Créditos rápidos são para pensar duas vezes

Fazer crescer o seu saldo bancário da noite para o dia pode parecer muito tentador, mas há alguns cuidados a ter.

O verão é uma altura propícia para os chamados “minicréditos” ou empréstimos rápidos. Seja para ir de férias, fazer face a uma despesa extra ou mesmo concretizar um desejo pessoal. Existem cada vez mais bancos a oferecer crédito imediato através das suas plataformas online. Mas atenção. Os juros e as comissões são elevados.

Em muitos casos, “bastam meia dúzia de cliques e o crédito fica disponível, sendo colocado na conta do cliente entre 24 e 48 horas depois”, explica Nuno Rico, economista da Associação de Defesa do Consumidor (Deco) ao Dinheiro Vivo. O montante é depositado na conta bancária do cliente sem que haja necessidade de se apresentar comprovativos da sua finalidade e os prazos de pagamento são negociáveis.

“Temos assistido a novas formas de tentação ao consumidor. Por exemplo, quando utilizamos o homebanking para realizar uma transferência interbancária, se o consumidor tiver um cartão de crédito, vai aparecer automaticamente uma mensagem a sugerir o cash advance, caso não tenha saldo suficiente ou queira reforçar a sua conta bancária.” Nesta operação, pode-se transferir uma parte ou a totalidade do saldo disponível na conta cartão para a conta à ordem. Mas nem tudo é assim tão simples.

“Um cash advance não só é um crédito como é um crédito que tem muitas comissões, mesmo que o consumidor pague o extrato do cartão de crédito na totalidade, ao final do mês”, explica. Para transferir dinheiro de uma conta para a outra, os bancos cobram comissões de três a quatro euros e ainda ficam com uma percentagem de 3% a 4% do valor transferido.

O cash advance não é novo. Esta opção sempre existiu nos cartões de crédito. O que acontece, atualmente, é a sua publicitação por parte dos bancos como uma forma de o consumidor fazer crescer o saldo da sua conta bancária.

Recentemente, apareceu no mercado nacional um produto de crédito imediato que funciona exclusivamente online, o Puzzle. “Todos os processos são feitos online e garantem uma resposta em 24 horas”, explica o economista. O serviço disponibiliza até três mil euros, pagos em 24 meses. O dinheiro fica disponível na conta em apenas 24 horas.

Apesar de tentador, antes de decidir optar por este caminho há cuidados a ter. O caráter de urgência associado a este produto pode não permitir uma pesquisa exaustiva e devidas comparações. No entanto, a comparação das TAEG (taxa anual efetiva global) é crucial na contratação deste tipo de crédito. Esta taxa é a principal referência, uma vez que reflete todos os custos associados à concessão do crédito (comissões iniciais, periódicas, juros, seguros e outros encargos). “Em grande parte das vezes, são apresentadas taxas de juro nominais muito atrativas mas o conjunto de despesas que depois estão associadas à formalização do crédito fazem elevar de forma muito significativa a taxa efetiva.”

Depois de comparadas as taxas, os consumidores devem avaliar a capacidade de fazer face aos compromissos assumidos. Os juros associados a estes créditos tendem a ser elevados e podem “criar dificuldades financeiras no orçamento das famílias”. Como o dinheiro é depositado na conta no prazo de 48 horas, a instituição financeira não tem capacidade para analisar o percurso financeiro do consumidor, não havendo, assim, uma avaliação do risco de incumprimento muito detalhada.

É importante perceber se a sua necessidade é mesmo urgente. Se não for o caso, o melhor é mesmo esperar mais algum tempo e juntar o dinheiro para conseguir comprar o que quer. Embora seja uma alternativa para uma situação de urgência, recorrer ao crédito imediato não deve tornar-se uma rotina de financiamento.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de