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Cooperativa do Pico apostada em ganhar na exportação

Bernardo Cabral, enólogo da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico. Fotografia: DR
Bernardo Cabral, enólogo da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico. Fotografia: DR

Sem turistas, a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico vira-se para o mundo

A celebrar 70 anos, a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico tinha grandes projetos e expectativas para os vinhos ímpares que produz em condições únicas: as vinhas estão plantadas em fundas e buracos na lava e protegida por muros de pedra vulcânica que as põem a salvo dos ventos marítimos. Um rendilhado imenso de muros que, “se fossem colocados todos em linha reta, dariam duas vezes a volta à terra no Equador”, explica Bernardo Cabral, o enólogo que, desde 2017, tem estado a apoiar a cooperativa numa nova etapa. Esta é a uva mais cara do país, vendida, em média, a 2,5 euros o quilo. Mas que pode chegar aos 4 euros. “É fácil de perceber que temos que fazer vinhos extraordinários”, sublinha.

A cooperativa, liderada por Losménio Goulart, tem procurado investir na renovação e modernização das instalações, bem como fomentar o processo de produção do vinho junto dos seus 250 associados. Plantados estão cerca de 800 hectares de vinha, mas só dentro de dois anos estarão em produção plena. Para já, só metade chega à adega. E no início do ano, Bernardo Cabral esperava chegar ao fim de 2020 com mais de 1,5 milhões de euros de vendas e atingir dois milhões, pelo menos, no próximo ano. Com o rombo no turismo, tudo parou. O que se entende, já que 20% das vendas da cooperativa eram feitas à porta da adega aos turistas que a visitam. “Se chegarmos a um milhão já fico todo contente”, reconhece.

Em contrapartida, a exportação, que quase não tinha significado para a Cooperativa Vitivinícola do Pico, está a crescer, com a entrada em novos mercados, designadamente na Finlândia, Canadá, Brasil e Suíça, a par da conquista de novos clientes nos EUA e de um reforço de encomendas do Japão. O objetivo é que, dentro de dois a três, as vendas aos mercados externos assegurem 30% da faturação.

Suspensos, para já, foram os investimentos que a Cooperativa tinha previstos para o enoturismo, a favor de um esforço no aumento da capacidade de armazenagem. Até porque a vindima está ao virar da esquina. Entretanto, a aposta nas vendas dos vinhos do Pico em território continental está também a surtir resultados, designadamente por via da associação das marcas da cooperativa, como o Terras de Lava, branco e tinto, o Verdelho ou o Terrantez do Pico, entre outras, a um clube de vinhos de vendas online.

“As vendas são animadoras. Não substituem completamente o mercado local, mas é um segmento que vai dando os primeiros passos”, reconhece o enólogo. Para dar resposta a essa procura acrescida, a Cooperativa Vitivinícola do Pico investiu num armazém em Lisboa, de modo a melhorar a sua capacidade logística e assegurar a entrega ao cliente no espaço de 24 horas.

Sobre as perspetivas futuras, Bernardo Cabral acredita que, com muito trabalho e dedicação, as dificuldades serão ultrapassadas. “O picaroto, a malta do Pico, não tem medo de trabalhar, basta ver o currais de pedra que protegem as vinhas para o perceber. São resilientes e guerreiros, não se deixam ir abaixo e, portanto, estão de mangas arregaçadas a trabalhar. Há pouco drama, há esperança e muita confiança no produto que temos. Não há turistas, mudamos a estratégia e viramo-nos para o mundo inteiro. Temos bons vinhos, temos uma boa apresentação e os resultados estão a aparecer, mesmo no meio de uma ‘guerra’ como esta. Vamos andado, sem medo”, sublinha.

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