crise dos professores

Costa sobre reposição aos professores: “Nem daqui a 10 anos”

António Costa
(NUNO VEIGA/LUSA)
António Costa (NUNO VEIGA/LUSA)

Primeiro-ministro garante que falou com Marcelo porque queria evitar uma crise, e não causar uma.

Nunca houve intenção de provocar uma crise, bem pelo contrário, o primeiro-ministro até tentou evitar a crise. Foi o que defendeu esta noite António Costa, em entrevista à TVI, sublinhando que “não foi o governo que criou esta situação” tão pouco “que mudou de posição”

Insistindo que a sua ameaça de demissão não foi propositada ou forçada, Costa disse mesmo que até tentou “evitar uma crise orçamental”, que aconteceria caso fosse aprovada a recuperação integral do tempo de serviço dos professores. E por essa mesma razão é que decidiu comunicar ao Presidente da República que o governo se demitiria caso o Parlamento aprovasse em votação final global o diploma relativo à carreia dos professores. Um governo em fim de mandato “não pode comprometer o país desta forma para o orçamento futuro”, concluiu na mesma entrevista em que repetiu que as atitudes dos partidos à esquerda, que garantem o apoio parlamentar ao PS, sempre foi coerente.

Questionado sobre se esses acordos de apoio parlamentar que o PS assinou com o PCP, o BE e o PEV podem ser mantidos numa próxima legislatura, António Costa preferiu manter a reserva.

Leia também: Costa demite-se se diploma dos professores for aprovado

Afirmou porém que não irá criar ilusões nos professores:”Nem daqui a dez anos” será possível devolver o tempo integral durante o qual as carreiras estiveram congeladas, porque isso “financeiramente não é possível”. “Podem votar todos contra mim, tenho pena. Mas não vou criar ilusões a dizer que vou devolver a integralidade do tempo, porque eu sei que não vou eu, como não vai ninguém. E não vai neste ano nem no próximo, nem daqui a 10 anos”, afirmou.

Para António Costa, “não é possível ser justo com os professores e com todas as outras carreiras em circunstâncias idênticas, sem que isso implicasse cortes brutais na despesa ou aumentos gigantescos de impostos”. “Eu prefiro falar verdade e dizer [que] o que nós achamos que é possível é devolver dois anos, nove meses e 18 dias aos professores, o equivalente aos 70% de cada módulo de progressão nas outras carreiras especiais, e prosseguir uma trajetória que o país tem seguido, onde tem conseguido reduzir o défice e a dívida, tem conseguido, pela primeira vez, crescer acima da média europeia e com uma significativa redução do desemprego”, indicou.

Votação final? “Aguardo com serenidade”, diz Costa

Na mesma entrevista à TVI, o primeiro-ministro afirmou ainda que vai “aguardar serenamente” a votação final do diploma relativo às carreiras dos professores e reiterou que, caso o Parlamento aprove a reposição integral do tempo congelado, o governo “não terá outro remédio” senão demitir-se.

Sublinhando as consequências que teria a aprovação do diploma que foi votado em especialidade na semana passada, que “poria em causa a estabilidade financeira do país, a equidade entre os portugueses e a credibilidade internacional de Portugal”, o governante reforçou que aprová-lo em votação final “comprometeria a governabilidade no presente e condicioná-la-ia de forma inadmissível no futuro”.

“Eu aguardo serenamente o que vier a ser votado, mas acho que ninguém tem direito a criar ilusões aos professores, a mentir-lhes sobre o que está em causa ou a enganar os portugueses”, disse.

Com Lusa

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