparação, a melhoria de rendimentos da Zona Euro ao longo dos últimos quatro anos foi de 4,9%. No conjunto da OCDE foi de 6%. Mas ambos os indicadores externos estavam já em melhor posição que a portuguesa, em termos de recuperação da crise, no final de 2015. A média das famílias do grupo do euro tirava já rendimentos pouco mais de 1% inferiores aos de 2007. No conjunto das economias avançadas, a média estava já mais de 7% acima dos níveis pré-crise.

Já no que toca ao consumo das famílias, Portugal continua a andar à frente da média das economias do euro. A melhoria é de 8% relativamente ao período antes da crise, mas maior quando se tem em conta os níveis de consumo de 2015, após a forte quebra da crise. Nos últimos quatro anos, as despesas dos portugueses dispararam 9,4%. A percentagem compara com uma subida de 4% no grupo da moeda única, e destoa fortemente do cenário dos parceiros do sul da Europa. Na Grécia, em Itália e em Espanha as famílias continuavam no início deste ano a gastar menos do que em 2007.

Neste cenário, as poupanças representam agora 4,5% do rendimento das famílias – um nível superior apenas aos da Polónia (2%) e do Reino Unido (4,4%) e que compara com 12,8% de poupanças na média do euro, segundo os dados do primeiro trimestre. A taxa de poupança portuguesa estava em 5,3% há quatro anos.

Outros indicadores

Confiança

A confiança dos consumidores portugueses recuperou no final de 2015 para os níveis pré.-crise e desde então tem-se mantido quase sem mudanças. A melhoria é de 0,5% face a 2007, em linha com a OCDE.

Dívida

No início deste ano, as famílias portuguesas mantinham valores em dívida equivalentes a cerca de um quinto dos seus rendimentos. Uma melhoria face aos 31% de há quatro anos.

Património

No final do primeiro trimestre, a almofada financeira das famílias valia 73,4% dos seus rendimentos, nos dados da OCDE. Há quatro anos valia 70,7%.

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