Distribuição

Continente: Trabalhadores queixam-se de uma “miserável” situação laboral

Hipermercados Continente Fotografia: Rui Oliveira/Global Imagens
Hipermercados Continente Fotografia: Rui Oliveira/Global Imagens

No Porto, a iniciativa está coberta por um pré-aviso de greve, embora o sindicato admita não esperar uma adesão muito significativa: “Os salários são tão baixos que os trabalhadores não podem abdicar das horas a 100% ao domingo”

Trabalhadores de alguns hipermercados e armazéns do Continente estão a hoje a denunciar junto dos clientes a sua “miserável” situação laboral, numa ação que, no caso do distrito do Porto, está coberta por um pré-aviso de greve.

“No caso do distrito do Porto, emitimos pré-aviso para que os trabalhadores pudessem participar. Admitimos que a adesão à greve não seja muito significativa, mas também não o esperaríamos, porque os salários são tão baixos que os trabalhadores não podem abdicar das horas a 100% ao domingo. O que se pretende é mais uma ação de protesto e denúncia junto dos clientes”, disse à agência Lusa o dirigente do CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal Luís Figueiredo, que é também trabalhador do Continente.

A ação do distrito do Porto decorre junto ao hipermercado do Gaiashopping, em Vila Nova de Gaia, sendo que as restantes se registam num hipermercado da zona de Lisboa e noutro da área de Coimbra.

Os clientes do Continente do Gaiashopping estão a receber prospetos que os informam sobre as condições de trabalho e salariais dos trabalhadores que diariamente os atendem “com sorrisos e simpatia”, indicou o sindicalista.

O texto acusa a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (ADEP), que é presidida pela Sonae/Continente, de bloquear a negociação do contrato coletivo de trabalho há quase três anos, querendo a redução do valor pago pelo trabalho suplementar e a aceitação do banco de horas (trabalho à borla) a troco de ‘aumentos’ salariais de 11 cêntimos ao dia”.

“Reivindicamos um aumento geral de salário num mínimo de 40 euros”, disse o dirigente sindical Luís Figueiredo, sublinhando que atualmente o vencimento de topo está 26 euros acima do Salário Mínimo Nacional “quando em 2010 estava 140 euros acima da retribuição mínima nacional”.

Os trabalhadores exigem ainda o encerramento das lojas aos domingos e feriados “de forma a melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e de sua famílias”, disse o dirigente, sublinhando o apoio a essa causa dado recentemente pelo bispo do Porto, Manuel Linda.

A agência Lusa tentou, sem êxito, até meio da manhã, um contacto com a Sonae/Continente.

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