Indústria

Cortiça fecha 2016 com valor recorde nas exportações

Fotografia: António Pedro Santos / Global Imagens
Fotografia: António Pedro Santos / Global Imagens

A inovação, com as novas aplicações da cortiça, são uma das áreas de aposta para o crescimento. A par da área florestal e da promoção internacional

A indústria da cortiça vai fechar 2016 com um novo recorde histórico de exportações. Depois de ter conseguido, o ano passado, bater a barreira mítica dos 900 milhões de euros de vendas ao exterior, o setor conta, este ano, ultrapassar os 950 milhões e ficar a dois passos do seu objetivo estratégico já há algum tempo: os mil milhões de euros exportados, meta que será conseguida em 2017.

A aposta na área florestal, para ter “mais e melhor cortiça” e na inovação, a nível industrial, para encontrar novas aplicações, mas também para “reforçar a qualidade e a performance” das rolhas de cortiça, que continuam a assegurar 70% da faturação, são dois dos vetores de desenvolvimento da fileira. A que se junta a “consolidação da promoção e divulgação internacional, de modo a que a cortiça continue a manter a confiança dos consumidores em todo o mundo”, destaca o presidente da Associação Portuguesa de Cortiça – APCOR, João Rui Ferreira.

A InterCork III, a sétima campanha de comunicação da cortiça, estará no mercado no início de 2017, num investimento de 7,8 milhões. O programa Compete suporta cerca de 80%, o restante é pago pelas empresas. Um dos objetivos da campanha é mostrar as mil e uma aplicações da cortiça, que já hoje está presente em segmentos tão distintos como os materiais de construção, as indústrias têxtil e do calçado e a aeronáutica, entre outras. Os materiais de construção asseguram 20 a 25% das exportações de cortiça e o resto deve-se às novas aplicações.

Um valor pequeno, mas a ambição é grande, diz o presidente da APCOR, que destaca o papel da cortiça na indústria de transportes, cada vez mais procurada por ser um material leve e que, “mantendo os requisitos de isolamento térmico e acústico, permite uma redução dos consumos energéticos”, na farmacêutica e cosmética, “que tira partido daquilo que são os extratos ou alguns elementos da cortiça no seu estado mais puro para servir de base a novas formas de produtos de elevado valor acrescentado”. Não esquecer os materiais compósitos, área onde, combinada com outros materiais, “tem muitas e diferentes aplicações industriais”.

Em jeito de balanço dos 60 anos da APCOR, que hoje são comemorados, com uma conferência subordinada ao tema “Como valorizar o setor da cortiça?”, João Rui Ferreira destaca as “muitas mudanças, transformações e desafios” a que a fileira esteve sujeita. Mas que conseguiu ascender a líder mundial na transformação de cortiça. E não só. Conseguiu, também, vencer a dura guerra dos vedantes e é hoje “líder mundial no mundo do vinho”.

números :
50 milhões investidos
É o valor acumulado do programa InterCork, que arrancou em 1999 e que vai já na sétima campanha de promoção internacional. As grandes novidades para 2017 são o regresso ao Reino Unido e a aposta na divulgação das potencialidades da cortiça juntos das universidades e investigadores.

8.500 trabalhadores
São 600 as empresas da fileira da cortiça e que dão emprego a cerca de 8.500 trabalhadores. 80% das empresas são associadas da APCOR e 82% têm sede no concelho de Santa Maria da Feira

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