CP vai "demorar dez anos a recuperar para bons níveis de pontualidade"

Em entrevista ao Expresso, o ex-presidente da CP admite ter ficado surpreendido com o seu afastamento da empresa.

Foi na semana passada que o Governo anunciou que a CP tinha um novo presidente. O escolhido foi Nuno Freitas. A substituição apanhou Carlos Nogueira, agora ex-presidente da empresa pública de comboios, de surpresa.

Em entrevista publicada este sábado no jornal Expresso, Carlos Nogueira diz que não se demitiu e que estava preparado para chegar ao fim do mandato.

E refere que, ao contrário do que foi dito, não mantinha divergências estratégicas com o Ministério das Infraestruturas sobre a recuperação de material circulante. "Estou naturalmente de acordo com o reforço da reparação de material circulante da CP", sublinha.

Garante estar de "consciência tranquila" com o trabalho feito nos últimos dois anos e diz sentir-se "desrespeitado".

O ex-presidente do Conselho de Administração da CP assume ter equacionado a demissão há um ano, durante aquele que foi um "verão dramático" para os caminhos-de-ferro nacionais.

"Não foram dados os meios necessários para garantir um desempenho razoável do modelo de exploração da CP", afirma, destacando a "responsabilidade partilhada" entre o Ministério então liderado por Pedro Marques e o Ministério das Finanças, devido às cativações.

Carlos Nogueira acredita que as medidas anunciadas em junho pelo Governo para melhorar a ferrovia são positivas, mas vão demorar tempo até surtir efeito. "O setor foi abandonado nos últimos 20 a 30 anos" por "sucessivos governos", ressalva. E durante o período da troika, o desinvestimento foi mesmo "fatal". Segundo o gestor, os comboios portugueses estão ao nível da Roménia e da Bulgária.

"Se se continuar a manter o foco e o investimento no setor ferroviário vamos demorar dez anos, pelo menos, a recuperar para bons níveis de pontualidade, regularidade e fiabilidade", antevê.

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