Comissão Europeia

Crescimento no euro chegou ao topo e agora é a descer até 2020, pelo menos

Jean-Claude Juncker (E) e Pierre Moscovici (D). Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir
Jean-Claude Juncker (E) e Pierre Moscovici (D). Fotografia: REUTERS/Francois Lenoir

Portugal, Espanha, Alemanha, França, Itália e outros países vão crescer menos em 2019 do que se esperava na primavera, dizem as contas do outono.

O crescimento da zona euro atingiu um “ponto culminante” em 2017, mas a partir daqui e até 2010 é sempre a descer, avisa a Comissão Europeia, nas previsões económicas de outono, divulgadas esta quinta-feira, em Bruxelas.

“Prevê-se que o crescimento económico da área do euro diminua de um nível que atingiu um ponto culminante em dez anos, de 2,4% em 2017 para 2,1% em 2018, antes de baixar novamente para 1,9% em 2019 e 1,7% em 2020.”

“O mesmo padrão está previsto para a UE, prevendo-se que o crescimento seja de 2,2% em 2018, 2% em 2019 e 1,9% em 2020”, acrescenta o novo estudo.

No ano passado, o topo do crescimento aconteceu graças ao “contexto mundial excecionalmente benigno”, que contribuiu para o dinamismo da atividade e do investimento.

Mas agora, a CE frisa que voltou o “clima de grande incerteza”.

“Prevê-se que todos os Estados-Membros continuem a crescer, embora a um ritmo mais lento, graças à força do consumo interno e do investimento” e que “na ausência de grandes choques, a Europa deve conseguir um crescimento económico acima do nível potencial, a criação robusta de postos de trabalho e a diminuição do desemprego”.

“No entanto, este cenário de base está sujeito a um número crescente de riscos interligados de revisão em baixa.”

Há vários casos que servem de exemplo. Há seis meses, na primavera, a CE previa que a Alemanha, a maior economia do euro, crescesse 2,1% em 2019, mas isto foi revisto em baixa para 1,8%.

O mesmo no caso francês, que é a segunda maior economia. Ia crescer 1,8%, mas a nova previsão aponta para 1,6%.

Para Espanha, o principal parceiro económico de Portugal, estava previsto um crescimento de 2,4% em 2019, mas o outono trouxe uma revisão em baixa para 2,2%.

Itália ficou na mesma, com 1,2%, naquela que será a pior prestação da Europa no ano que vem.

Portugal também foi arrastado. Na primavera dizia-se que o PIB podia avançar, em termos reais, 2% em 2019, mas agora a previsão central baixou para 1,8%. O país torna a divergir da zona euro, que vai crescer 1,9% no ano que vem, dizem as novas contas da CE.

Os riscos que mais preocupam Bruxelas

O novo estudo, apresentado por Valdis Dombrovskis, o vice-presidente da Comissão que tem a tutela dos assuntos relacionados com o euro, e por Pierre Moscovici, o comissário para os Assuntos Económicos, declara que “existe um elevado grau de incerteza em torno das previsões e há muitos riscos interligados”. Ou seja, “a concretização de qualquer um destes riscos poderá amplificar os outros e o respetivo impacto”.

Os riscos maiores: “um sobreaquecimento nos EUA, alimentado por um estímulo orçamental pró-cíclico, poderá conduzir a taxas de juro em subida mais rápida do que o previsto, o que terá numerosas repercussões negativas para além dos EUA, em especial nos mercados emergentes”.

Adicionalmente, “esta situação poderia agravar as tensões nos mercados financeiros. A UE também poderia ser afetada, tendo em conta as suas fortes ligações comerciais e a exposição dos bancos.”

A CE fala ainda do “aumento previsto do défice da balança corrente dos EUA poderá igualmente alimentar novas tensões comerciais com a China” e alerta que isso “poderá aumentar o risco de um ajustamento desordenado na China, dado o nível da dívida das empresas e a fragilidade financeira”.

Uma vez mais, “qualquer aumento das tensões comerciais também prejudicaria a UE através do seu efeito sobre a confiança, o investimento e a sua elevada integração nas cadeias de valor mundiais”.

Dentro da Europa, subsistem ainda “dúvidas sobre a qualidade e a sustentabilidade das finanças públicas nos Estados-Membros altamente endividados”, problemas que “podem repercutir-se nos sectores bancários nacionais, aumentando as preocupações em matéria de estabilidade financeira e afetando negativamente a atividade económica”, diz a CE no novo estudo.

“Por último, mantêm-se os riscos relacionados com o resultado das negociações do Brexit.”

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