Turquia

Crise cambial. Lira turca arrasta euro e preocupa BCE

(REUTERS/Dado Ruvic)
(REUTERS/Dado Ruvic)

Exposição de bancos de Espanha, Itália e França está a preocupar o BCE.

A lira turca continua a afundar e a arrastar o euro e outras divisas dos mercados emergentes. Esta sexta-feira, dia em que o governo de Ancara se prepara para avançar um novo programa económico num momento de crise cambial e diplomática, a moeda turca voltou a tombar para mínimos, chegando a 6,39 liras contra o dólar numa depreciação de 10%. O euro está também em queda, a perder mais de 0,5% esta manhã.

Os riscos de contágio às economias do euro estão a ser avaliados por vários economistas e a causar preocupação no Banco Central Europeu, avança esta manhã o Financial Times (acesso limitado). A situação ainda não é considerada crítica, mas segundo o jornal britânico o Mecanismo Único de Supervisão do BCE está a acompanhar estreitamente a situação na Turquia e o impacto para bancos de Espanha, França e Itália. Os riscos estão na exposição ao país de instituições como BBVA, UniCredit e BNP Paribas.

O comportamento da moeda europeia está a ser associado pelos analistas à situação turca. “No presente, não parece uma questão sistémica, mas antes uma reação do mercado à surpresa”, declarou à Bloomberg Raymond Lee, da Kapstream Capital.

O ministro das Finanças da Turquia, Berat Albayrak, irá esta sexta-feira anunciar “um novo modelo económico” para o país, indicou ontem o governo de Ancara. O objetivo será assegurar um crescimento de entre 3% a 4% em 2019, e reduzir a inflação, em 16%, para um único dígito.

As tensões diplomáticas com os Estados Unidos, parceiros na NATO, têm destabilizado a Turquia, com sanções aplicadas por Washington a membros do governo turco devido a detenção de um religioso norte-americano pelo país. Ancara respondeu com sanções a membros da Administração dos Estados Unidos.

O conflito está a ter impacto na moeda turca e também nos custos da dívida soberana da Turquia, num momento de elevada inflação e no qual não se espera que o banco central intervenha com uma subida de juros para conter a escalada dos preços.

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