Coronavírus

Costa considera “vital” aumento da capacidade de testagem

O primeiro-ministro, António Costa. Fotografia: Hugo Delgado/Lusa
O primeiro-ministro, António Costa. Fotografia: Hugo Delgado/Lusa

Primeiro-ministro considerou "vital" o aumento da capacidade de testagem, salientando que é essencial a rápida deteção dos casos para os isolar.

António Costa assumiu esta posição no Infarmed, em Lisboa, após uma breve cerimónia de assinatura de uma parceria para o reforço da capacidade de testagem na Região de Lisboa e Vale do Tejo e para que se assegurem respostas rápidas contra surtos de covid-19 em todo o território de Portugal continental.

Com esta parceria entre o Ministério da Saúde, o Instituto de Medicina Molecular, a Cruz Vermelha Portuguesa, a Sociedade Francisco Manuel dos Santos, a Jerónimo Martins, pretende-se atingir mais 3500 colheitas por dia (em posto fixo até 2000 e em brigadas móveis até 1500 colheitas).

“O reforço da capacidade de testagem é vital para o controlo da pandemia. Temos de ser rápidos a detetar os casos e a isolar os casos para romper as cadeias de transmissão”, declarou o primeiro-ministro, num discurso em que voltou a defender que Portugal não pode repetir as medidas de paralisação da economia e da sociedade adotadas a partir de meados de março do ano passado.

Na sua intervenção, António Costa disse que uma das prioridades do seu Governo “é robustecer a capacidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para tratar os infetados, em particular os que desenvolvem patologias que requerem internamento”.

“Estamos a assistir em toda a Europa e também em Portugal a um crescimento significativo de novos casos e estamos simultaneamente a regressar de férias e a voltar à atividade normal. Com este aumento de atividade, seguramente, vamos ter também um aumento do risco de transmissão. É por isso essencial aumentar a capacidade de testagem, porque a forma que temos de controlar [a pandemia] é chegar rapidamente a quem tem alguma suspeita, testar e, eventualmente, isolar”, afirmou.

Neste ponto, o líder do executivo reiterou a tese de que Portugal não pode fazer aquilo que teve de fazer em meados de março de 2019, quando se encerraram as escolas, se decretou o estado de emergência e o confinamento geral.

“Medidas que foram essenciais para travar o crescimento da pandemia. Mas todos conhecemos bem os brutais custos sociais e económicos que esse conjunto de medidas teve no rendimento das famílias, no emprego de centenas de milhares de pessoas e num universo empresarial que foi fortemente atingido”, apontou.

Para o primeiro-ministro, a única solução passa por “continuar a combater a pandemia ao mesmo tempo que se recupera o país”.

Na primeira intervenção da sessão, a ministra da Saúde defendeu que Portugal tem assumido como prioridade a existência de “testagem o mais precoce possível, mas simultaneamente fiável e segura”.

“Temos procedido ao reforço da capacidade de testagem do SNS. O Programa de Estabilização Económica e Social foi uma ajuda essencial para que muitos laboratórios hospitalares tivessem a sua capacidade aumentada. A capacidade laboratorial no SNS já vai neste momento nos 14400 testes em autonomia, mas pretende-se elevar até aos cerca de 22 mil testes no final do mês de outubro”, disse.

Marta Temido destacou também a importância da cooperação “entre áreas setoriais”, considerando “uma honra a existência de um parceiro com a qualidade técnica do Instituto de Medicina Molecular, ou com a capacidade de intervenção social da Sociedade Francisco Manuel dos Santos”.

No discurso mais longo da sessão, o presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Francisco George, afirmou que o tempo atual “não é de críticas ou de lamúrias, mas de mobilização de meios para que se combate o problema que todos têm pela frente”.

“É preciso mobilizar todos os meios”, frisou o médico e ex-diretor Geral da Saúde, depois de a diretora executiva do Instituto de Medicina Molecular, Maria Manuel Mota, ter estimado mais de 20 mil os testes realizados pela sua entidade entre 31 de março e 30 de junho.

Maria Manuel Mota considerou essencial para o Instituto de Medicina Molecular o papel ao nível do financiamento por parte da Sociedade Francisco Manuel dos Santos, assim como também a ação da Cruz Vermelha Portuguesa no sentido de se chegar aos cidadãos infetados com o novo coronavírus.

“Queremos atingir os três mil testes diários dentro de algumas semanas”, referiu.

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