Banco de Portugal

Crédito às exportadoras cai – pode ser sinal de perigo

Bruno Bonone, Presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Portugal
( Gustavo Bom / Global Imagens )
Bruno Bonone, Presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Portugal ( Gustavo Bom / Global Imagens )

Números do Banco de Portugal revelam algum abrandamento nos negócios, avisa Bruno Bobone.

Falta ainda um mês para fechar as contas ao ano que terminou, mas os dados ontem libertados pelo Banco de Portugal revelam que o crédito ao consumo continua a subir. Foram mais 27 milhões de euros do que em outubro, emprestados pelos bancos em novembro, que representa um total de 26,16 mil milhões – mais 1,2 mil milhões do que no último ano. Sinal preocupante, sobretudo quando olhamos para ele a par dos valores relativos às empresas: quando comparados com o mesmo mês do ano passado, os financiamentos da banca às empresas reduziram-se, mesmo no que respeita às exportadoras. Foram menos 2 mil milhões de euros em crédito para as empresas do que o atribuído em novembro de 2017 – uma redução superior a 350 milhões no caso específico das exportadoras.

Um sinal de perigo, interpreta Bruno Bobone. “Tenho dúvidas de que a redução se prenda com uma maior autonomia das empresas”, explica o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, interpretando antes os números do Banco de Portugal como um sintoma de desaceleração. “Os bancos não têm ajudado a estimular os negócios”, critica o também empresário, lamentando que o crédito continue a estar “dominado pela cultura de análise de risco, uma postura que limita o desenvolvimento”, sobretudo da atividade das exportadoras.

Os números ontem divulgados mostram também o crédito à habitação a cair – depois dos sucessivos pedidos de contenção do governador Carlos Costa. A preocupação do Banco de Portugal prende-se com a elevada proporção deste tipo de empréstimos concedida a clientes que terão de continuar a pagar até bem depois de deixarem de trabalhar. Mais de um terço dos empréstimos vão além dos 70 anos do cliente, o que implica uma enorme taxa de esforço, que o governador quer prevenir com a redução de prazos dos créditos à habitação.

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