António Costa sobre a TAP

Costa sobre a TAP: “Os resultados de uma empresa não se medem ao semestre”

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), António Costa, discursa durante um almoço-comício num restaurante em Évora. NUNO VEIGA/LUSA
O secretário-geral do Partido Socialista (PS), António Costa, discursa durante um almoço-comício num restaurante em Évora. NUNO VEIGA/LUSA

No debate entre António Costa e Rui Rio, o líder do PS não respondeu claramente se mantém a confiança na liderança da TAP.

António Costa e Rui Rio estão esta segunda-feira, 23 de setembro, frente-a-frente num debate em três rádios nacionais – TSF, Rádio Renascença e Antena 1. Os resultados semestrais da TAP (quase 120 milhões de prejuízo no primeiro semestre) não passaram ao lado da conversa, com o líder do PS a ser questionado se estava arrependido de ter recomprado uma parte do capital da empresa.

“Termos recomprado parte do que o Estado tinha vendido é absolutamente fundamental para garantirmos a subsistência da TAP um dia que os parceiros privados tenham uma vicissitude”, disse o secretário-geral do Partido Socialista. “Um país que tem a nossa posição geográfica (…) não se pode dar ao luxo de não ter uma companhia de bandeira. Estamos muito orgulhosos. Em segundo lugar, os resultados de uma empresa não se medem ao semestre, medem-se de acordo com o seu programa estratégico. Neste momento, uma empresa que está a fazer um grande investimento de longo alcance para crescer para o mercado norte-americano como se cresceu nas últimas décadas com grande sucesso para o Brasil é evidente que tem custos de investimento muito significativos”.

Contas da TAP no primeiro semestre na última década

Contas da TAP no primeiro semestre na última década

A companhia aérea revelou no final da semana passada que de janeiro a junho deste ano tinha registado um prejuízo de 119,7 milhões de euros, tendo o resultado líquido da empresa sido penalizado sobretudo pela quebra nas receitas oriundas do Brasil e pela subida dos custos com pessoal “em resultado das novas contratações e das revisões salariais negociadas em 2018”.

A TAP encomendou dezenas de novos aviões de nova geração à Airbus, aeronaves que já começaram a chegar e que permite à transportadora não só renovar a sua frota mas também abrir novas rotas. Depois de anos muito focada no mercado brasileiro, a TAP está agora a apostar em novas ligações para o mercado da América do Norte. Segundo indicou na última sexta-feira em comunicado, já entraram 15 aeronaves e saíram cinco aviões mais antigos. A TAP fechou assim os primeiros seis meses do ano como uma frota de 106 aviões.

No último sábado, o semanário Expresso avançava que os maus resultados da TAP agravavam a tensão entre o acionista Estado – que tem uma participação de 50% na empresa – e os acionistas privados, o consórcio Atlantic Gateway, de Humberto Pedrosa e de David Neelman, a quem cabe a gestão diária das operações. As transportadoras Lufthansa e United Airlines são hipóteses em cima da mesa para uma eventual venda de posição por parte de David Neeleman, acionista da TAP via consórcio Atlantic Gateway, escrevia ainda o semanário.

Esta manhã, no debate, António Costa, questionado se confiava na atual administração da TAP, liderada por Antonoaldo Neves, respondeu que: “recomprámos parte da posição mas ficou muito claramente separado qual o eixo de intervenção de cada um. A gestão do dia-a-dia não compete ao Estado. Ao Estado compete intervir na sua gestão estratégica”.

Rematou dizendo que: “O Estado tem os poderes de controlo que tem e exerce-os nos locais adequados”.

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