Crédito às famílias regista o maior aumento desde novembro de 2004

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Há já 11 anos que a banca não aumentava tanto a concessão de crédito às famílias. Segundo dados do banco de Portugal ontem revelados, em junho o volume de novos empréstimos cresceu 35,39% face ao mesmo período do ano passado.

É o maior crescimento no volume de crédito desde novembro de 2004, numa altura em que a produção de novos empréstimos era quatro vezes maior do que é hoje. Só este ano, o volume de empréstimos para as famílias já cresceu 148,11%, numa altura em que a confiança dos consumidores está mais forte e os bancos mostram-se menos restritivos na concessão de crédito.

Entre os vários segmentos de crédito – habitação, consumo ou outros – a banca concedeu em junho 811 milhões de euros, estando apenas os empréstimos para outros fins (por exemplo Educação) a recuar, tanto em relação a maio como em relação a junho de 2014.

A compra de casa continua a ser o grande motor do crédito. Só em junho, a banca dirigiu 377 milhões de euros para a aquisição de habitação, o que representa um aumento de 27% face a maio e um crescimento recorde -de 88,50% – em comparação com o período homólogo.

Se contabilizados a estes valores os novos empréstimos direcionados para as empresas, os bancos concederam 3920 milhões de euros no último mês do semestre.

Os novos empréstimos não são ainda suficientes para aumentar a base de crédito concedido em Portugal. Desde abril de 2011, ou seja, há 51 meses que o Banco de Portugal vai divulgando volumes totais de crédito cada vez mais baixos. No caso da habitação, cuja compra foi adiada durante os anos da ajuda financeira internacional e apenas agora começa a recuperar, o Banco de Portugal regista um volume total de 99.984 milhões de euros atribuídos até junho. É ainda o valor mais baixo desde outubro de 2007.

Cobrança duvidosa recua

A cobrança duvidosa continua a pesar nas contas dos bancos. No entanto, em junho, pela primeira vez este ano, as famílias portuguesas conseguiram reduzir o malparado em todos os segmentos de crédito. A maior redução aconteceu no crédito para outros fins. No final de junho, as famílias tinham em falta perante a banca 5.363 milhões de euros. Este é o valor mais baixo de todo o ano, mas como o volume de créditos está mais pequeno, representa ainda 4,41% do crédito atribuído – ainda acima dos 4,36% de janeiro e distante dos 4,1% de março do ano passado.

A dificuldade na cobrança dos créditos destinados ao consumo continua a ser o maior problema da banca, que tem em falta 10,86% do valor concedido para este fim. Eram 1.299 milhões de euros de um total de 11.962 emprestados. Como é habitual, o crédito à habitação é o que revela menos incumprimentos, com o malparado a representar apenas 2,53% do total de empréstimos registados para a compra de casa. Havia ainda assim 2.527 milhões de cobrança duvidosa em junho.

Os valores em falta pelas empresas também recuaram. Ainda assim, é de cobrança duvidosa mais de 15% dos 85.350 milhões emprestados. Feitas as contas, a banca está sem receber 18.587 milhões de euros que lhes eram devidos por empresas e famílias. Este valor é mais pequeno do que o registado em maio, mas esta 650 milhões acima do revelado pelo Banco de Portugal em junho de 2014.

Estes valores surgem poucos dias depois de o Fundo Monetário Internacional ter avisado que não está satisfeito com a banca portuguesa e que serão necessárias novas medidas. “A fraca rentabilidade deixa pouco espaço para os bancos absorverem perdas adicionais, num contexto em que os créditos malparados ainda estão a subir”, afirmou a instituição com sede em Washington.

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