Contratos de investigação valem 2 milhões na Fraunhofer

Centro, no Porto, cria soluções para os problemas reais de pessoas e empresas. Neste ano espera um novo recorde no valor dos contratos

Já está no mercado um dispositivo para pessoas idosas que deteta quedas: emite um alarme e faz a análise de risco de queda. O equipamento foi desenvolvido pelo centro de investigação Fraunhofer Portugal-AICOS (Soluções de Informação e Comunicação Assistida), no Porto, e resultou de uma encomenda de uma empresa holandesa que o colocou à venda no mercado mundial.

Mas, se o leitor for às compras a uma unidade da Sonae, talvez não se aperceba, mas é possível cruzar-se com um funcionário que conduz um carrinho especial, que deteta falhas de stocks bem como possíveis maus posicionamentos dos produtos nas prateleiras. Trata-se de outra inovação nascida no mesmo centro.

São apenas dois exemplos de soluções encontradas e desenvolvidas pelo Fraunhofer Portugal ao longo da última década, que culminou com um recorde de contratos de investigação no valor de dois milhões de euros, assegurados por uma equipa de 110 talentos exclusivos, nos polos do Porto e de Lisboa. Para este ano, a expectativa é ultrapassar aquele marco histórico.

“Há 10 anos, quando tudo começou, éramos apenas 12 pessoas, num pequeno gabinete na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, com 190 mil euros em projetos”, recorda Liliana Ferreira, diretora do centro.

“Estamos focados nas pessoas e nas tecnologias de informação. O nosso lema é resolver problemas reais da sociedade, usando a inovação”, explica a dirigente. Por outras palavras: “propomos soluções em tecnologia avançada que tenham em conta as necessidades dos utilizadores finais. Apostamos na tecnologia de excelência de fácil utilização, para responder às necessidades das pessoas”.

Na prática, há uma trilogia à qual o centro procura ser fiel: “pessoas, coisas e inteligência”.

“Tentamos perceber os hábitos e as necessidades das pessoas, perceber como as coisas interagem - criando hardware, dispositivos, sensores - e juntar a isso a inteligência, a capacidade de criar soluções que consigam auxiliar na tomada de decisões, sempre com a preocupação de preservar a privacidade do utente”.

O grosso da atividade do centro decorre de encomendas de entidades externas, sobretudo da área da saúde, mas também do retalho, da agricultura, da vinha e do vinho e da energia.

No entanto, o Fraunhofer Portugal dispõe de uma rede de voluntários, composta por cerca de mil colaboradores, junto de quem os investigadores estudam problemas e necessidades, para numa fase posterior criarem e testarem soluções.

O Fraunhofer Portugal nasceu no Porto em 2008, resultado da participação da casa-mãe, uma organização alemã hoje com 27 mil funcionários em vários países, bem como da Fundação de Ciência e Tecnologia (FCT) e da Universidade do Porto. Contou também com uma parceria da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã.

A receita alcançada em 2019 seguiu o modelo da casa-mãe e usado desde sempre: um terço vem do financiamento de base (FCT e a Fraunhofer alemã); outro terço dos fundos comunitários e o restante dos projetos industriais. Mas o retorno vai além dos números: “conseguir que a nossa tecnologia ganhe vida e chegue às pessoas”, conclui Liliana Ferreira.

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