Coronavírus

Pandemia. A oportunidade para o setor tecnológico e de serviços

(Photo by PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)
(Photo by PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)

Consequências económicas da pandemia, que afundaram bolsas e ameaçam uma crise mundial, podem ser uma oportunidade para outro tipo de setores vingar.

Com quase mil milhões de pessoas isoladas nas suas casas por todo o mundo, a população utiliza cada vez mais o comércio digital (e-commerce) e todos os tipos de serviços, alguns dos quais eram, para muitos, ainda desconhecidos.

“Acredito que alguns aspetos do trabalho e da forma como nos organizamos vão mudar definitivamente quando esta situação acabar”, diz Sally Maitlis, professora de comportamento organizacional da Said Business School, da Universidade de Oxford.

“As pessoas vão descobrir que podem trabalhar e comunicar de uma maneira que, até agora, nunca tinham imaginado. Isto fará com que se sintam mais confortáveis com a tecnologia”, explica Maitlis sobre a possibilidade de muitas das práticas que ainda eram só de alguns, passem a ser usadas pela maioria.

Comércio online

As grandes empresas de comércio na Internet estão a registar um aumento significativo de pedidos, à medida que as pessoas em quarentena ou isoladas nas suas casas tentam compram produtos essenciais sem sair de casa. A própria Amazon já anunciou, na Europa, que vai-se focar mais nos produtos essenciais, suspendendo as vendas noutro tipo de produtos. Isto para conseguir corresponder ao crescendo número de pedidos.

Inicialmente, ações de gigantes como Walmart e Amazon afundaram no dia 16 de março, um dia sombrio para os mercados mundiais, mas desde então têm recuperado significativamente (mais de 25% no caso do Walmart).

“Temos visto um aumento nas compras online e, como resultado, alguns produtos, como os de limpeza/higienização e de cuidados médicos, acabaram por esgotar”, afirmou a Amazon. O mesmo caso tem-se visto em Portugal, com empresas como Continente online ou o serviço pela internet do Auchan a terem entregas estimadas para daqui a várias semanas – como explica este artigo.

Por outro lado, o conhecido “pequeno comércio” está a sofrer com a crise, diz Mike Cherry, presidente da Federação Britânica de Pequenas Empresas, algo que também está a acontecer em Portugal.

“Os tempos são muito difíceis para os pequenos comerciantes. As cadeias de abastecimento preocupam cada vez mais porque a frequência de acesso a elas continua a cair. As perspetivas para esses negócios, nas próximas semanas, são cada vez mais sombrias”, garante o responsável.

Plataformas de Streaming

Com o aumento exponencial da procura, as grandes empresas do setor de ‘streaming’, como a Netflix ou a Google (proprietário do YouTube), reduziram a qualidade de transmissão de vídeos de modo a evitaros congestionamentos na internet na Europa e garantir o seu bom funcionamento durante a pandemia de covid-19.

Por todo o mundo, o uso dessas plataformas aumentou 20% no último fim de semana, de acordo com a Bloomberg.

Em sentido contrário, as grandes cadeias de cinemas estão a sofrer uma queda sem precedentes de afluência de público. A maioria está já fechada para impedir a propagação do vírus – é o que se passa em Portugal.

Por exemplo, nos Estados Unidos, as ações dos grupos com salas de cinema como a Cinemark e a AMC Entertainment caíram já 60% em relação a janeiro e fevereiro.

Aviões privados

O setor aéreo é um dos mais afetados pelas consequências económicas do coronavírus e algumas empresas estão mesmo à beira da falência.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) previu na quinta-feira passada que as companhias aéreas precisariam de 200 mil milhões de dólares em ajuda de emergência.

“A crise (…) é muito mais séria e generalizada do que o 11 de setembro de 2001, a epidemia de SARS [em 2002 e 2003] ou a crise financeira global de 2008”, alertou o diretor geral da IATA, Alexandre de Juniac.

Por outro lado, as empresas de aviões particulares estão a ver um aumento na procura. Os clientes mais ricos querem evitar encontrar centenas de outras pessoas num avião comercial, diz Daniel Tang, da MayJets, uma companhia com sede em Hong Kong.

“Os pedidos de informação dispararam 400%”, afirma Richard Zaher, presidente de uma empresa de jatos privados nos Estados Unidos, que aumentou entre 20% e 25% as suas reservas.

Aulas online

Com muitos ginásios fechados, os adeptos de desporto estão a optar por ficar em casa e fazer aulas online.

As ações da Peloton, uma empresa americana de equipamentos de ginástica, aumentaram acentuadamente quando os investidores apostaram na crescente procura das suas bicicletas e passadeiras ligadas à Internet, que permitem cursos online.

Reuniões por videoconferência

Com o aumento de pessoas a trabalharem em regime de teletrabalho, houve um aumento da procura de aplicações de comunicação pela internet.

“Há tanta agitação com o teletrabalho que empresas como a Zoom dispararam em bolsa”, aponta Carolina Milanesi, analista da Creative Strategies, referindo-se a uma empresa que oferece serviços de videoconferência. O mesmo se vê com o Slack ou o Teams, ambos serviços de colaboração profissional online.

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