Consumo público é a parte do PIB que menos cresce no 3º trimestre

INE confirma abrandamento do ritmo do PIB para 4,2% no terceiro trimestre. Em todo o caso, todas as outras componentes da procura registaram comportamento semelhante.

O consumo público foi a componente da procura interna que menos cresceu no terceiro trimestre deste ano, contribuindo assim para o abrandamento geral do produto interno bruto (PIB), que passou de um ritmo de expansão de 16,1% no segundo trimestre para 4,2% no período julho-setembro, em termos homólogos, confirmou o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta terça-feira.

O consumo público, que no fundo é a parte da economia que diz respeito ao perímetro do valor acrescentado pelo setor das administrações públicas na parte que diz respeito às suas despesas de consumo final, avançou 3,7% no terceiro trimestre face a igual período de 2020, ritmo bastante inferior aos 9,8% do segundo trimestre, indica o INE.

Ainda assim, é preciso dizer que este ritmo da despesa final pública (3,7%) é historicamente elevado quando comparado com o período pré-pandemia, reflexo das medidas do governo para combater os efeitos da pandemia e das medidas de confinamento. Entre o início de 2015 e final de 2019 (final do programa da troika e antes de rebentar a pandemia) a despesa de consumo público cresceu, média, apenas 0,9%.

Em todo o caso, todas as outras componentes da procura registaram um comportamento semelhante: os ritmos de expansão caíram a fundo entre o segundo e o terceiro trimestre deste ano.

As componentes do PIB, uma a uma

As exportações, por exemplo, estão a crescer agora quatro vezes menos do que no trimestre anterior: o INE estima um aumento homólogo de 10,2% (tinha sido 39,8% no segundo trimestre).

As importações idem, mas como o avanço das compras ao exterior foi de 11% (superior aos das exportações), o setor externo (procura externa líquida) continuou a penalizar a dinâmica da economia portuguesa. O INE diz que é, sobretudo, por causa da explosão nos preços da energia (a qual Portugal importa passivamente, sobretudo petróleo e gás).

A maior componente do PIB português é o consumo privado (das famílias), que representa quase dois terços do total. As despesas finais dos lares portugueses cresceram 4,6% no terceiro trimestre, um ritmo quatro vezes inferior ao do trimestre precedente (18,8%).

O investimento cresceu a metade da velocidade. Tinha avançado 12,3% no segundo trimestre, agora avançou 5,8%.

Preços da energia e matérias-primas desequilibram economia

O INE explica que este abrandamento generalizado da economia acontece porque o segundo trimestre deste ano sofreu um efeito de base muito pronunciado: os crescimentos verificados em abril-junho últimos comparavam com o mesmo período de 2020, altura em que o início da crise pandémica fez colapsar a economia.

Diz o INE que "o Produto Interno Bruto (PIB), em termos reais, registou uma variação homóloga de 4,2% no 3º trimestre de 2021. No trimestre anterior, a variação homóloga do PIB tinha sido 16,1%, em grande medida, devido ao forte impacto da pandemia no 2º trimestre de 2020".

"O contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB foi positivo, mas menos intenso que o observado no trimestre anterior" e "o contributo da procura externa líquida manteve-se negativo no 3º trimestre, verificando-se um aumento das importações de bens e serviços ligeiramente mais pronunciado que o crescimento das exportações", refere o instituto.

O INE chama ainda a atenção para o facto de no 3º trimestre de 2021, os deflatores [preços associados] das importações e das exportações terem registado "crescimentos acentuados, sobretudo relacionados com a evolução dos preços dos produtos energéticos e das matérias-primas, prolongando-se a perda nos termos de troca observada no trimestre precedente".

"Comparativamente com o 2º trimestre de 2021, o PIB aumentou 2,9% em volume". A expansão da economia no 3º trimestre de 2021 "refletiu a diminuição gradual das restrições impostas pela pandemia, após dois trimestres com resultados opostos: a forte redução do PIB no 1º trimestre (-3,3%), determinada pelo confinamento geral e um aumento de 4,4% no 2º trimestre, marcado pelo levantamento gradual das restrições à mobilidade", explica o instituto das estatísticas oficiais.

(atualizado 13h45)

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