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Convergência de Portugal com a zona euro está sob forte ameaça

Mário Centeno, Ministro das Finanças. REUTERS/Pedro Nunes
Mário Centeno, Ministro das Finanças. REUTERS/Pedro Nunes

Para já, Mário Centeno mostra estar tranquilo, mas reconhece que está em curso uma “contínua degradação do ambiente macroeconómico externo”.

A convergência real da economia portuguesa face à média da zona euro deve durar mais algum tempo, mas não muito mais, podendo inclusive esfumar-se no próximo ano, de acordo com algumas instituições, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Banco de Portugal também alerta que a economia doméstica está hoje “mais suscetível” ao que se passa lá fora do que dantes por ser mais dependente dos capitais exteriores e por exportar mais, por exemplo.

Ontem, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que a economia interna manteve um ritmo de expansão de 1,8% no segundo trimestre face a igual período do ano passado. O desempenho neste segundo trimestre é o mais fraco, nesta mesma altura do ano, desde 2016.

O INE explica, nesta que é ainda uma estimativa “rápida” e preliminar, que “o contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB [produto interno bruto] diminuiu, refletindo a desaceleração das despesas de consumo final e, em larga medida, do investimento”.

Em contrapartida, “o contributo da procura externa líquida foi menos negativo que o observado no trimestre anterior, em resultado da maior desaceleração das importações que a observada nas exportações de bens e serviços”.

Muitos economistas esperavam já este resultado (manutenção do ritmo de crescimento homólogo da economia). E significa também que a meta do governo (previsão do Programa de Estabilidade, de abril), continua ao alcance. É 1,9% para o ano de 2019 como um todo.

No entanto, há dúvidas quanto ao futuro próximo e elas ganharam peso ontem também, com os dados libertados pelo Eurostat.

Cinco resistentes

Primeiro, há uma boa notícia. A economia portuguesa ainda consegue resistir ao forte abrandamento da economia europeia, que concentra cerca de 80% dos seus mercados de exportação, por exemplo. Dos países já apurados pelo Eurostat, Portugal, Dinamarca, França, Lituânia e Finlândia foram os únicos que conseguiram manter ou reforçar as suas taxas de crescimento no segundo trimestre.

Fora este grupo dos cinco, todos os outros estão a perder força, contribuindo para que, por exemplo, a zona euro tenha abrandado fortemente nos últimos 12 meses. No segundo trimestre de 2018, a expansão da área única estava nos 2,2%; agora, está a meio gás (1,1%).

Um dos fatores mais preocupantes é a forte travagem da maior economia do euro, a Alemanha, que está quase estagnada (cresceu apenas 0,4% em termos homólogos) e à beira da recessão (a economia caiu 0,1% em cadeia face ao primeiros três meses deste ano).

FMI mais pessimista, Banco de Portugal faz alertas

O FMI, por exemplo, não acredita que Portugal consiga manter a convergência em 2020: em julho, previu que a economia nacional deve crescer apenas 1,5% contra 1,6% da zona euro.

A Comissão Europeia não partilha dessa opinião, mas por exemplo o Banco de Portugal vai avisando que “num contexto de incerteza e riscos descendentes sobre o enquadramento internacional, o facto de Portugal ser atualmente uma economia mais aberta implica que está mais suscetível à desaceleração da economia mundial e a outros choques externos”.

Os economistas do banco central são claros quanto aos riscos em concreto. “Possibilidade do impacto negativo das tarifas sobre os fluxos de comércio ser superior ao projetado, das tensões comerciais entre a China e os EUA se intensificarem e das barreiras comerciais aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos oriundos da União Europeia”, nomeadamente nos “automóveis”.

Persiste ainda “o risco de um agravamento das tensões geopolíticas, em particular no Médio Oriente e especialmente entre os Estados Unidos e o Irão. Estes riscos poderão condicionar negativamente a evolução do comércio e da atividade globais”, podendo levar ao “adiamento de investimentos”.

Há ainda o risco associado à possibilidade de uma saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo, diz o Banco de Portugal.

Carlos Costa, governador do banco central, alerta para o possível “recrudescimento da turbulência nos mercados financeiros e o aumento de incerteza política em Itália, com possibilidade de um maior contágio a outros países da união monetária face ao observado em 2018, no atual contexto de maturação do ciclo económico”.

Centeno diz-se tranquilo

Bem mais confiante está o governo, pela voz de Mário Centeno. Para o ministro das Finanças, Portugal até está “a reforçar a trajetória de convergência face à Europa”, algo que “perdura já há mais de dois anos”.

“Esta convergência não só exibe resiliência face à contínua degradação do ambiente macroeconómico externo, como se tem revelado cada vez mais forte ao longo dos últimos trimestres”.

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