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Crise da Huawei em Portugal durou menos de duas semanas

EPA/EMILIO NARANJO
EPA/EMILIO NARANJO

Apesar da retração dos consumidores durante semana e meia, marca chinesa está de volta ao normal nas vendas em Portugal e continua a crescer (25% no primeiro semestre). Sistema Android na Huawei é, se não houver surpresas, para ficar e vêm aí novas lojas em centros comerciais.

A Huawei foi apanhada na guerra política e comercial entre os EUA e a China, quando o executivo de Donald Trump anunciou que iria obrigar as empresas americanas a deixarem de fornecer produtos para a marca chinesa – onde se inclui, além de várias componentes, o sistema operativo Android. A medida não foi aplicada de imediato e, entretanto, já houve uma reversão com o acordo conseguido entre os dois países na cimeira do G20.

Apesar do alarmismo dos primeiros dias da decisão e de muitas dúvidas dos consumidores, a Huawei Portugal acabou “por sofrer pouco” nas vendas. Tiago Flores, diretor comercial da área de consumo da Huawei Portugal, explicou-nos que “o impacto maior acontecer na primeira semana e meia”. “Tivemos um abrandamento das compras dos nossos smartphones nesse período, as pessoas quiseram esperar para ver o que poderia acontecer”, admite-nos o responsável, mesmo não partilhando dados concretos de vendas.

Numa primeira fase a Huawei tentou ajudar as várias lojas parceiras da marca a explicar aos muitos consumidores que lá foram o que estava em causa e que nada mudava no imediato para os seus telemóveis Huawei. “Retalhistas e operadores ajudaram-nos a evitar alarmismo. Nos dois service centers da empresa em Portugal – um em Lisboa e outro no Porto e onde atendem, mensalmente, 4 mil consumidores – também trouxeram tranquilidade aos muitos clientes.

Tiago Flores (foto: Huawei)

Tiago Flores (foto: Huawei)

E houve perdas nas vendas em Portugal?

Na verdade a Huawei tem já um terço do mercado nacional. “Depois dessa semana e meia tivemos uma recuperação das vendas e fizemos uma declaração de compromisso com o consumidor, explicando de forma pública o que se passava”, diz o responsável.

Tiago Flores explica-nos que, apesar do susto, a Huawei fechou o primeiro semestre do ano a crescer mais 25% do que o ano passado, um valor bem acima do mercado de smartphones em Portugal. O registo mostra ao responsável da marca em Portugal que “as pessoas souberam separar uma guerra comercial de algum tipo de anomalia que os seus equipamentos poderiam ter” e indica que “há confiança na marca em Portugal”: “somos uma marca muito sólida no país”.

A nível de crescimento, Flores indica também que a Huawei duplicou o crescimento no segmento premium, vendendo cada vez mais os seus topos de gama. “É o resultado de termos maior portefólio no segmento premium e dos nossos equipamentos serem cada vez mais reconhecidos pela inovação nas câmaras, bateria e inteligência artificial”, avança. O responsável congratula-se ainda com os prémios: “a semana passada recebemos mais um ESA Awards por termos o melhor smartphone do ano, o P30 Pro, e é a sétima vez seguida que acontece”.

Lojas em Portugal são em centros comerciais

A maior loja da Huawei a nível mundial abriu esta sexta-feira em Madrid, com 6000 m2 de espaço e 20 funcionários. Em Portugal não irá acontecer o mesmo tipo de loja, “até porque o mercado é diferente e os portugueses dão primazia às lojas em centros comerciais”. No final do ano passado a Huawei aumentou a sua loja do Colombo e está a ver possibilidades para ter mais espaços em Portugal mas “sempre nos centros comerciais”.

Líder em Portugal, segundo no mundo

Já o ano passado, de acordo com dados da consultora IDC, a Huawei tornou-se pela primeira vez líder nas vendas de smartphones (em número de unidades e em receitas), superando o domínio de sete anos da Samsung. “Estamos muito satisfeitos com a performance de 2018 e queremos continuar,

É sabido que a Huawei, pelo menos no início do ano, tinha a ambição de ser já este ano a líder mundial em vendas, superando a Samsung. Isso mesmo foi dito pelo seu CEO na área de consumo, Richard Yu. Essa ambição pode ser difícil graças ao bloqueio americano. Certo é que a marca chinesa foi em 2018 o segundo fabricante mundial, com 200 milhões de unidades vendidas e no primeiro trimestre do ano continuava em segundo lugar, atrás da Samsung (a marca sul coreana vendeu 71,9 milhões de unidades, contra 59,1 da Huawei), de acordo com dados do IDC.

O bloqueio norte-americano terá reduzido em 30% as vendas de smartphones da marca a nível global durante os últimos dias de maio. A Huawei estimava que teria tido um impacto de 26 mil milhões de dólares pelo bloqueio económico americano, mas a marca nega que tenha havido reduções de preço devido à situação, mesmo que alguns distribuidores possam ter feito descontos ocasionais na altura da crise.

Tudo igual em Android

Para não deixar espaço para dúvidas, a Huawei não só tem garantido que os utilizadores vão receber todas as atualizações de segurança do sistema Android, como vão poder aceder a todas as aplicações que tinham antes e existem 17 modelos da Huawei, antigos e atuais, que vão poder receber o novo sistema Android Q. “Nada muda para o consumidor final, nos equipamentos antigos e nos novos”.

Tiago Flores admite mesmo que a Huawei quer manter o sistema, mas tem o tal plano B disponível se houverem problemas. “A nossa prioridade é manter a plataforma Android, temos inclusive contribuído para a sua melhoria e sucesso por sermos o segundo fabricante mundial em smartphones e por continuarmos a ser um parceiro privilegiado da Google”.

O responsável lembra que a inovação continua a ser foco da marca, que gastou 14% da sua receita em investigação e desenvolvimento em 2018.

5G é foco principal

Sobre aparelhos, o Huawei Mate 20 X 5G é lançado agora em julho em alguns países: Itália, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Suíça. Em Portugal ainda não existe rede disponível – nem tão pouco arrancaram as licenças -, mas Tiago Flores garante que continuam a “colaborar ativamente no 5G em Portugal”. Certo é que o responsável português admite que há vantagens em ter no 5G tudo, “ponta a ponta, da infraestrutura até ao consumidor”. “Nesta revolução digital somos a empresa mais bem preparada para os desafios do consumidor”, explica.

A falta de rede 5G disponível faz com que ainda se esteja “a analisar” quando irão lançar aparelhos 5G em Portugal.

Já o dobrável e 5G, Mate X, deve ser lançado até ao final do ano na Europa, mas ainda não se sabe quando chega a Portugal, diz-nos Tiago Flores.

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