Coronavírus

Itália prepara pacote de 3,6 mil milhões contra impacto económico do surto

Giuseppe Conte, primeiro-ministro de Itália. (EPA/LUCA ZENNARO)
Giuseppe Conte, primeiro-ministro de Itália. (EPA/LUCA ZENNARO)

Em entrevista ao jornal La Repubblica, o ministro da Economia de Itália adiantou que o pacote de medidas está a ser desenhado pelo executivo e será aprovado nos próximos dias.

O Governo italiano está a preparar um pacote de medidas para reduzir o impacto económico do surto de Covid-19 nas empresas, da ordem dos 3,6 mil milhões de euros, revelou o ministro da Economia italiano.

Em entrevista hoje ao jornal “La Repubblica”, o ministro Roberto Gualtieri, citado pela agência espanhola Efe, adiantou que o pacote de medidas está a ser desenhado pelo executivo e será aprovado nos próximos dias “contendo intervenções a todos os níveis”, que estão a ser negociados com organizações de ação social e autoridades locais.

Segundo o jornal, numa primeira fase, terá sido assinado na sexta-feira um decreto-lei em Itália que, entre outras coisas, suspende o pagamento de contas de energia e gás nos onze municípios do norte, isolados por causa da epidemia de Covid-19 provocada por um novo coronavírus, considerados “zona vermelha”.

“Temos várias hipóteses em mente [para esta segunda fase]. Desde o crédito tributário para empresas que sofreram uma queda no volume de negócios de mais de 25%, até uma baixa de impostos”, precisou Roberto Gualtieri.

Segundo o governo italiano, este pacote de ajudas vão implicar um desvio do défice planeado para este ano, estimado em setembro em 2,2% do PIB, para o qual Roma vai solicitar flexibilidade junto de Bruxelas.

“Trata-se de um aumento de gastos adicionais (…) compatível com a flexibilidade previstas pelas normas do Pacto de Estabilidade, uma vez que estamos na presença de circunstâncias excepcionais objetivas”, sustentou o governante italiano.

“É um número consistente e sustentável, calculado com critérios objetivos e de acordo com as necessidades reais. Não há razão para temer que Bruxelas o rejeite”, acrescentou.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou pelo menos 2.979 mortos e infetou mais de 87 mil pessoas, de acordo com dados reportados por 65 países e territórios.

Além de 2.870 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia Estados Unidos da América e Filipinas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.

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