Crescimento recorde no verão não evita divergência de Portugal face à Europa

Bruxelas espera que economia portuguesa se consiga reerguer no verão, com crescimento de 4%, o segundo mais forte da zona euro. É a melhor marca em julho-setembro desde o tempo da Expo 98.

A economia portuguesa registou uma quebra enorme do produto interno bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, naquele que foi o segundo pior arranque de ano das séries do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Mas a Comissão Europeia (CE), nas previsões da primavera, espera que Portugal se consiga reerguer dos efeitos da pandemia e do segundo confinamento do inverno, com um crescimento recorde nos meses de verão. Mesmo assim, 2021 será ano de afastamento face aos padrões europeus, será ano de divergência económica.

Ontem, o Eurostat reiterou a referida contração, de 5,4% nos primeiros três meses de 2021 face a igual período de 2020, e revelou que esta marca acabou por ser a pior da Europa e mais do dobro da redução média homóloga registada na zona euro e na União Europeia.

A segunda maior quebra foi logo aqui ao lado, em Espanha (-4,3%). A Alemanha, a maior economia da UE, sofreu um tombo de 3%, arrastando todos os outros. França destoou com um crescimento ligeiro de 1,5%.

Mas nas últimas previsões da Comissão Europeia, divulgadas na semana passada, os prognósticos para o trimestre corrente (até junho) e para o verão são relativamente bons. Aliás, o crescimento previsto por Bruxelas para os meses de verão em Portugal (terceiro trimestre) deve chegar a 4%, o segundo maior ritmo de expansão do PIB da zona euro, apenas suplantado pela Estónia (5%).

Não obstante a economia ter ido ao fundo no ano passado, este avanço de 4% será o maior impulso económico nos meses de verão desde 1998, o ano da Expo98.

No entanto, o verão não vai chegar para garantir a convergência com a Europa este ano, apagando ou minimizando os efeitos da destruição do confinamento do primeiro trimestre, quando a pandemia registou valores alarmantes em número mortes e doentes covid-19, colocando o serviço de saúde à beira rutura.

Recorde-se que entre 2016 e 2019, a economia portuguesa cresceu a um ritmo superior ao da média da zona euro, naquele que foi chamado de "processo de convergência real", muito elogiado e valorizado pelo governo e pelo ministro das Finanças da altura, Mário Centeno.

Pelas métricas oficiais, o País estava a aproximar-se dos padrões de vida mais elevados, como os que vigoram em países como Alemanha, França, Espanha, Itália. Mas a pandemia vai interromper esse caminho.

Segundo a Comissão Europeia, durante o primeiro ano da pandemia a recessão foi mais pesada em Portugal do que na média da zona euro, muito por causa da "elevada dependência" da economia nacional em relação ao turismo.

Assim, a contração no ano passado foi de 7,6% enquanto na zona euro a economia caiu 6,6%. E este ano, a divergência continua. Portugal deve crescer 3,9%, mas a zona euro irá mais depressa, a um ritmo de 4,3%, dizem as novas previsões da CE.

A CE observou ainda que "o enorme setor da hospitalidade de Portugal, em particular turismo estrangeiro, foi novamente o mais afetado [durante o novo confinamento, que terminou em meados de abril], mas o impacto negativo no crescimento foi limitado devido à base reduzida registada no ano anterior".

"A retoma do turismo deverá ganhar velocidade no terceiro trimestre deste ano, mas não esperamos que o setor atinja o nível de atividade pré-pandemia até final de 2022", acrescenta.

Razão? "Os riscos tendem para o lado negativo porque o País é altamente dependente do turismo estrangeiro e aqui o curso da retoma é altamente incerto", diz Bruxelas. Um dos receios é que vários países continuem a impor restrições às viagens dos seus nacionais e que depois do verão possa haver recaídas na pandemia por causa do surgimento de novas estirpes do coronavírus.

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