Indústria

Cortiça tem um novo centro de visitas em ano de recorde nas exportações

Fotografia: António Pedro Santos / Global Imagens
Fotografia: António Pedro Santos / Global Imagens

Com as exportações a crescer 6,5% até junho, tudo indica que o sector ultrapassará este ano a barreira mítica dos mil milhões de vendas ao exterior

A Associação Portuguesa de Cortiça – APCOR inaugura esta quarta-feira um centro de visitas na sua sede, em Santa Maria de Lamas, onde pretende melhor acolher os turistas e visitantes que procuram saber mais sobre esta matéria-prima. Um espaço que pretende ser uma “montra do sector”, dando a conhecer toda a diversidade do ciclo produtivo da fileira, do montado de sobreiro, à extração da cortiça e às suas múltiplas aplicações. O Cork Welcome Center servirá de apoio às empresas do sector, mas também aos muitos turistas que querem saber mais sobre tecido vegetal, 100% natural, totalmente reutilizável e reciclável.

“Esta é uma antiga aspiração do sector e que vem colmatar duas necessidades distintas. Por um lado, há um número crescente de visitantes não profissionais interessados em conhecer a realidade da cortiça, o que constitui um desafio. Só o ano passado recebemos 2.500 visitantes, designadamente de escolas e não só, e sentimos que precisávamos de dispor de um centro onde, através de vídeo, de meios audiovisuais interativos e de experiências mais sensoriais, poderemos dar a perceber toda a lógica do ciclo produtivo. Por outro lado, o welcome center pretende, também, constituir-se como um polo agregador e de apoio às próprias empresas, onde estas poderão trazer os seus clientes e aqui mostrar-lhes a importância da fileira a nível da sustentabilidade ambiental e social, em complemento à visita das suas próprias unidades”, explicou, ao Dinheiro Vivo, o presidente da APCOR.

João Rui Ferreira assume que o objetivo é que o Cork Welcome Center seja “âncora e alavanca” para as empresas, transformando a sede da APCOR “num ponto de encontro e polo agregador” dos seus associados. A APCOR conta com 278 associados, responsáveis por 80% do volume total de negócios do sector e 85% das exportações. E há ainda um espaço batizado de Sala Américo Amorim, em homenagem ao fundador da Corticeira Amorim, “grande empresário e figura ilustre ligada ao sector da cortiça e que deixou um longo e forte legado na vida associativa”. O ministro da Economia, Carlos Caldeira Cabral, associa-se à homenagem presidindo à inauguração do novo centro.

Este é um investimento que surge numa fase particularmente positiva do sector já que as exportações crescem há oito anos consecutivos, dos quais os últimos dois com recordes absolutos. E tudo indica que 2018 será “mais um ano histórico” para a cortiça, que deverá ultrapassar a mítica barreira dos mil milhões de euros exportados e com “crescimentos sustentáveis” em todos os mercados, mas especialmente importantes nos Estados Unidos e na China, mercados estratégicos para o sector.

“A cortiça vive hoje uma notoriedade a nível mundial nunca vista e as exportações são, apenas, a face mais visível deste sucesso, o parâmetro tangível”, admite João Rui Ferreira. As rolhas de cortiça continuam a ocupar um lugar de destaque, pesando mais de 70% no valor exportado. Basta ter em conta que 7 em cada 10 garrafas de vinho vendidas no mundo usam uma rolha de cortiça. Um “número relevante, mas que nos dá, também, uma grande responsabilidade porque obriga a ter um nível de atenção, de investimento contínuo, de credibilidade e de fiabilidade muito grande. Não há espaço para erros e é essa mensagem positiva, mas sem euforia, que queremos destacar”, sustenta. Os materiais de construção, com destaque para os pavimentos, valem 25%. E há ainda as novas utilizações da cortiça combinada com outros materiais para usos mais técnicos, como os transportes ou a moda, e que estão a crescer significativamente.

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